O clube “Litterae Ludus” recorre a artigos científicos para construir personagens literários e promover a conscientização de temáticas atuais

Um diálogo entre Ciência e Literatura é o que propõe o Clube “Litterae Ludus”, do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Newton Guimarães, de Londrina. A partir do conhecimento da leitura literária, da escrita criativa, das interações sociais de pessoas atípicas e perfis psicológicos, os alunos podem ter acesso a parte da pesquisa bibliográfica e, também, ao ambiente universitário das Ciências Humanas.
A coordenadora do clube, professora Franciela Zamarian, explica que o objetivo é investigar a relação entre os jogos de RPG e a formação do leitor literário. Para ela, ainda existe um preconceito de que a ciência é “apenas aquela de laboratório, de biologia, de exatas”. Porém, aqui são as Ciências Humanas.
Como a docente explica, a metodologia é que vai colocar o trabalho dentro do âmbito da ciência. “Eu vou trabalhar literatura, mas como isso vai ser trabalhado? De que maneira vou fazer uma verificação se houve um progresso ou não dentro dos resultados? Então, é dessa maneira que a gente está trabalhando ciência, ainda que seja na área de humanas.”
O diálogo com a UEL
O Clube de Ciências “Litterae Ludus” é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) no NAPI – Paraná Faz Ciência. Porém, o diálogo com a Universidade não para por aí. O Clube tem participado de várias atividades propostas, como eventos e diálogos com docentes, para que os alunos se sintam pertencentes ao meio acadêmico e científico.
Uma atividade foi a conversa com a Professora do curso de Letras, Dra. Sheila Oliveira Lima, pois algumas alunas demonstraram interesse na leitura literária sob o viés da Psicanálise.

De alunas a pesquisadoras
O Clube é dividido em grupos. A aluna Larissa, do 3º ano, diz que o objetivo do seu grupo é analisar as alterações de comportamento das pessoas com perfil não sociável durante e após a sessão de RPG literário. A estudante Ana Clara, também do 3º ano, afirma que aprendem sobre técnicas investigativas, conhecimento científico, adequação da escrita, abordagens, métodos e o jogo enquanto ferramenta.
As alunas mais novas, como Stefany, do 9º ano, Maria Eduarda e Luiza, do 1º ano, compartilham a expectativa de fazer descobertas. Nas palavras de Stefany, ela tem a esperança de “que o RPG alcance novos grupos, um público maior e que eu consiga descobrir coisas novas”, afirma.

Outros dois grupos estudam como o RPG pode ser um laboratório prático para observar e analisar aspectos do desenvolvimento e da interação social. As alunas Kiara e Talita, do 2º ano, esperam usar os jogos com desafios estratégicos para estudar o comportamento humano, a capacidade de tomar decisões e pensar com lógica. Para elas, isso pode acontecer enquanto se divertem. No grupo de Jamile e Fernanda, do 1º ano, o mais interessante é ver como as pessoas do espectro autista reagem quando jogam RPG literário.
As meninas e a professora têm expectativas futuras, especialmente na conquista de bolsas de iniciação científica júnior, assim como na participação em eventos e feiras locais, regionais, estaduais e nacionais.