Estudantes do Colégio Estadual Nossa Senhora das Graças participaram de jogo educativo sobre emergências climáticas e compartilharam pesquisas do clube

Os integrantes do Clube de Ciências EcoCientistas Ambientais, do Colégio Estadual Nossa Senhora das Graças, em Irati, receberam a visita de representantes da Rede de Clubes ligados à Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) e do Pacto Global dos Jovens pelo Clima (GYCP). A atividade realizada em maio teve como principal objetivo conhecer os projetos desenvolvidos pelos estudantes e acompanhar as ações realizadas pelo clube.
O grupo foi recebido pela professora Elaine Pacheco Costa, coordenadora do clube, e contou com a presença da professora Adriana Massaê Kataoka, orientadora da Rede de Clubes na Unicentro e coordenadora do GYCP. Segundo Adriana, a visita é uma oportunidade de observar aspectos que vão além dos encontros virtuais realizados com os professores. “A visita permite acompanhar as ações in loco e observar aspectos que não aparecem apenas nas reuniões. É uma oportunidade de ver o envolvimento dos estudantes e como os projetos estão sendo desenvolvidos”, destacou.
A professora também ressaltou o engajamento da comunidade escolar. “Ficamos impressionados com a participação dos jovens e também com o apoio da professora e da direção. É um trabalho construído em conjunto e isso se reflete no interesse dos estudantes”, afirmou.

Para a professora Elaine, a presença da equipe ligada à universidade representou um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelos estudantes. “Foi um momento de muita troca e valorização do trabalho dos nossos alunos. Receber a equipe pedagógica mostrou que o que fazemos aqui dentro tem relevância para além dos muros da escola”, ressaltou.
Durante a visita, os alunos participaram da aplicação de um jogo educativo sobre emergências climáticas, desenvolvido pelo estudante de Biologia da Unicentro, Nathan Rodrigues, de 21 anos, junto à equipe do Laboratório de Educação Ambiental. A atividade integra uma pesquisa que busca validar o material como ferramenta pedagógica para o ensino de temas relacionados às mudanças climáticas, à sustentabilidade e à educação ambiental.
Segundo Nathan, a proposta surgiu a partir da necessidade de criar metodologias mais dinâmicas para abordar questões ambientais com crianças e adolescentes. “A gente queria desenvolver algo prático para trabalhar com as crianças e levar a educação ambiental de uma forma mais interativa”, explica. O acadêmico destaca que o estudo também busca avaliar a eficácia do recurso em ambientes escolares. “Estamos analisando se o jogo é aplicável em sala de aula e se pode ser validado como uma ferramenta pedagógica. O objetivo é entender como a temática influencia na jogabilidade e no aprendizado”.
Para a estudante Alicia Antonio Cruz, de 11 anos, a atividade ajudou a ampliar os conhecimentos sobre sustentabilidade e mudanças climáticas.”Foi muito legal. A parte mais interessante é a hora de ver as cartas, porque você não sabe se vai conseguir responder. Já sabia algumas coisas, mas consegui aprender um pouco mais sobre sustentabilidade e sobre a emergência climática.”
O jogo desenvolvido pelo acadêmico Nathan Rodrigues foi aplicado para os clubistas do EcoCientistas Ambientais (Foto/Arquivo Pessoal) O jogo desenvolvido pelo acadêmico Nathan Rodrigues foi aplicado para os clubistas do EcoCientistas Ambientais (Foto/Arquivo Pessoal) O jogo desenvolvido pelo acadêmico Nathan Rodrigues foi aplicado para os clubistas do EcoCientistas Ambientais (Foto/Arquivo Pessoal)
Ao longo da dinâmica, os participantes responderam perguntas, discutiram situações relacionadas à emergência climática e refletiram sobre possíveis soluções para os desafios ambientais contemporâneos. Além de promover o aprendizado de forma lúdica, a atividade permitiu avaliar a compreensão dos conteúdos, a clareza das regras e o nível de engajamento dos estudantes com a temática ambiental.
A receptividade dos alunos chamou a atenção da equipe visitante. “De maneira geral, os alunos reagiram muito bem à dinâmica e ao tema abordado”, avaliou Nathan. Segundo ele, os estudantes do Colégio Nossa Senhora das Graças demonstraram grande interesse em compartilhar suas experiências. “Eles estavam muito interessados em mostrar as ações que desenvolvem no colégio. Queriam que a gente conhecesse os projetos, aprendesse com eles e desse sugestões”, concluiu.
Além do jogo, os clubistas puderam apresentar os projetos desenvolvidos pelo clube aos integrantes dos dois projetos da universidade. O principal projeto desenvolvido pelo clube de Irati são as hortas escolares, que são mantidas com sistemas de irrigação e experimentos de compostagem que abastecem a horta. “Eles prepararam uma fala de cinco minutos para cada projeto, explicando problema, solução e resultados esperados e já alcançados, além de futuras ações que colaborem para o progresso das pesquisas”, contou a professora Elaine.
Os alunos começaram o semestre já com a intenção de aumentar a produção da horta e de aprimorar o sistema de irrigação em cisterna, que hoje está em fase de planejamento. “A prática é onde a ciência vira realidade. Na horta, os grupos aprendem a temática de pesquisa na mitigação de formas de poluição atmosférica, calculam o volume de água, observam ciclo de vida no solo pesquisam sobre agroecologia, áreas verdes e segurança alimentar. Isso desenvolve protagonismo e responsabilidade. Ele não é mais só ouvinte: ele é pesquisador, ele testa, erra, ajusta. A horta tende a se estender para atender a merenda escolar, então eles veem impacto direto na comunidade. Ciência sem prática vira teoria esquecida. Com a mão na terra, vira aprendizado para a vida”, completou Elaine.
Para a equipe da Unicentro, a visita reforçou a importância da aproximação entre universidade e escola. A expectativa é que iniciativas como essa contribuam para a formação científica dos jovens, ampliem a consciência ambiental e incentivem o protagonismo estudantil na construção de soluções para os desafios do futuro. “A parceria com a universidade é fundamental para fortalecer a investigação, a curiosidade e a educação científica, ajudando os jovens a compreender melhor a sociedade e a tomar decisões mais conscientes”, destacou a professora da Unicentro, Adriana Kataoka.
Para a professora Elaine e seus clubistas, fica a satisfação de ver os projetos desenvolvidos ao longo do ano sendo reconhecidos e valorizados. “Essa visita validou as pesquisas sobre emergência climática e recursos hídricos e motivou os estudantes a seguir em frente”, destacou. Segundo a professora, muitos alunos passaram a considerar uma carreira científica desde o início das atividades do Clube de Ciências, enquanto a comunidade escolar e as famílias acompanham e incentivam esse protagonismo. “Isso confirma que estamos no caminho certo: fazer ciência contextualizada, conectada aos problemas reais do nosso território. A visita plantou a ideia de que a nossa escola também produz ciência”, concluiu.
Acompanhe mais atividades do Clube EcoCientistas Ambientais pelo Instagram @clubeecocientistas.




