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Com pesquisa sobre Arte, Cultura e Saúde Mental, o clube ligado à UTFPR vai expor seu projeto em uma das mais importantes feiras do país

A foto mostra três jovens sentadas lado a lado atrás de uma mesa, participando de uma atividade em grupo. A jovem ao centro segura um microfone e fala com expressão atenta, enquanto faz um gesto com a mão. À esquerda, outra jovem sorri, e à direita, uma terceira olha para baixo, concentrada. Sobre a mesa há uma garrafa de água e um microfone fixo. Ao fundo, um painel escuro com desenhos de casas em linha branca decora o espaço.
Gabrielly, Vitória e Elisama, autoras do artigo sobre Estamira (Foto/Fabiane Valmore)

Os membros do Clube de Ciências, Arte, Cultura e Saúde Mental celebram uma grande vitória: a aprovação de seu trabalho na renomada FIciências 2025 – Feira de Inovação das Ciências e Engenharias. O clube do Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli, em Curitiba, terá seu artigo de pesquisa apresentado em Foz do Iguaçu, em uma das mais importantes feiras de ciências do país. O tema do trabalho traz o debate sobre a loucura e a desconstrução de estigmas sociais, inspirado na Doutora Nise da Silveira, a médica que se negou a aplicar o eletrochoque e revolucionou a psiquiatria com práticas humanizadas e científicas de tratamento de Saúde Mental.

Coordenado pela professora e socióloga Fabiane Valmore, o clube se estabeleceu como um espaço de educação não formal, dedicado à produção e à popularização do conhecimento científico. Por meio de uma metodologia que combina reflexões guiadas pelo legado da Dra. Nise da Silveira, visitas a museus e universidades públicas, sessões de debate sobre conteúdos audiovisuais – como Estamira, Bicho de Sete Cabeças e o Prisioneiro da Passagem com Bispo do Rosário- , esses adolescentes entre 13 e 16 anos do Colégio Estadual Rodolpho Zaninelli exploram arte, ciência, cultura e produzem cidadania a partir de investigação científica. Incluindo nessa prática problemas locais, conceitos das Ciências Sociais e Humanas para buscar soluções e reduzir estigmas sociais no campo da saúde mental. 

Além disso, o clube realizou e segue analisando dados coletados em entrevista semiestruturada em profundidade, realizada com a Coordenação de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba para compreender como Nise da Silveira é concebida e praticada (ou não) pela Rede de Atenção Psicossocial do SUS de Curitiba.

Foi a partir dessa experiência que as estudantes clubistas Elisama Fernanda Silva, Gabrielly Costa e Vitória Costa, com a orientação da professora Fabiane Valmore, escreveram o artigo “Esquizofrenia: Estamira e os Inumeráveis Estados do Ser”. O trabalho é a soma das vivências dos clubistas com a pesquisa, complementada por uma profunda revisão bibliográfica e discussões no clube de ciências. Nele, os jovens pesquisadores exploram a condição do adoecimento psíquico, apresentando uma perspectiva sensível sobre o tema e o legado humanizado da Dra. Nise da Silveira, que, em sua prática, via os sintomas de transtornos mentais como “os inumeráveis estados do ser”. 

Para ilustrar essa abordagem, a pesquisa inclui a história de vida de Estamira Gomes de Sousa, retratada em um documentário brasileiro premiado que mostra como experiências de desrespeito, violência e pobreza podem levar à loucura. E mais, o documentário mostra a grande lucidez, a consciência crítica de si e da sociedade que Estamira possui mesmo em diálogo com a loucura.

A aprovação no FIciências, uma feira internacional que potencializa a produção de conhecimento científico e tecnológico, é um grande reconhecimento para o trabalho dos clubistas. O evento, que tem como missão incentivar o acesso à cultura científica, é o ambiente perfeito para que o projeto, que alinha arte, ciência e sensibilidade, seja divulgado para um público amplo e diverso.

A participação no FIciências 2025 é apenas uma das muitas conquistas recentes do clube. O grupo teve outros dois trabalhos aprovados para a Mostra de Clubes Paraná Faz Ciência, recentemente apresentados em Guarapuava, e uma apresentação no XV Encontro Catarinense de Saúde Mental e I Congresso Brasileiro de Arte, Cultura e Saúde Mental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Além disso, os membros já estão em preparativos para a FECCI – Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência, em novembro.

Com seu trabalho engajado e de excelência, o Clube de Ciências ‘Arte, Cultura e Saúde Mental’ demonstra a importância de se investigar e divulgar temas sensíveis como o da saúde mental, resgatando, ampliando e valorizando o legado da Dra. Nise da Silveira por meio da ciência.Para saber mais sobre a pesquisa e ter acesso ao conteúdo na íntegra, entre em contato com a professora responsável pelo Clube, pelo e-mail fabiane.valmore@escola.pr.gov.br . Além de acompanhar por aqui as notícias sobre os trabalhos dos Clubes de Ciências da Rede Paraná Faz Ciência ou no perfil do instagram @clubesparanafazciencia .

Seis trabalhos de clubes de Curitiba, São José dos Pinhais e Bom Sucesso representam a instituição na Feira Internacional

A imagem mostra três logotipos de clubes de ciências no topo: um com desenho de átomo e o texto “Conexão e Sustentabilidade”, outro com uma árvore e o texto “Mentes em Ação”, e o terceiro com uma pessoa estilizada segurando uma borboleta e o texto “Arte, Cultura e Saúde Mental”. Abaixo, há fotos em preto e branco de grupos de estudantes sorrindo, falando ao microfone e participando de atividades. No rodapé, aparecem os logotipos da UTFPR, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, Fundação Araucária e Governo do Paraná.
Clubes de Ciências da UTFPR levam diversos projetos ao FIciências 2025 (Arte/Cassia Naomi)

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) terá uma contribuição significativa na XIV Feira de Inovação das Ciências e Engenharias (FIciências 2025). Ao todo, seis projetos desenvolvidos por três clubes de ciência de colégios estaduais ligados à instituição foram aprovados para o evento.

A feira, que reunirá jovens cientistas do Brasil, será realizada em Foz do Iguaçu, entre 21 e 25 de outubro. Os trabalhos aprovados destacam-se pela diversidade e pela relevância de seus temas — que vão da saúde mental à sustentabilidade e tecnologia —, refletindo a qualidade das pesquisas conduzidas pelos estudantes.

Confira a seguir a descrição dos projetos e dos clubes de ciência:

A foto mostra um grupo de nove jovens reunidos em uma sala com estantes cheias de livros coloridos ao fundo. Eles estão sentados em torno de mesas com cadeiras escolares brancas e verdes. Alguns usam notebooks, enquanto outros olham para a câmera. A atmosfera é descontraída, com expressões variadas de alegria e descontração.
Membros do clube ‘Mentes em Ação”, do Colégio Herbert de Souza. (Foto/Pauline Fernandes)

Projeto: BULLYING E SAÚDE MENTAL NA ESCOLA

Clube de Ciências: Mentes em Ação
O projeto investiga a relação entre bullying, sintomas depressivos e a percepção de apoio social entre adolescentes, com o objetivo de promover o protagonismo juvenil e um olhar investigativo sobre questões socioemocionais. Alinhado ao ODS 3 – Saúde e Bem-estar, o trabalho busca diagnosticar a realidade local, elaborar materiais educativos e propor estratégias de prevenção e cuidado, fortalecendo a escola como um espaço de acolhimento.

A foto mostra três jovens sentadas lado a lado atrás de uma mesa, participando de uma atividade em grupo. A jovem ao centro segura um microfone e fala com expressão atenta, enquanto faz um gesto com a mão. À esquerda, outra jovem sorri, e à direita, uma terceira olha para baixo, concentrada. Sobre a mesa há uma garrafa de água e um microfone fixo. Ao fundo, um painel escuro com desenhos de casas em linha branca decora o espaço.
Alunas do clube apresentam fala no II Encontro Antimanicomial (Foto/Fabiane Valmore)

Projeto: ESQUIZOFRENIA: ESTAMIRA E OS “INUMERÁVEIS ESTADOS DO SER”

Clube de Ciências: Arte, Cultura e Saúde Mental
Esta pesquisa apresenta uma abordagem inovadora para a esquizofrenia, indo além da psiquiatria tradicional. O trabalho destaca a visão da Doutora Nise Magalhães da Silveira, médica psiquiatra que revolucionou o tratamento de transtornos mentais ao valorizar a expressão artística dos pacientes. O estudo utiliza a história de vida de Estamira Gomes de Sousa, retratada no premiado documentário “Estamira”, para exemplificar a teoria de que os sintomas do adoecimento são apenas “os inumeráveis estados do ser”.

A foto mostra quatro pessoas em pé, em frente a um palco, apresentando-se para uma plateia. Três delas usam camiseta azul do Colégio Estadual João Paulo I; uma segura um microfone e fala, enquanto os outros dois escutam atentos. Ao lado, uma mulher de vestido rosa e jaqueta jeans também participa. No fundo, há um telão com o logotipo do Clube de Ciências Conexão e Sustentabilidade e a frase “Explorando conhecimento, inovando o futuro”. Algumas pessoas estão sentadas na plateia, de costas para a câmera.
Alunos do Colégio João Paulo I apresentam seu clube na UTFPR (Foto/Cassia Naomi)

Clube de Ciências Conexão Ciência – Colégio Estadual João Paulo I

O Clube de Ciências Conexão Ciência, orientado pela professora Elaine Correa Soares, teve quatro projetos aprovados para o FIciências 2025, todos com foco em inovação e sustentabilidade.

1. Projeto: HORTA ESCOLAR COMO CENÁRIO DE APRENDIZAGEM PARA O DESENVOLVIMENTO DE SOFT SKILLS E A FORMAÇÃO SOCIOEMOCIONAL NA EDUCAÇÃO 5.0

O trabalho verifica a influência de atividades em uma horta escolar no desenvolvimento de competências socioemocionais como cooperação, empatia e responsabilidade. Utilizando metodologias ativas, a pesquisa mostra como a horta pode ser um instrumento pedagógico eficiente para a formação integral dos estudantes.

2. Projeto: PRODUÇÃO DE TINTAS NATURAIS A PARTIR DE PIGMENTOS VEGETAIS E MINERAIS COMO ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL ÀS TINTAS SINTÉTICAS

Este projeto propõe o desenvolvimento de tintas naturais, extraindo pigmentos de materiais vegetais e minerais. A pesquisa busca uma alternativa sustentável às tintas sintéticas, reduzindo impactos ambientais e valorizando práticas ecológicas e saberes tradicionais.

3. Projeto: ESTUFA AUTOMATIZADA COM SISTEMA DE MONITORAMENTO E CONTROLE EDAFOCLIMÁTICO BASEADO EM IoT

Este trabalho apresenta o desenvolvimento de um protótipo de estufa automatizada com sensores ambientais e controle via Internet das Coisas (IoT). O objetivo é otimizar o cultivo agrícola, promovendo eficiência produtiva e sustentabilidade no uso de recursos naturais, tornando a tecnologia acessível a pequenos e médios produtores.

4. Projeto: DESENVOLVIMENTO DE VELAS AROMÁTICAS COM PROPRIEDADES REPELENTES A PARTIR DE ÓLEOS ESSENCIAIS PARA PREVENÇÃO DA DENGUE

O projeto visa desenvolver velas aromáticas a partir de óleos essenciais (citronela, cravo-da-índia, canela) como uma alternativa natural na prevenção da dengue. A pesquisa busca um produto eficaz, de baixo custo e ecologicamente correto, que contribua para a saúde pública e fomente o empreendedorismo sustentável.