Clube dedicado ao público feminino marca simbolicamente a trajetória da escola e estimula jovens a vivenciarem a cultura científica

O Instituto de Educação Erasmo Pilotto, em Curitiba, integra a Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, iniciativa estadual que reúne 45 instituições da rede pública para incentivar a participação de meninas e mulheres em ambientes científicos e fortalecer sua permanência em carreiras da área.
Segundo a professora coordenadora do clube, Camila Cristina Ferreira da Costa, essa presença transforma o cotidiano escolar e amplia horizontes. “O projeto abre horizontes, traz a cultura científica para a escola. As meninas e mulheres desenvolvem autonomia, conhecimento do método científico e pensamento crítico”, conta.
A diretora Márcia Murbach reforça que a existência de um clube voltado às meninas em uma escola com quase 150 anos de história tem forte significado simbólico. O Instituto, que já foi exclusivamente feminino, contou com apenas sete mulheres na direção ao longo desse período — incluindo a atual. Para ela, abrir um espaço institucionalizado para o diálogo entre ciência e protagonismo feminino reafirma essa trajetória.
“É a primeira vez que a gente tem um clube de meninas pensando em ciência. A escola vai fazer 150 anos, e isso é muito significativo. Ter um espaço aberto para o feminino dialogar com a ciência, se aproximar de um mundo que foi por muito tempo masculino, é muito bonito”, afirma.

A presença de mulheres cientistas na escola também tem impacto direto na construção de referências para as estudantes. “As meninas na ciência são capazes. Mostrar que elas têm representatividade, que estão vendo outra professora cientista envolvida com elas…isso abre portas para outros momentos femininos dentro da escola”, destaca Márcia.
A coordenadora Camila observa que essa transformação aparece tanto no desenvolvimento pessoal quanto no interesse acadêmico das alunas. “O clube é importante no nível individual, mas desperta também o interesse pelas áreas das ciências da natureza e exatas, promovendo protagonismo juvenil e enriquecendo a formação escolar.”
Rede estadual colaborativa e impacto para novas gerações
A Rede Meninas Paraná Faz Ciência articula escolas que desenvolvem projetos interdisciplinares, colaborativos e interinstitucionais, fortalecendo a inserção de meninas e mulheres em diferentes campos da ciência desde a Educação Básica.
Para Camila, esse trabalho também gera efeitos coletivos. “No âmbito social, buscamos popularização e divulgação científica, trazendo o protagonismo para as meninas e mulheres, e outras minorias”, explica. No Instituto de Educação, essa cultura científica já alcança estudantes mais jovens. E a diretora avalia que o impacto tende a se multiplicar ao longo dos próximos anos. “Isso vai abrir portas para as [alunas] que estão chegando no sexto ano. Ter esse poder feminino representado e dialogar com o espaço da ciência é essencial. Pensar a ciência como um local de pesquisa independente do gênero é a parte mais importante”, afirma.