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Conheça o Clube Jovens Cientistas Kennedy que une o estudo de hortas com robótica

Por: Ana Carolina Arenso Barbosa

A proposta do clube é a criação de uma horta utilizando o adubo desenvolvido na composteira e análise do solo com ajuda da robótica

A foto é do Clube de Ciências Jovens Cientistas Kennedy. A imagem mostra uma turma de estudantes posando para uma foto acompanhada por três adultos, sendo um professor coordenador e duas Bolsistas Técnicas de Nível Superior - Pedagógicas da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência em um dia de visita ao clube. Eles estão reunidos em um pátio externo escolar. Ao fundo, há árvores de folhas vermelhas e uma parede branca que cerca o local. A maioria dos alunos veste uniforme escolar. O grupo está posicionado em frente às árvores, formando duas fileiras: a maior parte em pé e alguns agachados ou ajoelhados à frente. Todos parecem estar posando para a foto coletiva, muitos sorrindo e fazendo gestos com as mãos, transmitindo um clima de descontração e união.
Foto do Clube de Ciências Jovens Cientistas Kennedy em um dia de visita ao clube por parte da equipe da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência (Foto/arquivo pessoal)

Já pensou em unir o estudo sobre hortas e robótica? É isso que propõe o Clube Jovens Cientistas Kennedy, do Colégio Estadual Presidente Kennedy, em Maringá. Desde que iniciaram os trabalhos no clube no ano passado, muitos projetos foram desenvolvidos: adubos naturais, defensivos agrícolas naturais e até lançaram um foguete. A proposta é trabalhar de forma interdisciplinar, integrando as matérias de biologia, química, física, robótica e geografia. 

O clube é interseriado, com alunos do sétimo, oitavo e nono anos do Ensino Fundamental II. Encontros acontecem todas terças–feiras, como uma disciplina eletiva. Os 32 estudantes juntamente com o professor coordenador, Ivanildo Fabricio de Oliveira, propuseram a criação de uma horta utilizando o adubo que eles mesmos estão criando a partir da decomposição, por meio da composteira. E também estão estudando robótica para analisar dados coletados no jardim da escola.

Entre as funções da robótica no ambiente da horta, estão a irrigação, a medição da umidade do solo e do ar, a temperatura da composteira e entre outras finalidades que contribuem para uma análise mais qualificada do ambiente. Próximo aos frutos, a composteira é um outro elemento que está sendo investigado pelos clubistas. Segundo o professor, ela é um adubo excelente, por ser natural e reaproveitar resíduos alimentares. A ideia é realizar uma análise comparativa para observar qual é a melhor: o adubo da composteira, o adubo orgânico comercial e um branco (terra sem adubo).

Outro ponto de investigação é a relação da horta com o sol. Há sementes germinadas em solo muito exposto ao sol, outras mais à sombra e outras ainda que recebem a incidência dos dois agentes de forma mais equilibrada. Assim, a pergunta que eles devem responder é: “Qual terra é melhor para o desenvolvimento de cada planta ?”. A robótica será aliada também deste processo para colaborar com a medição dos resultados. O projeto une a investigação científica com as diversas áreas de conhecimento presentes nas atividades realizadas.

A imagem mostra um grupo de cinco estudantes em um ambiente escolar. Eles estão reunidos ao redor de uma mesa branca que contém um notebook, um cilindro medidor com líquido marrom, um dado, uma garrafa roxa de água e alguns papéis. Os estudantes vestem uniformes escolares com camiseta branca de gola azul, exceto um deles, que usa um casaco preto. Eles parecem estar engajados em uma atividade prática ou experimento científico, e demonstram expressões de curiosidade e entusiasmo. Ao fundo, há uma parede de tijolos brancos, estantes com diversos materiais didáticos e uma maquete. Um dos estudantes segura uma pelúcia marrom e está usando um moletom com capuz. Também é possível ver um extintor de incêndio preso à parede e diversos objetos organizados nas prateleiras, indicando um ambiente de aprendizado.
Foto de um dos grupos do Clube de Ciências ‘Jovens Cientistas Kennedy’ analisando as partículas orgânicas e inorgânicas do solo (Foto/arquivo)

Resultados já alcançados

No primeiro ano, os clubistas colheram alfaces que chegaram ao prato dos estudantes e cultivaram tomates, pimentas e árvores frutíferas. Desenvolveram ainda um líquido natural para afastar formigas, usado junto à horta. Esses trabalhos também foram apresentados na Culminância, o evento semestral das escolas integrais, quando cada grupo mostrou experimentos com autonomia e domínio dos temas.

A ideia é continuar recolhendo da horta alimentos para inserir na alimentação dos estudantes e outros professores também estão propondo ideias para a composteira e buscando relacionar com as aulas. O líquido desenvolvido para espantar as formigas protege as plantações de quiabo, milho e outros cultivares presentes na horta. É um trabalho em conjunto: professores de Ciências fazem as pesquisas e os clubistas do ‘Jovens Cientistas Kennedy’ fazem a aplicação do defensivo agrícola natural na horta.

A dinâmica do clube é realizada em equipes. O professor demanda as atividades do dia e os grupos se reúnem para começar a realização da proposta. Em geral, Ivanildo, diz que sempre instiga os alunos com um desafio e traça algumas orientações, porém o desenvolvimento das ações fica a cargo dos clubistas. Ao final de algumas aulas os alunos até produzem um relatório. 

Um dos momentos marcantes foi o dia da Culminância do ano passado. Este é um evento que acontece semestralmente nas escolas integrais com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos em disciplinas eletivas para toda comunidade. Segundo Ivanildo, cada grupo de alunos fez um experimento que haviam realizado durante o Clube e demonstraram ter se apropriado do assunto agindo de forma independente. 

O clube de ciências já era uma vontade do professor e dos estudantes, assim o projeto da Rede de Clubes veio para tirar do papel essa ideia. Os aunos são ativos e buscam a resolução de problemas, e as atividades também têm envolvido toda a comunidade escolar. Para o professor, está sendo um sonho se realizando. Uma prova disso é o empenho das  cozinheiras em separar o material orgânico para os alunos acrescentarem na composteira.

A imagem mostra um grupo grande de estudantes reunidos em um espaço coberto da escola, provavelmente participando de uma atividade prática. A maioria dos alunos está usando uniforme escolar, composto por camiseta branca com detalhes azuis e calça azul. Eles estão agachados ou sentados no chão, lado a lado, formando uma longa fileira. À frente de cada grupo de alunos, há carrinhos artesanais feitos com materiais simples e recicláveis (como palitos, tampinhas e bexigas), sugerindo uma atividade de construção de carrinhos movidos a ar (balões inflados). Alguns alunos seguram ou preparam balões para os carrinhos, demonstrando entusiasmo e concentração. Ao fundo, observa-se parte do pátio da escola com piso de cimento, árvores e muros azuis. Também há alguns estudantes em pé. A atmosfera é descontraída, colaborativa e educativa.
Foto do Clube de Ciências Jovens Cientistas Kennedy com a produção de carros autônomos (foto/arquivo pessoal)

Desafios e planos futuros 

A expectativa está na liberação da verba para a compra de itens, como as sementes e outros materiais necessários para dar andamento aos projetos do Clube. Nos planos também está a apresentação do robô semeador movido a energia solar na FIciencias 2025 – Feira de Inovação das Ciências e Engenharias. O projeto foi aprovado e será também enviado para concorrer ao prêmio Agrinho de 2025 (do sistema FAEP).

Os alunos e o professor pretendem testar outras formas de composteiras, além de elevar a altura da horta atual e ampliar as plantações no espaço da escola. Fazer uma jardinagem para embelezar a vista da quadra também é um projeto. E na robótica, o sonho é montar um irrigador automático que detecta a diminuição da umidade da terra e aciona a água quando necessário.

Para o professor Ivanildo, a beleza desse trabalho está em observar o desenvolvimento dos estudantes. “Precisamos fazer adaptações nas atividades em virtude da mentalidade por vezes acelerada dos alunos, mas a potência de plantar essa ideia de que a ciência é legal e que ela move a sociedade é muito interessante”, comenta.

Também representa para o educador uma oportunidade de realização pessoal, em poder transmitir parte dos seus conhecimentos para os estudantes. “É uma forma de oferecer novas oportunidades de como aprender ciência e relacioná-la com a vida”, conclui.