Terceiro eixo do curso de formação em feiras de ciências tratou da organização, gestão, acessibilidade e sustentabilidade; Educação científica também entrou na pauta

“As feiras de ciências não são uma atividade ou um evento pontual, mas um processo de professor”, afirma Felipe de Azevedo, especialista e profundo conhecedor sobre o universo das feiras de ciências. Atuando em Mossoró, no Rio Grande do Norte, o professor acredita que as feiras de ciências são muito mais que uma exposição de trabalhos escolares. Elas se transformam numa oportunidade única para o desenvolvimento dos estudantes, estimulando o pensamento científico, a criatividade e a colaboração.
Convidado pela equipe do NAPI Paraná Faz Ciência, Azevedo compartilhou sua vivência na organização e gestão com os quase 100 participantes do curso de formação de feiras de ciências. Antes de qualquer coisa, é preciso fazer um planejamento inicial detalhado, passando pela definição do objetivo da feira, dimensionando o local e tamanho do evento e mobilizando a equipe pedagógica e quem vai trabalhar. “Todas essas questões precisam estar muito claras desde as primeira etapas da organização, inclusive a disponibilidade de recursos”, alertou o professor.
Azevedo enfatizou ainda que a escolha do espaço físico e da infraestrutura vai influenciar diretamente a experiência dos visitantes e expositores. “Questões como sinalização dos projetos, segurança e acessibilidade precisam entrar no planejamento para garantir o fluxo, conforto e visibilidade”, disse em sua apresentação.

No quesito sustentabilidade, é importante tomar decisões conscientes em relação ao consumo de recursos. “Seja na própria condução do projeto, na utilização das maquetes e produtos, o aluno tem que pensar em práticas responsáveis, inclusive na comunicação. Em vez de um banner, seria interessante usar uma cartolina, uma vez que os projetos podem mudar e avançar em resultados. Um banner seria descartado”, estimulou.
O professor destacou que o mais importante deste processo é, no fim, criar um ecossistema de feiras em que o aluno amplie o aprendizado e se sinta estimulado a participar de eventos científicos da escola, do município, do estado, do Brasil e até internacional. “Desde 2011 nós implantamos esse ecossistema aqui (no Rio Grande do Norte), onde o estudante está desde já pensando em participar no próximo ano”, enfatizou.
Letramento científico
Na sequência, as professoras doutoras Dayanne Cajueiro e Michelle Mendes, bolsistas do NAPI Paraná Faz Ciência, compartilharam com os participantes do curso de formação em feiras de ciências os conceitos que permeiam a Educação científica, alfabetização científica e iniciação científica escolar.
O conceito de letramento científico propõe oferecer aos alunos a diversidade de conhecimentos produzidos ao longo da história, aproximando os principais processos, práticas e procedimentos da investigação científica. “Os professores precisam compreender os conceitos, mas sabemos que sempre surge uma insegurança de como aplicar esta e outras epistemologias”, disse Dayanne.
Para ela, na prática, a metodologia científica surge do contexto em que o aluno vive, ao observar a sua realidade e, a partir do seu conhecimento, investigar os fenômenos naturais através dos olhos da ciência.

Já Michelle Mendes, que acabou de defender sua tese de doutorado sobre feiras de ciências, além de ter mestrado na área, trouxe uma nova perspectiva para a discussão: como fazer o estudante aprender a aprender.
“Como a gente pode fazer algo diferente no contexto da escola, que já é tão difícil? Tendo o professor como figura central neste processo, é preciso estimular o aluno a observar e questionar o mundo que o cerca”, explica Michele.
Portanto, o professor tem que estar preparado para ser a ‘ponte’ entre aluno e a ciência, através de quatro etapas: tempestade de ideias, analisar as perguntas, formular uma pergunta passível de resolução e metodologia científica. Segundo Michele, o professor Felipe de Azevedo dispõe de um vasto material sobre a execução destas quatro etapas.
