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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

A robótica na prática rural: estudantes aplicam projeto tecnológico em manejo de abelhas e promovem intercâmbio entre projetos de União da Vitória

A imagem mostra um protótipo de colmeia inteligente, feito principalmente de madeira, colocado sobre uma mesa de madeira clara. No interior e nas laterais da colmeia, estão conectados diversos sensores eletrônicos, com fios coloridos ligados a um microcontrolador e a pequenos módulos de monitoramento. Na parte externa, há pequenas luzes indicadoras acesas em azul e vermelho. No canto esquerdo da colmeia, há um arranjo de flores artificiais amarelas, possivelmente simulando um ambiente natural para as abelhas. Alguns adesivos de abelhas estão colados nas superfícies da madeira.
Protótipo de colmeia inteligente, apresentada pelas alunas do Colégio Estadual Túlio de França aos clubistas da Casa Familiar Rural (Foto/Apis Club)

O Apis Club, da Casa Familiar Rural de União da Vitória recebeu as visitantes do projeto de Robótica do Colégio Estadual Túlio de França, um clube de ciências da mesma cidade. No encontro, as alunas do clube visitante, acompanhadas por suas professoras, apresentaram ao Apis Club a “Colmeia Inteligente”, um dispositivo que monitora o ambiente das abelhas. 

Construído pelas estudantes Ísis, Júlia, Letícia e Pâmela, o dispositivo inteligente mede a quantidade de luz, umidade, ruído e até de gases – como os agrotóxicos – para controlar esses parâmetros dentro da colmeia. A tecnologia foi criada a partir de um kit de robótica e da plataforma Arduino.

A foto mostra o grupo de estudantes reunidos em torno de uma mesa dentro de uma sala de aula, observando atentamente. Na mesa, há um o protótipo da colmeia inteligente, com fios e uma pequena tela ou display aceso. Ao fundo, há um quadro negro com escrita parcialmente apagada e um monitor ligado mostrando a tela inicial de um computador. A atmosfera sugere um momento de demonstração ou experimentação prática, com engajamento dos participantes.
Alunas do projeto de robótica apresentam sua pesquisa aos clubistas do Apis Club (Foto/Apis Club)

Para o professor Olaf, coordenador do Apis Club na Casa Familiar Rural, o encontro foi importante para que os clubistas pudessem pensar em outras possibilidades de estudos relacionados às abelhas, especialmente com o uso de recursos eletrônicos e de inteligência artificial.

A professora Vanessa, orientadora do projeto de robótica visitante, também falou sobre a visita: Nós gostamos bastante. Percebemos que podemos, futuramente, fazer mais trocas de experiências. As alunas acharam muito bacana conhecer a realidade da escola e destacaram que foi muito bom apresentar um pouco do estudo delas para alunos que, assim como elas, estão na fase da pesquisa”, explicou.

Os estudantes da Casa Familiar fizeram questão de olhar o protótipo de perto (Foto/Apis Club)

A troca de experiências entre os dois projetos permitiu que os estudantes percebessem como diferentes áreas do saber podem se complementar, ampliando a compreensão sobre o manejo com as abelhas. Além disso, mostrou que a pesquisa científica ganha força quando se alia à inovação, criando caminhos para projetos futuros que valorizam tanto o conhecimento do campo quanto o avanço tecnológico.

Os clubistas atuaram em diferentes funções para construir o robô que entrou em ação na arena

Um grupo de nove integrantes da equipe de robótica Nautilus Robotics #31442 está reunido em um espaço coberto de competição. Eles vestem uniformes azuis estampados com o logotipo da equipe e o número de identificação, posando lado a lado atrás de uma mesa de apoio. Sobre a mesa, há uma caixa de ferramentas preta com travas amarelas, uma placa de madeira gravada com o nome da equipe e uma grande faixa branca com o número 31442 em destaque. Ao fundo, banners coloridos de outros times e a estrutura metálica do ginásio completam o cenário, reforçando o ambiente de torneio de robótica.
Equipe reunida com a bandeira do clube no evento (Foto/ Emilly Oliveira)

Para os integrantes do ‘Nautilus Robotics’, Clube de Ciência do Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, em Pinhais, a estreia na Off Season das Araucárias representou a primeira experiência em um evento de robótica educacional. O torneio, voltado ao fortalecimento das equipes de FTC (FIRST Tech Challenge) do Paraná e do Brasil, foi realizado na primeira semana de setembro, em Curitiba, e reuniu grupos de diferentes regiões do estado e de outros locais do país em uma programação que envolveu troca de conhecimento, competição e momentos de descontração.

Os clubistas de Pinhais viveram o evento com expectativa, diversão e descobertas que já vinham sendo cultivadas no laboratório durante a preparação. Na competição, esses elementos se intensificaram e ganharam novas dimensões. O clima, por exemplo, surpreendeu os integrantes. Ruan descreveu o momento como único. “Eu achei magnífico, foi sensacional. Eu nunca imaginaria participar de algo assim, mas gostei demais.” Para ele, a estreia superou suas projeções. “Minha expectativa era pilotar o robô e ficar em 9º, mas acabamos em 4º lugar! Para mim foi um feito muito massa, ainda mais na primeira vez.”

Se, para Ruan, a surpresa esteve no resultado, para Samuel o destaque foi a vivência completa que a competição proporcionou. “Foi uma sensação única. Trabalhar com um robô, tanto na parte de construção quanto na programação e ainda ser jogador, é extremamente legal. Eu diria que é uma emoção que não tem como descrever”, afirmou. Ele acrescentou que suas expectativas se confirmaram: “Para um primeiro campeonato, o 4º lugar só deu mais vontade de participar de muitos outros.”

O resultado alcançado reflete a rotina de aprendizado e preparação dos clubistas, que, divididos em equipes, construíram juntos o projeto, superando obstáculos individuais e coletivos. Na montagem, por exemplo, a paciência se mostrou essencial. “Às vezes é preciso desmontar tudo e montar de novo por causa de uma única peça”, conta João, integrante dessa equipe. Para Diuliano, um dos maiores desafios foi lidar com o coletivo. “Uma das coisas que eu tive que aprimorar foi a questão do trabalho em grupo.” Já Sarah, acrescentou outra dimensão do aprendizado: Aprender a ouvir mais. “Eu quis fazer do meu jeito e não deu muito certo”, disse entre risos. Essa experiência dentro do clube também se somou a apoios externos, fundamentais para a preparação da equipe.

Após o coordenador do clube, professor Guido Valmor Buss, inscrever o projeto dos participantes em um edital de incentivo à robótica educacional, promovido pela empresa StemOS, o grupo recebeu um kit completo de peças. O material deu fôlego extra aos trabalhos já em andamento no laboratório. Além disso, a equipe contou com a mentoria do Clube Acrux Robocep, do Colégio Estadual do Paraná, cuja experiência ajudou a orientar a montagem e fortalecer a preparação. Esses apoios reforçam que a robótica educacional se desenvolve em rede, com clubes, escolas e instituições compartilhando conhecimentos.

Para os estudantes, foi no percurso, entre peças, fios, códigos e apresentações que a ciência se revelou como prática coletiva, feita de cooperação, desafios superados e conquistas compartilhadas. Mais do que um resultado na arena, a participação na Off Season das Araucárias consolidou-se como um marco para o Nautilus Robotics e mostrou que o conhecimento desenvolvido no cotidiano do clube pode ganhar novas dimensões.