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Clubes articulados pela Unicentro marcam presença na XIV FIciências e aluno é premiado

Por: Mathias Trindade

Com 19 projetos presentes na feira, os estudantes apresentaram pesquisas variadas sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e preservação de abelhas; aluno clubista teve vídeo no Instagram vencedor pelo voto popular

Clubistas do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli apresentam o projeto “Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária” durante o FIciências (Foto/Mathias Trindade)

Entre os dias 21 e 25 de outubro aconteceu a 14ª Feira de Inovação de Ciências e Engenharias (FIciências), em Foz do Iguaçu. O evento fez parte da programação do Festival Iguassu Inova, sediado no Itaipu ParqueTec e reuniu projetos de estudantes de 11 estados brasileiros e do Paraguai, incluindo os da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência. Os clubes de ciências articulados pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) marcaram presença e foram representados por 19 projetos, desenvolvidos em três colégios diferentes. 

Os colégios que representaram a Unicentro no evento foram o Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, de Guarapuava, que apresentou 10 projetos; o Colégio Estadual Adonis Morski, de Boa Ventura de São Roque, com 3 projetos; e o Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva, de Irati, que levou 6 projetos. A coordenadora do projeto da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência na Unicentro, Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, destacou a importância desse número expressivo para a universidade e para o fortalecimento do projeto de clubes nas escolas de ensino básico. “Para nós da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência da Unicentro, é muito significativo ter os projetos que estão na nossa área de abrangência aprovados no FIciências. Primeiro porque o FIciências é uma feira de ciências muito consolidada, que busca mostrar o que temos de melhor de inovação, de ciência e tecnologia na escola. E nós, por meio dessas aprovações, estamos evidenciando a importância dos clubes de ciência, desse programa que tem sido viabilizado pela Fundação Araucária, juntamente com a SEED [Secretaria de Educação do Estado do Paraná], no qual os professores tem tido tempo e espaço, semanalmente, de estarem com as crianças e os adolescentes, elaborando perguntas de pesquisa e desenvolvendo projetos que têm várias temáticas”, comentou a coordenadora.

Para além dos resultados práticos, com criatividade e simplicidade. “Você percebe que os estudantes conseguem resolver de forma simples situações complexas e que eles têm cada vez mais buscado tecnologias alternativas para as situações que eles estão investigando. É impressionante como colaborativamente, também ali na feira, eles trocam experiências entre eles, e isso faz com que haja mais engajamento dos jovens”, prosseguiu.

Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes: “A criatividade dos alunos é algo surpreendente. (…) A cada ano você tem mais originalidade nos trabalhos” (Foto/Mathias Trindade)

As propostas apresentadas pelos alunos clubistas abordaram temáticas variadas, como coleta seletiva, preservação e manejo de abelhas, sustentabilidade e mudanças climáticas. Entre os destaques está o projeto “Impacto positivo da coleta seletiva no município de Boa Ventura de São Roque e na vida dos trabalhadores do centro municipal de triagem de materiais recicláveis”, desenvolvido pelos alunos Murilo Viana Fogaça, Hycaro Kaminski Rodiak e Bruna Catarina de Deus, integrantes do Clube Adonis com Ciência, do Colégio Estadual Adonis Morski. O trabalho tem como objetivo propor soluções para um problema frequente no município: a perda de materiais recicláveis devido à contaminação por resíduos orgânicos. A pesquisa avalia os impactos positivos da coleta seletiva, tanto para o meio ambiente, quanto para os trabalhadores da triagem. “Nós fomos até o centro de triagem e realizamos entrevistas para entender quanto eles ganham, que tipo de lixo chega lá. Descobrimos que muitas vezes aparecem coisas como cabeça de boi, veneno e outros materiais contaminados. Isso prejudica muito, porque eles precisam descartar o caminhão inteiro de recicláveis, por não ter como saber se o restante do material também está contaminado”, contou a estudante Bruna Catarina de Deus.

Além disso, os estudantes realizaram visitas às casas ao redor do colégio, fizeram palestras em outros colégios para conscientizar a população e instalaram lixeiras seletivas na escola. Essa edição do FIciencias foi a primeira de Bruna, ela contou que a expectativa estava muito alta e que ela se surpreendeu. “Ano passado, veio a lixeira eletrônica para a feira e eles comentaram: ‘Nossa, lá é muito legal’, e a gente veio numa expectativa muito grande, nem conseguimos dormir na van. Foi incrível, ficamos com um pouco de vergonha, mas a gente vai se soltando. É muito legal ver os outros projetos e perceber que as pessoas se interessam pelos nossos, porque a gente achava que por morarmos em uma cidade pequena, ninguém se importaria, mas muita gente veio aqui para ver”, narrou Bruna.

Os alunos Murilo Viana Fogaça, Hycaro Kaminski Rodiak e Bruna Catarina de Deus, integrantes do Clube Adonis com Ciência apresentando o projeto no FIciências (Foto/Mathias Trindade)

Acompanhando os alunos, esteve a professora Juliana Aparecida Ghiotto, responsável pelo clube Adonis com Ciência. Para ela, toda a experiência foi maravilhosa, tanto para os alunos quanto para ela como docente. “Para mim, como professora, é realizador. Ver o brilho no olhar deles, eu até falei para eles, ver essa alegria no rostinho deles, é o que faz a gente ter fé que tudo aquilo que a gente está fazendo realmente vale a pena e realmente é transformador na vida deles”

De Irati, o Centro Estadual Florestal de Educação Profissional Presidente Costa e Silva também se destacou durante a feira, com 6 projetos participantes. Mariana Mendes Mirkoski é a professora responsável pelo clube Raízes da Ciência no colégio. “Está sendo uma experiência indescritível. Porque é a primeira vez que a gente participa  de uma feira de ciências de um tamanho tão grande e tão expressiva para o Brasil. Então, a gente está adquirindo uma troca muito grande com os outros participantes, também, da exposição da feira. Além, também, de sair dessa bolha que é do município de Irati, que é uma cidade pequena. A gente então aprende um pouquinho a cada dia que estamos aqui”, declarou a professora.

Um dos projetos é da aluna Cheila Aparecida Blaszczyk, de 16 anos. O projeto de elaboração de trilhas ecológicas tem como objetivo instalar placas de educação ambiental na trilha ecológica do colégio para estimular a consciência ambiental, além de QR codes que fornecem informações sobre as árvores da instituição. “Nosso colégio vai ser aberto ao público, para a visitação, e é claro, é bem importante para conscientizar essas pessoas que irão visitá-lo”, contou a estudante.

Professora Mariana Mendes Mirkoski, do clube Raízes da Ciência acompanhada da clubista Cheila Aparecida Blaszczyk, durante o FIciências (Foto/Mathias Trindade)

Já o clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Professor Pedro Carli, de Guarapuava, levou 10 projetos à feira. Acompanhados pela professora responsável pelo clube, Katiane dos Santos, os alunos desenvolveram trabalhos voltados à preservação e ao cuidado com as abelhas. Entre os destaques esteve o projeto “Modelo Didático do Desenvolvimento da Abelha Mirim: da fase ao óvulo”, elaborado pela clubista Giovanna Santos Benedetti, de 13 anos.

Durante as atividades do clube, a estudante confeccionou maquetes que mostram todas as etapas do desenvolvimento das abelhas.“Nós temos o ovo, que é quando a abelha-rainha o coloca. Depois vem a larva, que permanece nessa fase por cerca de 15 dias. Em seguida, temos a pupa, que é o terceiro estágio. O quarto é o alvéolo fechado, como se fosse o casulo da borboleta. E o quinto e último estágio é a abelha adulta”, explicou Giovanna. A estudante também destacou que o projeto se baseou nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13 e 15, que tratam, respectivamente, da ação contra a mudança global do clima e da vida terrestre.

Giovanna Santos Benedetti do clube Climatize-se durante o Ficiências com o projeto “Modelo Didático do Desenvolvimento da Abelha Mirim: da fase ao óvulo” (Foto/Mathias Trindade)

Premiação

A Unicentro também foi destaque na premiação da feira. O estudante Tiago Vaz Machado, do clube Climatize-se, do Colégio de Educação Integral Pedro Carli, recebeu o Prêmio de Aclamação Popular pelo vídeo produzido para o Instagram do clube, no qual ele explica o projeto “Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária”.

O projeto tem como objetivo a conscientização sobre as abelhas-sem-ferrão e as abelhas solitárias. Para isso, os estudantes utilizam a tecnologia de realidade virtual em 360°, sensibilizando as pessoas sobre os impactos das mudanças climáticas nas abelhas Jataí.

Tiago Vaz Machado: “Essa é minha primeira vez no Ficiências e é bom saber que não é só a gente, do Brasil, também têm alunos do Paraguai com projetos. Alunos da minha idade, um pouco mais velhos, que já estão conscientizados sobre as mudanças climáticas, isso é um marco pra gente” (Foto/Mathias Trindade)

A experiência é imersiva e coloca as pessoas na perspectiva da abelha, simulando cenários de seca e enchentes, e busca promover a consciência ambiental e práticas sustentáveis, como o cultivo de plantas nativas e a redução do uso de agrotóxicos. A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13  que fala sobre ação climática; ao 15 sobre a vida terrestre e ao 4 sobre educação de qualidade. O projeto faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, em parceria com o Pacto Global dos Jovens pelo Clima (GYCP) e o projeto Nós Propomos! Juventude educando-se na/com a cidade, da Unicentro.

O vídeo produzido pelo estudante já ultrapassou 22 mil visualizações e 1.500 curtidas nas redes sociais. Segundo Tiago Vaz Machado, a experiência foi enriquecedora. “O evento foi muito bom. Teve uma diversidade de culturas, até pessoas do Paraguai, e vimos que o nosso pensamento é parecido, sempre voltado à mitigação e à adaptação da emergência climática. A parte da premiação foi histórica para o nosso colégio, que até então não tinha ganhado nenhum prêmio no FIciências. Isso mostra a liderança da nossa escola no tema da mitigação e adaptação à emergência climática”, destacou o estudante.

Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.