Passeio científico realizado aproxima jovens da pesquisa ambiental e da realidade ecológica da Baía de Antonina

Os estudantes do clube de ciências Mangue – Berço da Vida, do Colégio Estadual Integral Rocha Pombo, em Antonina, participaram de uma atividade de campo voltada à observação científica do manguezal e da Baía de Antonina. Realizado a partir do trapiche da cidade, o passeio de catamarã permitiu que os jovens observassem de perto as raízes dos manguezais, a fauna local e os impactos do assoreamento sobre o ecossistema.
A ação integra as atividades de investigação desenvolvidas pelo clube e pela disciplina eletiva Observatório Ambiental Escolar Caiçara, que busca aproximar os estudantes da realidade ambiental do território onde vivem, estimulando a alfabetização científica por meio da observação, da pesquisa e da reflexão crítica sobre os desafios socioambientais da região.
Localizada em uma das áreas mais preservadas da Mata Atlântica brasileira, Antonina integra o complexo estuarino de Paranaguá, reconhecido pela elevada biodiversidade e pela importância ecológica dos seus manguezais. Esses ambientes funcionam como verdadeiros berçários naturais, abrigando e protegendo diversas espécies marinhas durante etapas fundamentais de seu desenvolvimento.

Segundo o professor Joel Alves Pereira, responsável pela disciplina eletiva, o estudo das raízes dos manguezais é um dos temas centrais trabalhados com os estudantes.“A gente estuda as raízes do mangue como base da vida na baía. As raízes aéreas ajudam a segurar os sedimentos, evitam a erosão da costa e funcionam como filtros naturais da água que chega à baía”, explica.
Além da função ecológica, os alunos investigam o papel dos manguezais como abrigo e área de reprodução para peixes, ostras, caranguejos e siris, espécies que sustentam a pesca artesanal e a cultura caiçara da região. Outro tema abordado é o chamado “carbono azul”, conceito que destaca a capacidade dos manguezais de armazenar grandes quantidades de carbono em seus solos, contribuindo para o enfrentamento das mudanças climáticas.“A aula de campo foi uma oportunidade para a turma observar de perto essa estrutura viva e entender, na prática, por que proteger a raiz é proteger a baía”, destaca o professor.
Durante o percurso, os estudantes também puderam observar sinais do assoreamento e da presença de resíduos no ambiente, relacionando os conteúdos estudados em sala de aula com fenômenos observados diretamente no território. A atividade promoveu ainda reflexões sobre as transformações vividas pelo manguezal nas últimas décadas. De acordo com Joel Alves Pereira, relatos da comunidade e observações realizadas ao longo dos anos apontam tanto processos de degradação, quanto exemplos de recuperação ambiental. “Nas últimas décadas vimos áreas de mangue sendo suprimidas por aterros, ocupação desordenada e poluição. Lugares onde os pescadores mais velhos contam que tiravam seu sustento hoje estão degradados”, relata.

Por outro lado, o professor observa que áreas protegidas e ações de educação ambiental têm contribuído para a regeneração do ecossistema. “O mangue responde quando encontra condições para isso. A gente observa a rebrota da vegetação, o retorno de caranguejos e aves, além da participação crescente da própria comunidade na proteção desses ambientes”, afirma.
Mais do que uma atividade de observação, o passeio científico reforça a proposta dos Clubes de Ciências de estimular o protagonismo estudantil e formar jovens capazes de compreender e atuar sobre os desafios ambientais de seu território.
“O mangue é resiliente, mas precisa da nossa ajuda. Por isso essa disciplina existe: para que cada estudante possa se tornar um guardião desse ecossistema e contribuir para que as próximas décadas sejam marcadas pela recuperação e não pela perda”, conclui o professor.