O Clube ‘Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’, dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Transformar garrafas PETs em toucas e cachecois para distribuir entre instituições assistenciais ou grupos que realizam este serviço é o objetivo do Clube Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação, da Escola Estadual Professor Giampero Monacci, em Itambé. Sob coordenação do professor de arte Jonathan José de Oliveira Pereira, o nome do grupo surgiu a partir da proposta de unir os interesses dos alunos por equipamentos tecnológicos com o tema da sustentabilidade e também com a ação social.
Com treze integrantes do oitavo e nono ano, o grupo começou os estudos a partir dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os processos de sustentabilidade. O professor explica que após uma introdução teórica, utilizou o site ‘Cada Gesto Educa’, do banco Sicredi e “eles começaram a jogar na plataforma, o que foi bem interativo”.
Já nas primeiras atividades do grupo, os alunos observaram, acompanharam e pesquisaram sobre a coleta dos materiais recicláveis na comunidade – na escola, na rotina dos pais, dos demais alunos e de vizinhos – buscando entender como a comunidade tem costume de separar estes materiais.
O clube também refletiu sobre como transformar esses recursos para que retornem à natureza de uma outra forma. Assim, chegou-se à proposta de, a partir da robótica, transformar os plásticos das garrafas PETs em fios de lã sintética. Nesse processo, os clubistas realizaram o levantamento dos materiais e também firmaram uma parceria com uma empresa de reciclagem.
O primeiro passo na reutilização de garrafas PETs, é transformá-las em flake – que são os PETs triturados. Jonathan explica que a empresa parceira tem essa máquina e irá fornecer o material para o clube. “Para nós foi uma ótima ajuda, porque é necessário muitas garrafas PETs para se conseguir os fios. Assim, nós ficaremos responsáveis pelo processo de transformação dos flakes em fios”, explica Jonathan.
Com a chegada do material necessário para dar início à parte prática do Clube, o professor pretende usar uma máquina de algodão doce adaptada para aquecer os flakes e com a força centrífuga, conseguir fazer os fios. O objetivo é utilizar os fios obtidos para produzir gorros e cachecóis e assim cumprir a ação social de distribuí-los.
O Lar das Mães Solteiras do município é um dos locais que devem receber a doação destes itens. “A gente quer retirar esse plástico e transformá-lo em um bem social. Esse é o estudo. Além da robótica, que é o intuito principal com esse maquinário: realizar uma automação para ter uma linha de produção, transformando os flakes em fios sintéticos”, reforça o coordenador do clube.
Momentos especiais
Entre os momentos especiais para o clube, o professor destaca as ocasiões a seguir. O primeiro foi acompanhar o processo para a produção dos flakes com a empresa parceira. “Os clubistas amaram e ficaram impressionados com a maneira que tudo era feito”, relembra Jonathan. Também conheceram o ‘CTR Itambé – Tratamento e Destinação Final de Resíduos’, que é responsável por dar uma destinação final adequada aos resíduos gerados, com o compromisso de melhorar a qualidade ambiental e manter a saúde pública preservada.
Além das visitas, outro momento marcante foi a participação dos clubistas na ‘Olimpíada Restaura Natureza’, um evento no leito do Rio Keller. Neste dia, eles primeiramente foram até a Cocari, que é uma empresa seletora de grãos, responsável por doar 400 mudas de árvores nativas da cidade para serem plantadas às margens do rio, pelos próprios alunos. “A gente fez essa parceria, porque eles também têm projetos de sustentabilidade. Foi realmente no leito do rio, os clubistas entraram no Keller e utilizaram a própria água para regar e plantar”, conta Jonathan.
As aulas de todas as quintas-feiras também são de muita aprendizagem para os estudantes. Cada conteúdo é preparado seguindo a ordem dos materiais já trabalhados até o momento. Por exemplo, após a visita, o grupo fez todo o estudo do que foi aprendido com os materiais recicláveis. O professor solicitou que eles fizessem mais pesquisas a respeito dos elementos e as suas densidades. Assim, o grupo avança de maneira gradativa e cada encontro é preparado como uma continuação do que eles já estão realizando.
O professor do clube reafirma o quanto o tema do clube o interessa: o que mais o motiva em relação a esse trabalho com o clube é a sustentabilidade. “Inclusive pelos os próprios alunos”, defende o docente. “Porque eles estão vendo como é importante! Como na atividade do plantio, eles viram que as árvores embelezam o local, fornecem oxigênio para nós, além deles saírem um pouco do mundo virtual e se reconectarem com o real, é muito bom” conclui.
Entre os próximos planos do clube estão ver a ideia criar vida e funcionar na prática, para assim, poderem futuramente fazer uma campanha de doação dos produtos obtidos com os fios sintéticos para quem mais precisa. Espera-se também poder quantificar esses dados que vão obter a partir da lã feita de garrafas PETs.

