Espaço em estudo pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em Londrina, pretende aproximar o público da produção da seda, com foco em divulgação científica e valorização da cadeia produtiva local

O NAPI Paraná Faz Ciência iniciou os estudos para implantar, em Londrina, a primeira Quinta da Ciência do Estado: a Quinta da Seda. A proposta é criar um espaço aberto à visitação, com exposições interativas e vivências práticas sobre a sericicultura — atividade que coloca Londrina como referência nacional na produção e exportação de seda de alta qualidade.
Na reunião realizada nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, participaram representantes da Fundação Araucária, Cristianne Cordeiro; da Casa Civil do Paraná em Londrina, Sandra Moya; a pesquisadora Renata da Rosa, vice-coordenadora das pesquisas em Cadeia Produtiva da Seda pela Universidade Estadual de Londrina (UEL); o prefeito de Londrina, Tiago Amaral; o secretário municipal de Meio Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, acompanhado de sua equipe; e os representantes do escritório de arquitetura Aukland, responsável pelo projeto arquitetônico e pela expografia da futura Quinta, Aurélio e Karine Sant’Anna.
O espaço em Londrina está sendo pensado para receber o público, oferecer exposições interativas e apresentar a sericicultura. Os pesquisadores destacam Londrina como polo produtor e exportador para diversos países a partir de um produto de altíssima qualidade e ambientalmente responsável.
A Quinta da Seda integrará a futura Rede de Quintas da Ciência do Paraná, coordenada pelo NAPI Paraná Faz Ciência, e que prevê seis unidades regionais voltadas às vocações locais: Sustentabilidade (Maringá), Águas (Foz do Iguaçu), Nascentes (Piraquara), Madeira (Guarapuava), Mangues (Pontal do Paraná) e Seda (Londrina).
Em Londrina, a ideia é construir um espaço junto ao Jardim Botânico, que já dispõe de uma área que será aberta ao público com até 500 m² de estrutura.
Em visita de reconhecimento da área para a futura Quinta da Seda, parceiros locais, estaduais, pesquisadoras e os técnicos que vão elaborar o projeto da futura Quinta em Londrina (Fotos/Ana Elisa Frings e Aukland) Em visita de reconhecimento da área para a futura Quinta da Seda, parceiros locais, estaduais, pesquisadoras e os técnicos que vão elaborar o projeto da futura Quinta em Londrina (Fotos/Ana Elisa Frings e Aukland) Em visita de reconhecimento da área para a futura Quinta da Seda, parceiros locais, estaduais, pesquisadoras e os técnicos que vão elaborar o projeto da futura Quinta em Londrina (Fotos/Ana Elisa Frings e Aukland) Em visita de reconhecimento da área para a futura Quinta da Seda, parceiros locais, estaduais, pesquisadoras e os técnicos que vão elaborar o projeto da futura Quinta em Londrina (Fotos/Ana Elisa Frings e Aukland) Em visita de reconhecimento da área para a futura Quinta da Seda, parceiros locais, estaduais, pesquisadoras e os técnicos que vão elaborar o projeto da futura Quinta em Londrina (Fotos/Ana Elisa Frings e Aukland) Em visita de reconhecimento da área para a futura Quinta da Seda, parceiros locais, estaduais, pesquisadoras e os técnicos que vão elaborar o projeto da futura Quinta em Londrina (Fotos/Ana Elisa Frings e Aukland)
No encontro na manhã desta quinta-feira, foram apresentados projetos semelhantes já executados em outros museus de ciência pelo Paraná. Entre eles, o Parque da Ciência Newton Freire Maia e o Museu do Saneamento, da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), ambos em Curitiba, além de espaços museológicos na sede do acelerador de partículas brasileiro, em Campinas (SP), no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que podem servir de inspiração para a construção em Londrina.
Por que “Quintas”?
Esse nome é dado a espaços geralmente rurais que abrigam ambientes de aprendizagem ou vivência científica a partir do conceito criado pelo projeto português Ciência Viva. São como fazendas que podem abrigar criação de animais, culturas específicas ou projetos que valorizem a natureza e a sustentabilidade.
Em Londrina, a implantação da Quinta da Seda, além de promover a divulgação científica, também será um espaço de valorização da cadeia produtiva. O local deverá apresentar as etapas do processo — do cultivo da amoreira, alimento do bicho-da-seda, à formação dos casulos e produção do fio — além de destacar a tradição sericícola brasileira e o papel de Londrina como referência nacional na produção e exportação de seda. Essa posição foi consolidada ao longo das últimas décadas, especialmente com a atuação da empresa Bratac no Norte do Estado.
Nas palavras de Cristiane Cordeiro do Nascimento, assessora de Relações Institucionais e Inovação da Fundação Araucária, “ a Quinta da Seda vem para mostrar a importância do mercado da seda no mundo, não só da moda, mas das novas tecnologias, de novos produtos, de incentivo à ciência e como também o despertar da ciência para a criança”, defende.

“Esses espaços que promovem a interação da ciência com seu público, seu território, faz toda a diferença porque mostramos a nossa competência local. Então juntar as Quintas da Ciência com a expertise de cada local tem tudo a ver com o compromisso de levar ciência, tecnologia e inovação ao Paraná todo”, complementa. Para Cristianne, o público de toda a região metropolitana também terá acesso a toda essa estrutura, que promete ser um ponto de visitação muito interessante e até de lazer para todas as idades.
Estima-se que ao todo o setor da sericicultura pode movimentar uma cadeia de mais dez mil pessoas diretamente envolvidas, considerado os sericultores rurais (produtores de casulos e do cultivo de amoreira), os técnicos agropecuários ou biólogos de campo e demais famílias de produtores ligados à cadeia da seda e às empresas por ela movimentadas.
É o que também destaca a pesquisadora e coordenadora das pesquisas no projeto “Seda – o fio que transforma” e da cadeia produtiva da seda pela UEL, Renata da Rosa. “Ter uma Quinta da Seda em Londrina é um avanço muito grande na divulgação da sericicultura como um ativo importante para o Paraná e, principalmente, pela integração da ciência contribuindo para que o agronegócio evolua no nosso estado”, diz.

Renata enfatiza, ainda, a importância do projeto “Seda – o fio que transforma” estar ligado ao NAPI Paraná Faz Ciência, e também à proposta da Quinta da Seda. “Esse fomento que o estado do Paraná está oferecendo às ciências e à ação das universidades dentro da ciência é relevante para toda a sociedade. Conseguiremos com a Quinta da Seda mostrar o quanto de ciência é feito em uma atividade de destaque no nosso estado, nossa região de Londrina”, ressalta.
Segundo os responsáveis pelos estudos preliminares, Aurélio e Karine Sant’Anna o projeto deve contemplar ideias de painéis interativos, roteiros para visitas guiadas, oficinas e experimentos práticos para a compreensão de aspectos biológicos e ambientais da sericicultura. Assim como considerar o local como ponto de formação para estudantes, pesquisadores, produtores e comunidade em geral e ainda integrar o circuito de turismo científico e rural de Londrina, ampliando a oferta de espaços de educação não formal e reforçando a identidade local.
O papel social da atividade da produção da seda também será destacado. A criação do bicho-da-seda é tradicionalmente desenvolvida por pequenos produtores rurais e integra programas de diversificação agrícola, contribuindo para a geração de renda em propriedades familiares. A Quinta da Seda vai funcionar como vitrine desse modelo produtivo, aproximando aspectos do campo e das cidades.





