PROJETOS

Projetos do Napi

Projetos Parceiros

NOSSAS
PRODUÇÕES

MULTIMÍDIA

EVENTOS

II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Ações envolveram teatro científico, exposição de fotos e incentivo ao protagonismo feminino na ciência

A imagem mostra as alunas e a professora clubista do Lumina, junto as articuladoras e bolsistas do projeto Caminhos na Ciência, elas estão reunidas em uma biblioteca ou sala de leitura. Ao fundo, há estantes cheias de livros organizados por cores e tamanhos. O grupo está posicionado atrás de mesas brancas com cadeiras azuis, algumas pessoas em pé e outras sentadas. No centro, elas seguram um cartaz com o título “Projeto Caminhos na Ciência”, que inclui ilustrações e logotipos institucionais. As pessoas estão próximas umas das outras, olhando em direção à câmera, com expressões neutras ou sorridentes.
O Clube de Ciências Lumina foi anfitrião das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Na foto, cinco alunas clubistas do Ensino Médio, a professora Vanina Roncaglio e as articuladoras Leila Freire e Bettina Heerdt, além das alunas de iniciação científica da Rede de Clubes de Meninas (Foto/Talula)

No último dia 10, o Clube de Ciências Lumina, do Colégio Estadual Bibiana Bitencourt, de Guarapuava, foi anfitrião de atividades da 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), recebendo projetos vinculados à Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A iniciativa teve como objetivos aproximar a ciência e a tecnologia do ensino básico, incentivar o protagonismo feminino na ciência e tornar o fazer científico mais acessível ao público.

A programação incluiu a exposição “Mulheres Cientistas e suas pesquisas”, a apresentação da peça “A Que Faz”, do Grupo de Teatro Científico da UEPG, além de uma reunião da equipe da Rede de Clubes de Meninas com as estudantes clubistas.

Formado por cinco alunas do Ensino Médio, o Clube Lumina integra o projeto Caminhos na Ciência, que faz parte da Rede de Clubes de Meninas. As atividades do grupo concentram-se na divulgação científica e no estudo das trajetórias e pesquisas de cientistas contemporâneas, especialmente em âmbito local.

De acordo com a professora responsável pelo clube, Vanina Roncaglio, o evento também contribuiu para dar visibilidade ao projeto dentro da própria escola. “Muitos alunos ainda não conheciam o clube”, destaca. Ela ressalta ainda que as ações ampliaram horizontes para as participantes: “as alunas percebem que também podem fazer teatro e divulgar o que pesquisam”.

Durante a reunião com as integrantes do clube, houve troca de experiências e discussão sobre os interesses de pesquisa e planos futuros das estudantes. A professora Bettina Heerdt, do Departamento de Biologia da Unicentro e articuladora do projeto Clube de Meninas, apresentou possibilidades de ampliação das atividades, incluindo visitas técnicas e saídas a campo. Também participaram bolsistas de iniciação científica e voluntárias, responsáveis pelo acompanhamento e registro das ações do grupo.

Nesse contexto de valorização das trajetórias e produções científicas femininas, a exposição apresentou histórias de pesquisadoras, abordando desde seus percursos acadêmicos até aspectos de suas produções. Por meio de fotografias, contos e obras de arte — criados a partir de relatos das cientistas —, a mostra trouxe reflexões sobre desafios enfrentados no meio acadêmico, como situações de opressão e a conciliação entre carreira, vida pessoal e maternidade, evidenciando as múltiplas dimensões de ser mulher na ciência. 

A artista de uma das pinturas expostas, AJ Pradel esteve presente no evento também enquanto atriz. Sobre sua obra, Infinitude do seu Não Falar, AJ destacou o intuito de “representar a imensidão que é ser mulher e a força necessária para viver na sociedade atual”.

Além da exposição, o dia contou com a presença do Grupo de Teatro Científico (GTC), projeto de extensão da UEPG, que levou ao público a peça “A Que Faz”. O espetáculo aborda a presença feminina na ciência a partir das perspectivas de uma menina, uma mulher e uma senhora, e foi apresentado nos períodos da manhã e da tarde.

A iniciativa dialoga diretamente com os objetivos do Caminhos na Ciência, presente em sete cidades do Paraná. O projeto busca incentivar meninas a seguirem carreiras nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, sigla em inglês) por meio da criação de clubes de ciências e da valorização de referências femininas contemporâneas, inspirando novas gerações a ingressarem na carreira científica.

Para a professora Leila Freire, coordenadora do Caminhos na Ciência e do GTC, discutir o tema é essencial, especialmente no ambiente escolar. “Falar sobre mulheres na ciência é importante em qualquer espaço, mas ainda mais nas escolas, onde as alunas estão no início de sua formação e de uma possível trajetória científica”, afirma.

Eloah de Oliveira foi selecionada para um intercâmbio em Toronto, pelo programa Ganhando O Mundo Professor

Mulher sorrindo aponta para um painel do programa “Ganhando o Mundo Professor”, do Governo do Paraná, em ambiente interno.
Eloah de Oliveira faz parte do programa Ganhando o Mundo Professor, que busca fortalecer a educação do Paraná (Foto/Arquivo pessoal)

A professora Eloah Francisco de Oliveira, docente do Colégio Estadual Duque de Caxias, em Santo Antônio do Caiuá, foi aprovada para participar do programa Ganhando o Mundo Professor, iniciativa de formação continuada promovida pelo Governo do Estado do Paraná e voltada a profissionais da educação da rede pública estadual.

A seleção representa um marco profissional para Eloah, que integra também o Clube de Ciências Bioessence, coordenado por ela e parte dos clubes de ciência ligados à Unespar.  A docente foi escolhida para uma experiência de intercâmbio na cidade de Toronto, no Canadá, com a oportunidade de vivenciar práticas educacionais internacionais e aprofundar seus conhecimentos em metodologias inovadoras de ensino.

De acordo com Eloah, a “oportunidade de realizar um intercâmbio em Toronto, no Canadá, representa muito mais do que uma viagem internacional, é uma experiência transformadora de formação profissional e pessoal. Participar de uma imersão no sistema educacional canadense possibilita conhecer práticas pedagógicas inovadoras, metodologias ativas, políticas públicas voltadas à inclusão e estratégias eficazes de valorização docente.”

Eloah sorrindo em frente à entrada da Lord Dufferin Public School, em dia frio e com neve no Canadá.
Eloah viveu uma experiência internacional na Lord Dufferin Public School, aprendendo e compartilhando conhecimentos além das fronteiras (Foto/Arquivo pessoal)

O Canadá é reconhecido mundialmente pela qualidade de sua educação, pelo investimento em formação continuada de docentes e pelo respeito à diversidade dentro e fora da sala de aula. “Vivenciar essa realidade amplia repertórios, fortalece competências interculturais e inspira novas práticas que podem ser aplicadas na rede pública do Paraná. Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, oferece uma vivência única de diversidade cultural e de respeito às múltiplas identidades. Essa experiência enriquece o olhar pedagógico e amplia a compreensão sobre educação inclusiva e cidadania global”, relatou Eloah. 

O programa Ganhando o Mundo Professor é uma modalidade do programa estadual com foco na internacionalização da formação docente, oferecendo imersão em contextos educacionais estrangeiros como forma de aperfeiçoar a prática pedagógica e fortalecer a educação pública paranaense. 

Esta edição levou 250 educadores da rede estadual do Paraná para o Canadá, com o objetivo de “proporcionar formação continuada em contexto internacional, com imersão em práticas educacionais de referência e metodologias inovadoras adotadas em sistemas de ensino reconhecidos mundialmente”, de acordo com a Secretaria de Educação do Paraná. Os professores paranaenses embarcaram pelo Aeroporto Internacional Afonso Pena no dia 06 de fevereiro.

Eloah, sorrindo, posa em frente ao painel “Experience ILSC-Toronto”, com ilustração da cidade ao fundo.
Conectando saberes e culturas em Toronto, vivendo uma experiência que amplia horizontes e transforma a prática docente (Foto/Arquivo pessoal)

Para Eloah, essa experiência está sendo uma oportunidade valiosa de crescimento profissional e pessoal. “Enquanto professora de biologia, o encantamento é ainda maior, pois a cidade é cercada por paisagens naturais deslumbrantes às margens do Lago Ontário. Além de parques, áreas verdes preservadas e ecossistemas que tornam o aprendizado ainda mais vivo e significativo” , conta.

A participação de Eloah no programa internacional representa não apenas um reconhecimento de sua dedicação e competência, mas também um investimento direto na qualidade da educação pública paranaense. Ao retornar, a professora traz consigo novos conhecimentos e inspirações, mas também uma chance de compartilhar o que aprendeu com outros professores e assim multiplicar o aprendizado que obteve no outro país. Os impactos sobre seus alunos, a comunidade escolar e o desenvolvimento educacional da região também são consequências diretas e altamente positivas vindas desse intercâmbio internacional.

Na semana em que se comemora o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência, integrantes dos Clubes de Ciência do Paraná Faz Ciência participam do “Meninas nas Exatas”, na UFPR

Sete meninas adolescentes e uma professora posam em pé ao lado de um banner do evento “Meninas nas Exatas”, no Campus Politécnico da UFPR. Elas usam crachás e camisetas do clube, em ambiente interno da universidade.
Integrantes do Clube Little Scientist participaram do evento com oficina de minifoguetes. (Foto/Valentina Kobus)

Banners coloridos, experimentos em funcionamento e atividades práticas movimentaram o Campus Politécnico da UFPR durante o “Meninas nas Exatas”. As meninas, no entanto, não estavam ali apenas como visitantes. Parte delas assumiu a condução das atividades: explicaram dados, orientaram colegas e responderam às perguntas do público. Entre as participantes estavam integrantes dos Clubes de Ciência do Paraná Faz Ciência, que sustentaram suas pesquisas e compartilharam os resultados do que produzem nos clubes.

A participação no evento, realizado em 11 de fevereiro, marcou não apenas a presença dessas estudantes na universidade pública, mas a consolidação de um percurso construído dentro dos clubes. Ao longo do dia, alguns grupos visitaram laboratórios e acompanharam oficinas; outros apresentaram investigações desenvolvidas nos clubes e conduziram atividades para colegas de diferentes instituições. A universidade, nesse contexto, deixou de ser apenas espaço de visita e se tornou ambiente de troca e produção.

A experiência repercutiu diretamente na maneira como as meninas passaram a se enxergar dentro das áreas científicas. A clubista Milena Formankuevisky, de 15 anos, integrante do Clube de Meninas Sônia Guimarães, que já manifesta interesse por engenharia mecânica, contou que nunca se sentiu particularmente próxima da física. Durante o evento, ao acompanhar uma apresentação envolvendo luz ultravioleta e infravermelha e observar um experimento elétrico que reagia ao toque dos dedos, passou a reconsiderar essa distância. “Eu não sou muito fã de física, mas uma das apresentações me fez olhar diferente para a área. Me interessou bastante.” O contato direto com os experimentos ampliou referências e alterou sua percepção sobre a própria trajetória.

Milena Formankuevisky (ao centro) participou das atividades no Campus Politécnico e afirma que a experiência no “Meninas nas Exatas” ampliou sua percepção sobre as áreas científicas. (Foto/Valentina Kobus)

Para Milena, participar do “Meninas nas Exatas” também fortaleceu a convicção sobre o próprio lugar na educação pública. Ao circular pelos espaços da universidade e interagir com pesquisadoras e estudantes de graduação, ela afirmou que a trajetória acadêmica não estava determinada pela origem escolar. “Muitos dizem que escola particular tem mais oportunidade. Mas eu acredito que não importa se você é de escola pública ou privada. Você pode chegar longe, independente de onde vem.” A experiência no campus reforçou, segundo ela, a ideia de que a universidade pública também poderia ser um caminho possível para estudantes como ela, da rede estadual.

Além de visitar, algumas meninas apresentaram suas próprias investigações. No estande do Clube de Ciência Nise da Silveira, duas estudantes compartilharam uma pesquisa sobre tédio e solidão associados ao tempo de tela no celular. O trabalho reuniu levantamento de dados, organização de informações e análise de comportamentos relacionados ao uso intenso de dispositivos móveis entre jovens. A pesquisa despertou interesse de quem circulou pelo evento.

Integrantes do Clube de Ciência Nise da Silveira apresentaram pesquisa sobre tédio e solidão associados ao tempo de tela. (Foto/Arquivo)

Ao ouvir a explicação das estudantes, Miriam Valentim de Oliveira, que atua na área de engenharia de software e acompanhou a feira naquele dia, destacou a consistência do trabalho apresentado. “Vim ouvir aqui a pesquisa sobre tédio e solidão no tempo de telas com celular e achei incrível a pesquisa das duas meninas. Elas fizeram um trabalho maravilhoso, com muitos dados riquíssimos. Tem muitos dados ainda a serem explorados e é um contexto muito rico de pesquisa.” O reconhecimento externo reforçou a seriedade da investigação desenvolvida no clube e evidenciou que as produções dialogaram com temas contemporâneos relevantes, que ultrapassaram o espaço escolar.

A participação no evento não ocorreu de maneira isolada. Ela foi resultado de um processo contínuo construído no interior das escolas. A professora Karin Schellmann, coordenadora do Clube Sônia Guimarães, do Colégio Estadual Paulo Leminski, relembrou que, quando estava no ensino médio, teve acesso à universidade por meio de um curso de extensão e conviveu com pesquisadoras que realizavam investigações científicas. Essa vivência marcou sua trajetória e orienta sua atuação atual. Ao integrar o colégio à Rede de Clubes de Ciência, procurou oferecer às alunas experiências semelhantes, ampliando horizontes e fortalecendo expectativas acadêmicas.

O Clube de Meninas na Ciência Sônia Guimarães passou o dia participando das atividades e trocando experiências. (Foto/Valentina Kobus)

Segundo Karin, o clube começou com sete integrantes e atualmente reúne 16 alunas, além de contar com um espaço próprio na escola para reuniões e desenvolvimento de projetos. A existência desse ambiente favoreceu a continuidade das atividades e contribuiu para a construção de uma identidade coletiva vinculada à pesquisa. “Ser menina, ser mulher não é empecilho para nada”, afirmou. “Eu digo para elas: vão, façam, tentem. Quem impede o sonho é você mesma.” A fala sintetizou uma orientação que se traduziu em incentivo constante à participação em feiras, visitas técnicas e eventos científicos.

Orientação e experimentação marcaram as atividades práticas desenvolvidas durante o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. (Foto/Valentina Kobus)

O impacto do clube também se estendeu ao corpo docente da escola. Ainda de acordo com Karin, professores que antes se sentiam distantes da pesquisa, após anos dedicados exclusivamente à sala de aula, passaram a demonstrar interesse em se reaproximar desse universo. Alguns se ofereceram para colaborar com as atividades do clube e ministrar oficinas, contribuindo com suas próprias experiências e conhecimentos. O movimento fortaleceu, dentro da própria escola, uma cultura de valorização da investigação científica.

Nesse contexto, o “Meninas nas Exatas” assumiu um significado que foi além da programação de uma data simbólica. Ao circular pelos corredores da universidade ou apresentar seus próprios dados ao público, as estudantes deixaram de se perceber apenas como visitantes ocasionais e passaram a se reconhecer como possíveis futuras integrantes daquele espaço acadêmico. A universidade pública, antes vista como distante por muitas, tornou-se concreta e acessível. Essa vivência, construída entre pesquisa, orientação docente e experiências acumuladas, contribuiu para que a ciência passasse a integrar de forma mais consistente os projetos de futuro dessas meninas.

Imersão do programa Futuras Cientistas aproxima meninas da universidade e fortalece o aprendizado científico coletivo no Paraná

Participantes da imersão do programa Futuras Cientistas durante atividade em laboratório no campus da UFPR em Palotina (Foto/Rocket Girls)

“A conquista de uma é a conquista de todas.”

A frase emerge da experiência vivida por meninas de diferentes cidades do Paraná durante a imersão proporcionada pelo programa Futuras Cientistas, no mês de janeiro de 2026. Ao longo de uma semana, a convivência intensa, os desafios compartilhados e o contato com a rotina universitária reorganizaram a forma como o aprendizado científico se constrói. Com um relato dessa experiência, o C² comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência em 11 de fevereiro. 

A etapa presencial do programa Futuras Cientistas, no Paraná, foi organizada pelo Rocket Girls: Meninas nas Ciências, projeto de extensão do Setor Palotina, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), voltado à aproximação de meninas da educação básica com o ambiente universitário. Após semanas de atividades on-line, o encontro presencial ocorreu no campus da UFPR, em Palotina.

Ao todo, 26 participantes de diferentes regiões do Paraná integraram a terceira edição da imersão no estado. Para algumas delas, chegar até Palotina significou viagens de até doze horas, um deslocamento que faz parte da própria proposta formativa da iniciativa. Ao compartilhar alojamento, rotinas e atividades acadêmicas, as meninas passaram a vivenciar a universidade não como visita, mas como experiência cotidiana.

“O fato de você saber que não está sozinha, saber que existem outras meninas, de tantos lugares, que também querem estar ali, é incrível”, conta Elisa Namie Lopes Guimarães, do clube Little Scientist.

Entre oficinas de confecção e lançamento de minifoguetes, atividades em laboratórios e momentos de convivência, a formação também se deu no encontro entre as meninas. Para as participantes, estar em um espaço onde outras jovens compartilham interesses semelhantes transforma a forma de aprender e de se perceber na ciência.

Ao longo da imersão, essa vivência coletiva também tensiona imagens cristalizadas sobre quem pode ocupar o lugar da ciência. Longe do estereótipo do cientista solitário, masculino ou associado à genialidade excêntrica, as participantes circulam pelos laboratórios sendo quem são: adolescentes que usam maquiagem, acessórios, unhas coloridas e roupas que expressam sua identidade. 

Nesse contexto, aprender ciência não exige apagar traços pessoais ou assumir um personagem, mas reconhecer que o fazer científico comporta múltiplas formas de existir. A aproximação com a universidade, nesse cenário, também passa por desnaturalizar modelos restritos de cientistas e ampliar as possibilidades de identificação.

Assim, a dinâmica construída entre as jovens desafia uma lógica frequentemente associada à formação científica, marcada pela comparação de desempenhos e pela competição. No convívio diário, o aprendizado se fortalece justamente quando é compartilhado: ideias circulam, se conectam e ganham novas formas a partir do diálogo e do afeto. Nesse ambiente, o avanço de uma participante não é visto como parâmetro de disputa, mas como referência possível, capaz de ampliar a confiança das demais. A vivência revela que aprender ciência envolve reconhecer o esforço coletivo, compreender o erro como parte do processo e perceber que trajetórias semelhantes tornam o caminho mais acessível.

Durante a imersão do programa Futuras Cientistas, meninas participam de oficina de produção e lançamento de minifoguetes com sementes, unindo experimentação científica e ações voltadas ao reflorestamento (Foto/Rocket Girls)

Na prática, esse aprendizado se construiu em atividades realizadas nos laboratórios e nas oficinas ao longo da semana. As participantes entraram em contato com procedimentos, instrumentos e métodos que fazem parte da rotina universitária, formulando perguntas, testando hipóteses e trabalhando em grupo. O foco esteve menos na memorização de conteúdos e mais na vivência dos processos que estruturam a produção científica.

Para as estudantes, esse movimento não termina com o fim da imersão. “Depois que a gente volta, dá vontade de aplicar tudo o que aprendeu e mostrar para outras meninas que elas também conseguem fazer ciência”, afirma Giovanna Cristina de Pontes Chagas, 16 anos, que participou da imersão em 2025. Ela não integrou a edição presencial neste ano, porque a data coincidiu com seu retorno do intercâmbio realizado na Inglaterra, pelo programa Ganhando o Mundo. A experiência obtida amplia a confiança para ocupar espaços que antes pareciam distantes e reforça a ideia de que aprender ciência é um processo contínuo.

Do ponto de vista de quem acompanha as alunas, os efeitos da imersão também são evidentes. Para a professora Suelem Martins, coordenadora do clube Foguete Girls no Colégio Estadual Antônio Carlos Gomes, em Terra Roxa (PR), que acompanhou alunas pelo segundo ano consecutivo, a imersão provoca deslocamentos importantes. “É sair da zona de conforto. Mesmo com a saudade da família, o desejo de aprender se sobressai, e isso gera maturidade”, afirma.

Ao reunir participantes de diferentes territórios e trajetórias em um mesmo espaço formativo, a imersão possibilitou que as trocas fossem ampliadas e fortaleceu ainda mais o aprendizado coletivo. Segundo a docente, essa vivência não se encerra na universidade. “Esse aprendizado retorna para a escola em forma de clube de ciências”,defende.

Essas descobertas, no entanto, não se restringem às estudantes. Suelem conta que participar da imersão significou, também para ela, viver uma primeira vez. “Foi a primeira vez que dormi em alojamento. No meu período escolar, meus pais nunca permitiram esse tipo de vivência”, relata. Dividir esse momento com as alunas, segundo a professora, reforça a ideia de que a formação científica também envolve autonomia, convivência e descoberta e que essas experiências não têm idade para acontecer.

Em diálogo com o Dia Internacional de Meninas e Mulheres na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, a imersão ganha novos sentidos. Ao atravessarem os portões da universidade, essas meninas e jovens mulheres não apenas acessam laboratórios e métodos científicos, mas passam a se reconhecer como parte desse espaço e a construir, juntas, novos caminhos possíveis.