Com projetos em temas sociais e da natureza, elas mostram como a iniciação científica pode despertar o protagonismo juvenil

O Clube de Meninas Marie Curie, do Colégio Estadual Attílio Codato, em Cambé, recebeu a visita pedagógica da professora e pesquisadora Fabiele Broietti, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Durante o encontro, as clubistas apresentaram os projetos desenvolvidos em 2025, as novas integrantes e compartilharam as pesquisas que estão em andamento.
Com um ano e seis meses de atividades, o clube já desenvolveu vários projetos, participou de apresentações e ampliou a divulgação científica dentro e fora da escola. A proposta agora é seguir ampliando essa rede de divulgação científica, levando para mais espaços os aprendizados construídos a partir das próprias investigações no clube.
Durante 2025, as alunas e a professora coordenadora, Milene Baratta, explicaram que os primeiros projetos aproveitaram o calendário de meses de conscientização, como o Agosto Lilás, Setembro Amarelo e Outubro Rosa. As ações envolveram produção de materiais informativos, entrevistas com pesquisadoras mulheres e criação de conteúdos sobre saúde, direitos e trajetórias de mulheres na ciência.
Ao contar sobre essas atividades, as próprias clubistas demonstraram que estão aprendendo a buscar informações em fontes confiáveis. “Eu geralmente pesquiso em alguns sites. Não gosto muito de usar a Wikipédia porque qualquer pessoa pode alterar as informações. A professora Milene ensinou para a gente o Google Acadêmico e outros sites confiáveis”, explicou Rayssa.
Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta) Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta) Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta) Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta) Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta) Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta) Banner com animação para convidar para a feira itinerante em outro colégio e registros da apresentação (Arte e Foto/Milene Baratta)
NOVA FORMAÇÃO EM 2026
No início dos trabalhos deste ano, o grupo começou a atuar dividido em três grupos e cada um deles fez um projeto. Camila, Yasmin e Pietra trabalharam com o tema “Além da Infância: o combate ao casamento infantil”; Sara, Emanuely e Ludmilla avaliaram como as minhocas podem influenciar o desenvolvimento de plantas e Maria Vitória, Rayssa, Maria Beatriz e Beatriz pesquisaram sobre a produção de tintas naturais.
O projeto que investigou a realidade do tema casamento infantil, desenvolvido por Camila e suas colegas, avaliou a realidade de outros países, mostrou os números alarmantes da prática que ainda ocorre no Brasil e os impactos disso na vida de adolescentes meninas, como a evasão escolar e a gravidez precoce.
Ao apresentar o projeto e seus detalhes, Camila ressaltou as descobertas impactantes. “Mesmo com a lei, o casamento infantil ainda acontece e está relacionado a problemas como evasão escolar e gravidez precoce”, explicou.
Durante a pesquisa, as estudantes perceberam que o diálogo aberto é um dos caminhos para enfrentar o problema, algo que acontece em outros países. “Em alguns países que pesquisamos, o tema não é tratado como tabu, mas como uma conversa do dia a dia, o que ajuda a sociedade a lidar melhor com essas situações”, definiu. Além de conhecer as realidades, a investigação busca ampliar o debate sobre prevenção e conscientização.

O projeto desenvolvido por Sara, Emanuely e Ludmilla investigou a influência das minhocas no desenvolvimento das plantas. A ideia surgiu a partir de uma observação do cotidiano e se transformou em um experimento: a estudante cultivou plantas em condições semelhantes, comparando o crescimento daquelas que tinham contato com minhocas e das que não tinham. “Eu percebi que algumas plantas da minha mãe começaram a melhorar depois que meu pai colocou minhocas. Então quis fazer uma experiência mais aprofundada”, conta Sara.
A estudante comparou plantas cultivadas com e sem minhocas, registrando mudanças no desenvolvimento e refletindo sobre a importância desses organismos para o solo. Durante o processo, percebeu que até resultados inesperados faziam parte da investigação. Além de observar os efeitos no crescimento das plantas, a investigação levou a uma reflexão sobre a importância das minhocas para a saúde do solo, o equilíbrio ambiental e as relações na natureza.
A partir dessa experiência, enquanto Sara relatava os resultados, a coordenadora Milene propôs uma nova etapa para o estudo: levar amostras dos dois tipos de solo — com e sem minhocas — para análise em laboratório da UEL. A professora Fabiele Broietti ficou responsável por verificar a viabilidade dessa parceria com a universidade.
Já o grupo de Maria Vitória, Rayssa, Maria Beatriz e Beatriz se interessou por pesquisar a produção de tintas a partir de componentes naturais, como açafrão, carvão, flores, ou mesmo terra misturada com água e cola, como a que realizou durante a visita. Rayssa explica que usar cola na mistura serve para dar uma liga ao produto final, para que seja aderente à superfície de aplicação. A inspiração do tema veio de uma professora de artes do colégio, como contou a aluna. “A gente se inspirou em uma professora aqui da escola, que ela faz tintas com as coisas que ela tem em casa”, conta Rayssa.
O projeto da tintas naturais envolve macerar, ferver, filtrar e registar na paleta de cores o que foi obtido (Foto/Milene Baratta) O projeto da tintas naturais envolve macerar, ferver, filtrar e registar na paleta de cores o que foi obtido (Foto/Milene Baratta) O projeto da tintas naturais envolve macerar, ferver, filtrar e registar na paleta de cores o que foi obtido (Foto/Milene Baratta) O projeto da tintas naturais envolve macerar, ferver, filtrar e registar na paleta de cores o que foi obtido (Foto/Milene Baratta) O projeto da tintas naturais envolve macerar, ferver, filtrar e registar na paleta de cores o que foi obtido (Foto/Milene Baratta)
A coordenadora Milene lembra que a ideia teve como premissa também resgatar saberes de métodos artesanais, hoje quase sobrepostos por soluções muito tecnológicas e distantes da realidade das clubistas. “Com o passar dos anos foi se perdendo isso de fazer as coisas manualmente, logo tudo será convertido pela tecnologia. Então a proposta é mostrar isso também, de como se faz tintas com ingredientes naturais”, ressaltou.
As tentativas, a evolução das receitas, a paleta de cores e até a experiência em apresentar o projeto nas feiras do próprio colégio e em outras escolas da cidade foram todas registrados no Diário de Bordo. “Eu também escrevi das feiras, porque querendo ou não era a gente apresentando o nosso projeto, então fazia parte do projeto. Eu também vou escrever esse de hoje”, conta Rayssa.
PRÓXIMOS PASSOS
As ideias para os próximos passos do clube não faltam. Uma delas é fazer uma feira itinerante entre as escolas municipais de Cambé. Rayssa se mostrou animada com a ideia de levar o experimento das tintas para os mais novos. “Seria legal levar para as pessoinhas bem pequenininhas mesmo. Porque, por exemplo, esse da tinta, como tem gente grande que também está gostando, eu acho que os pequenininhos também iam gostar”, argumenta. A circulação entre escolas municipais fortalece a integração local e pode incentivar uma rede de troca de conhecimentos e experiências em feiras de ciências, ampliando a cultura científica.
A experiência com a feira realizada no próprio colégio, mostrando para outras turmas o que fazem no laboratório, também teve mais um caráter pedagógico. “Aqui no Laboratório nós montamos as mesinhas e chamamos de 15 em 15 alunos. Mostramos os animais, da Entomologia, que a maioria adora ver, e também mostramos as partes do corpo humano”, relatou a professora Milene. “Essa foi uma tentativa também de formar ouvintes, assim eles começam a entender que nas feiras de ciências é para parar nas mesas e ouvir as explicações dos trabalhos. Então foi uma oportunidade de fazer educação científica em relação a isso também”, contou a professora.
Para as clubistas, falar para os colegas da escola também ensinou muito. “A gente gostou, a gente tava bastante nervosa, mas depois a gente se soltou e teve mais segurança. Eu acho legal a feira, porque ao mesmo tempo que eles aprendem, a gente aprende também. Tinha perguntas que a gente tinha que ir lá perguntar pra professora Milene, porque a gente não sabia, então a gente acabou aprendendo e eles aprendem ao mesmo tempo que a gente”, avaliou Rayssa.
O relato de Rayssa revela como a participação nos clubes de ciências amplia oportunidades e transforma estudantes em protagonistas da própria aprendizagem. “Eu não passei por nenhuma feira, a minha primeira experiência foi aqui, atrás da mesa, foi explicando para outras pessoas. Então eu acho isso muito legal. No meu 6º ano eu não tive isso, mas eles agora podem ter essa chance”. Participar de um projeto de iniciação científica impacta na formação dos estudantes e ainda podem compartilhar conhecimento e criar caminhos para outros jovens.














