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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

NAPIs mostram resultados de pesquisas financiadas pela Fundação Araucária na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação

Por: Guilherme de Souza Oliveira e Silvia Calciolari

Projetos que envolvem inteligência artificial no campo, robótica educacional, análise de alimentos, tecnologia aeroespacial e estudos sobre o universo estão entre as iniciativas apresentadas no primeiro dia de estandes da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação, que está sendo realizada em Curitiba, entre os dias 10 e 12 de março. Promovido pela Fundação Araucária, o evento reúne pesquisadores, universidades, empresas e gestores públicos para demonstrar como os investimentos em ciência no Paraná estão se transformando em inovação e soluções para a sociedade paranaense. 

Na primeira tarde do evento, os estandes dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) apresentaram resultados de projetos que integram universidades, institutos de pesquisa e setor produtivo em diferentes regiões do estado. Um dos destaques foi o NAPI Aeronaves, que exibiu um protótipo de integração entre um simulador de voo e um sistema físico de controle de aeronave. Segundo o pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Marco Wehrmeister, a tecnologia permite reproduzir em bancada os comandos de um avião em tempo real.

Na área agrícola, o NAPI Enfezamento do Milho mostrou uma solução baseada em inteligência artificial para monitorar a cigarrinha-do-milho, inseto responsável por grandes prejuízos na produção. O pesquisador do IDR-Paraná, Ivan Bordin, demonstrou um aplicativo que automatiza um processo que hoje ainda é manual. “A inteligência artificial permite fotografar a armadilha e contar automaticamente os insetos, registrando e enviando os dados pela internet”, afirmou. 

Também voltado ao setor agroindustrial, o NAPI Erva-Mate expôs mudas selecionadas e novos produtos derivados da planta, com maior valor agregado, como biscoitos e bebidas. De acordo com o presidente da Sustentec, Euclides Junior, o objetivo é ampliar as possibilidades de mercado.

O NAPI Educação para o Futuro trouxe para a Semana Araucária uma série de painéis e indicadores específicos da Educação Básica do Paraná, trazendo a primeira camada de dados e a concepção do portal do Observatório da Educação, além da estrutura do repositório institucional.

Outro estande presente no primeiro dia de evento, o NAPI Robótica, exibiu um protótipo de robô. Entre as iniciativas do Arranjo está um programa em escolas públicas em que estudantes aprendem a programar robôs e participar de desafios tecnológicos. Já o NAPI RMN, apresentou aplicações da ressonância magnética nuclear para análise de alimentos e bebidas. Um dos exemplos mostrados foi o trabalho realizado durante a crise do metanol em bebidas alcoólicas. “Analisamos quase mil amostras de bebidas do Paraná e não encontramos nenhuma contaminada”, relatou o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Andersson Barison.

Além das aplicações tecnológicas e industriais, a programação também traz pesquisas em áreas como a astronomia. O NAPI Fenômenos Extremos do Universo participa de projetos internacionais e apresentou o site do Arranjo. “Nosso principal projeto é um telescópio de raios gama que vai integrar um grande consórcio  internacional para estudar fenômenos de altíssima energia no universo”, explicou o professor da UTFPR, Alexandre Mello.

O NAPI Corpo em Movimento apresentou vestimentas e acessórios do projeto que leva a prática de lutas marciais para escolas públicas do Paraná. Outro exemplo de cooperação científica é o NAPI Trinacional, que reúne pesquisadores do Brasil, Paraguai e Argentina para estudar questões urbanas, sociais e ambientais na região de fronteira. Para o evento, o grupo levou o primeiro livro publicado pelo Arranjo, com reflexões iniciais sobre a metrópole trinacional.

O NAPI Sudoeste apresentou pesquisas voltadas às demandas regionais, como estudos sobre a qualidade da água e do solo por meio de bioindicadores, além do desenvolvimento de novas membranas com reaproveitamento de resíduos industriais para aplicações em saúde e nutrição.

O NAPI Space exibiu uma plataforma própria de coleta e processamento de dados espaciais, reduzindo a dependência de equipamentos importados e ampliando aplicações em áreas como agricultura de precisão, planejamento urbano e monitoramento ambiental.

No estande do NAPI Paraná Faz Ciência, os visitantes puderam conhecer os projetos e produtos desenvolvidos no programa, como o site Conexão Ciência – C², o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), o projeto Quintas de Ciência,  Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e Rede de Museus de Ciências, além de promover o lançamento de novos e-books do C². “Durante três dias, o visitante poderá ter acesso a dados com a performance de cada projeto, por meio de tablets, vídeos institucionais e interação com articuladores e bolsistas”, adiantou Tama Domiciano, bolsista pós-doc do NAPI PRFC.

O recém criado NAPI Governança e Bioinovação também esteve presente na primeira tarde do evento. O professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Douglas André Roesler falou da transição do NAPI Oeste para este Arranjo voltado à governança e bioinovação, com pesquisas em gestão de dados, conectividade, energia e sanidade agropecuária, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do Oeste do Paraná.

Com cerca de 800 participantes esperados ao longo da programação, a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até o dia 12 de março no Campus da Indústria, em Curitiba. A proposta é aproximar a produção científica da sociedade e mostrar como os recursos públicos destinados à pesquisa se traduzem em conhecimento, inovação e desenvolvimento para o Paraná.