Pesquisa surgiu da observação de um problema na comunidade local e hoje mobiliza estudantes na busca por soluções ambientais aplicadas ao território

Legenda: Estudantes, professores e equipes parceiras reunidos durante a 19ª Semana do Meio Ambiente de Paranaguá, espaço de troca de conhecimentos, divulgação científica e protagonismo estudantil (Foto/Adriana Possan)
Durante a 19ª Semana do Meio Ambiente de Paranaguá estudantes do Clube de Ciências Bagrinhos do Bento, do Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, apresentam o projeto “Casca de Camarão”, a partir de pesquisas que investigam o reaproveitamento da casca do camarão, um resíduo abundante na cadeia de pesqueira do litoral paranaense.
O evento cujo tema foi “Transformar Resíduos em Recursos é Compromisso com o Futuro”, aconteceu na Arena Albertina Salmon, no centro histórico da cidade e reuniu mais de 50 instituições. Os clubistas compartilham com o público visitante soluções sustentáveis alinhadas ao território e aos princípios da economia circular.
A professora coordenadora do Clube, Andréia Petruy, conta que a escola fica próxima ao mangue do Bairro do Rocio e alguns estudantes residem próximo à beira rio e o cheiro forte do camarão e a proliferação de insetos são questões que incomodam a comunidade. “A nossa escola é pequena e está numa área portuária, uma área de difícil acesso e muitas carências para os alunos, então o Clube é uma oportunidade de os alunos não só vivenciarem a ciência, mas também procurar soluções para ajudarem a comunidade, para melhorar nossa escola, o nosso cotidiano e também oportuniza pra eles o conhecimento fora do ambiente escolar”, relata Andréia.

Os estudantes clubistas Fabio Nunes Cordeiro de Souza Junior e Adrian Sares Polidoro Assunção Belém explanaram para o público os experimentos feitos com a casca do camarão, através da compostagem. “Para fazer uma compostagem você vai precisar de uma caixa que tenha alguns furos, que não devem ser grandes o bastante para entrar insetos. Imagine como se fosse um bolo ou uma torta, a primeira camada é a mais baixa, seria a de folhas secas, acima dela uma camada com terra e resíduos orgânicos; nós fizemos com um diferencial, colocamos a casca do camarão. Para finalizar você deve colocar mais uma camada de folhas secas para proteger dos insetos”, explica Fabio.
Os clubistas contam ainda que têm encontrado outras maneiras de resolver o problema do descarte da casca de camarão nas comunidades do entorno, pesquisando também o beneficiamento do produto para virar farinha, que pode substituir a convencional farinha branca refinada. “É um meio mais eficiente e saudável. O processo que a gente utiliza é separar, lavar, deixar de molho no vinagre, escorrer e deixar no sol. Caso o clima não colabore, pode secar no forno também”, ensina Fábio.
Ciência que gera reconhecimento
Com aproximadamente 30 integrantes, o Clube de Ciências Bagrinhos do Bento tem se destacado em feiras e eventos científicos realizados em diferentes regiões do Paraná. Na primeira edição da Feira de Cultura Científica (FECCI) em 2025, os estudantes foram premiados por uma pesquisa sobre o pH da água utilizada pela comunidade do entorno da escola, abordando a qualidade da água de poços artesianos. Já na Feira do Litoral, também no ano passado, o clube recebeu o prêmio de Divulgação Científica e conquistou o primeiro lugar com o projeto relacionado ao tratamento e reaproveitamento da casca do camarão.

Para a professora Andréia, é importante perceber também que para além do reconhecimento conquistado há, sobretudo, o impacto do clube na formação dos estudantes. “O mais importante é a vontade que eles têm de permanecer na escola no contraturno. Mesmo com as dificuldades de deslocamento, eles participam, pesquisam e se comprometem. Também percebemos avanços na leitura, porque eles compreenderam que fazer ciência envolve estudar, buscar informações e investigar soluções para os problemas do dia a dia”, destaca.
O grupo conquistou do 1º ao 3º lugares na Feira Regional de Ciências do Litoral do Paraná: 1.º Lugar : Casca do camarão: um estudo entre o lixo e possibilidades sustentáveis; 2.º Lugar: Estudo sobre doenças causadas pelo consumo de água contaminada e 3.º Lugar: Qualidade da água: estudo sobre o pH e fontes de consumo de água no bairro Vila Rute em Paranaguá. (Foto/arquivo Feira do Litoral)
