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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Conhecimentos da aldeia inspiram material científico bilíngue produzido por estudantes de Piraquara

Por: Marilaine Martins

Projeto do Clube Maker da Aldeia Araçaí une conhecimentos tradicionais Guarani e pesquisa científica para produzir materiais sobre fauna e flora do território

Quatro estudantes indígenas sentados em carteiras escolares dentro de uma sala de aula. Eles estão concentrados na produção de desenhos em folhas de papel apoiadas sobre as mesas. Em primeiro plano, um estudante desenha uma ilustração relacionada à pesquisa desenvolvida pelo grupo. Ao fundo, há cartazes pedagógicos fixados nas paredes, armários e uma janela com vista para a vegetação externa.
Clubistas da Aldeia Araçaí produzem ilustrações que irão compor um material bilíngue sobre a fauna e a flora do território (Foto / Marilaine Martins)

A cerca de 30 quilômetros de Curitiba, em uma área de Mata Atlântica no município de Piraquara, estudantes da Aldeia Araçaí estão transformando os conhecimentos sobre o território onde vivem em um material bilíngue de divulgação científica. A iniciativa reúne pesquisa sobre fauna e flora, valorização da língua Guarani e diálogo entre saberes tradicionais e conhecimento científico.

O projeto está sendo desenvolvido por participantes de um Clube Maker da escola indígena e tem como objetivo produzir materiais em Guarani e Português para serem utilizados por estudantes do Ensino Fundamental I. A proposta busca aproximar a divulgação científica da realidade das crianças da comunidade, que têm o Guarani como língua materna e o português como segunda língua.

Imagem de uma área de mata. Em primeiro plano, há uma estrada de chão que se divide em uma entrada cercada por vegetação. À esquerda, duas árvores altas sustentam uma placa informativa de proteção territorial. À direita, próximo ao acesso da estrada, há uma pequena estrutura coberta e uma placa de sinalização verde. Ao fundo, uma extensa área de floresta com diferentes espécies de árvores, incluindo pinheiros e árvores de troncos claros. O céu está limpo e a iluminação suave sugere o início da manhã ou o final da tarde.
Entrada da Aldeia Araçaí, em Piraquara (Foto / Marilaine Martins)

Mas antes de se transformar em textos, ilustrações e traduções, a pesquisa começou pela escuta. Os estudantes conversaram com lideranças e professores da aldeia para conhecer melhor os animais e as plantas presentes no território. Durante esses encontros, também registraram relatos sobre espécies que eram mais comuns no passado e que hoje aparecem com menor frequência na região.

As informações compartilhadas pela comunidade serviram como ponto de partida para novas investigações. A partir dos registros realizados pelos estudantes, o grupo passou a pesquisar e verificar os dados coletados, comparando diferentes fontes e buscando garantir a precisão científica das informações que integrarão o material.

O processo também levou os participantes a olhar de forma diferente para o ambiente onde vivem. Embora cresçam em meio à Mata Atlântica, alguns estudantes passaram a reconhecer espécies que antes não identificavam ou sobre as quais possuíam poucas informações. A pesquisa contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade presente no território da aldeia e fortalecer a relação dos jovens com o espaço que habitam.

Depois da etapa de investigação, teve início a produção do material. Estudantes do nono ano ficaram responsáveis pela tradução dos textos para o Guarani, enquanto professores da comunidade colaboram na revisão linguística. O trabalho considera as particularidades da língua, que apresenta variações entre diferentes comunidades indígenas.

Além da tradução, os participantes também produzem ilustrações que irão compor a publicação. O resultado será um material sobre a fauna e a flora locais construído coletivamente pelos estudantes, reunindo pesquisa, arte e conhecimentos compartilhados pela comunidade.

Mais do que registrar informações sobre animais e plantas, a iniciativa demonstra como a ciência pode ser construída a partir da observação do território, da valorização da oralidade e do diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Ao final do processo, o material retornará à própria comunidade, contribuindo para a aprendizagem das crianças e para a valorização da língua e da cultura Guarani.