Com trinta estudantes, o Clube Tenda Cultura Viva produz colares e pulseiras que remetem às culturas estudadas

Um clube que produz pulseira? Isso é apenas uma parte de todo o estudo que exige o Clube Tenda Cultura Viva do Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal, de Umuarama. Conforme a professora Oslaine Barrim Batista, o nome foi escolhido para aceitar todos, “a tenda tem como significado abertura e cultura viva é o nosso objetivo, por resgatar as culturas e trazer o significado para melhorar o conhecimento e retirar os estereótipos”, diz.
O principal propósito do grupo é fazer um resgate das culturas africana e indigena por meio dos adornos. Assim, compreendendo os significados desses itens para os antepassados, principalmente quanto ao uso de colares. Conforme a professora, hoje em dia muitos objetos ficaram como adornos decorativos, mas tudo tem um porquê e o grupo irá descobrir e depois trazer a informação para a comunidade.
Com trinta alunos do sexto ano do Ensino Fundamental até o primeiro ano do Ensino Médio, os estudantes estudaram até o momento, de forma mais aprofundada, a cultura africana. “O próximo passo é a cultura indígena. Novos acessórios serão confeccionados e será ainda mais divertido para eles”, afirma Oslaine.
A ideia de estudar a cultura indigena não é de hoje. A educadora trabalhou como professora em Campo Novo do Parecis, com os povos Parecis. O conhecimento adquirido durante os anos de dedicação no Mato Grosso foi essencial para que ela optasse por esta temática. “Isso é interessante e importante. Mais pessoas precisam conhecer”, expõe.
Entre a importância e o dia a dia

O cotidiano do clube é dividido em teoria e prática. Oslaine explica que cada aluno tem uma pasta na ferramenta do Google – Classroom – e um portfólio para ser alimentado. Todos são orientados a pesquisar dentro de uma temática geral, mas cada um analisa determinado segmento. A professora orienta que os estudantes busquem sempre informações em artigos, projetos e depois levem essas informações para os colegas, amigos e familiares.
Para além das pesquisas, os clubistas fazem uma parte prática. Eles utilizam a natureza, como sementes e pedras para formar colares e pulseiras. “Tudo da natureza que a gente pode mostrar e transformar. Além de ensinar os alunos a valorizarem o que eles têm, evitando o consumismo”, afirma a educadora.
Para a criação de peças de colares e pulseiras foi utilizado uma furadeira improvisada com um motor de uma máquina de lavar roupa e uma parte de broca soldada. A máquina foi desenvolvida quando a professora ainda estava no Mato Grosso, ou seja, já faz dez anos.
Mesmo com desafios, a maior importância do clube para os alunos é a informação. Conforme Oslaine, é muito interessante saber que os estudantes têm conhecimento da temática, e que o clube é capaz de alterar a perspectiva e os preconceitos que eles eventualmente tenham.
“A gente trabalha uma abordagem nas aulas que quando há uma forma de preconceito, muitas vezes pode ser por falta de conhecimento. Mas é possível mudar isso, a partir do momento que conhecemos melhor o tema. Lá na frente, para diminuir o preconceito, temos que conseguir arrumar a base, para que os jovens cresçam e tenham uma comunidade melhor”, afirma a professora.
O clube não mudou a vida apenas dos alunos, mas foi uma grande alegria para a professora. “As coisas nunca acontecem por acaso. Mesmo com medo, quando aparece a oportunidade a gente não pode perder. A minha proposta é estudar e aprender. Eu preciso melhorar muito, mas os cursos da UEM são maravilhosos”, afirma. A gratidão é outro sentimento exposto por Oslaine. “Tem fila de espera para novos alunos fazerem parte do clube!”, comemora.
Momento marcante
Estudantes do clube ‘Tenda Cultura Viva’ nos Jogos Indígenas do Colégio Estadual Indígena Teko Nemoingo (Foto/ Arquivo Pessoal) Estudantes do clube ‘Tenda Cultura Viva’ nos Jogos Indígenas do Colégio Estadual Indígena Teko Nemoingo (Foto/ Arquivo Pessoal) Estudantes do clube ‘Tenda Cultura Viva’ nos Jogos Indígenas do Colégio Estadual Indígena Teko Nemoingo (Foto/ Arquivo Pessoal)
Uma das aventuras do clube foi conhecer e participar dos Jogos Indígenas, com modalidades específicas da cultura e tradição local, em São Miguel do Iguaçu, região oeste do Paraná. Os estudantes foram até o Colégio Estadual Indígena Teko Nemoingo e conheceram de perto os esportes destes povos.
Neste dia, os alunos participaram da oficina de pintura de pele e observaram adereços feitos com a técnica do macramê. Eles conseguiram medalhas nas competições, e inclusive um dos alunos, conquistou a medalha de ouro na modalidade arco e flecha. A professora conclui que para os estudantes, a visita foi uma aula viva sobre a cultura indígena e a importância da preservação ambiental.
Entre os planos futuros, está a expectativa de ampliar e aprofundar o conhecimento. O objetivo é finalizar o ciclo de pesquisa e escrever um documento com todas as informações que os estudantes pesquisaram e atividades que realizaram. Algumas questões ainda precisam ser decididas em relação ao formato do documento e à divulgação.


