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O Clube ‘Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’, dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

A imagem mostra uma sala de aula onde um grupo de estudantes, todos usando camisetas brancas, está reunido em torno de uma mesa retangular. Ao fundo, há um quadro verde e um cartaz na parede com o título “Clube de Ciências”, que traz ilustrações relacionadas à reciclagem e reaproveitamento de plástico. À esquerda, na frente da imagem, o professor sorri para a câmera, tirando uma selfie com os alunos. Os estudantes estão sentados em grupos, alguns segurando tablets e outros cadernos, e parecem engajados na atividade.
Foto dos clubistas e do professor coordenador Jonathan José de Oliveira Pereira, no clube ‘Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’ (Foto/ Arquivo Pessoal)

Transformar garrafas PETs em toucas e cachecois para distribuir entre instituições assistenciais ou grupos que realizam este serviço é o objetivo do Clube Robótica, Sustentabilidade, Solidariedade em Ação, da Escola Estadual Professor Giampero Monacci, em Itambé. Sob coordenação do professor de arte Jonathan José de Oliveira Pereira, o nome do grupo surgiu a partir da proposta de unir os interesses dos alunos por equipamentos tecnológicos com o tema da sustentabilidade e também com a ação social.

Com treze integrantes do oitavo e nono ano, o grupo começou os estudos a partir dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e os processos de sustentabilidade. O professor explica que após uma introdução teórica, utilizou o site ‘Cada Gesto Educa’, do banco Sicredi e “eles começaram a jogar na plataforma, o que foi bem interativo”.

Já nas primeiras atividades do grupo, os alunos observaram, acompanharam e pesquisaram sobre a coleta dos materiais recicláveis na comunidade – na escola, na rotina dos pais, dos demais alunos e de vizinhos – buscando entender como a comunidade tem costume de separar estes materiais.

O clube também refletiu sobre como transformar esses recursos para que retornem à natureza de uma outra forma. Assim, chegou-se à proposta de, a partir da robótica, transformar os plásticos das garrafas PETs em fios de lã sintética. Nesse processo, os clubistas realizaram o levantamento dos materiais e também firmaram uma parceria com uma empresa de reciclagem.

O primeiro passo na reutilização de garrafas PETs, é transformá-las em flake – que são os PETs triturados. Jonathan explica que a empresa parceira tem essa máquina e irá fornecer o material para o clube. “Para nós foi uma ótima ajuda, porque é necessário muitas garrafas PETs para se conseguir os fios. Assim, nós ficaremos responsáveis pelo processo de transformação dos flakes em fios”, explica Jonathan.

Com a chegada do material necessário para dar início à parte prática do Clube, o professor pretende usar uma máquina de algodão doce adaptada para aquecer os flakes e com a força centrífuga, conseguir fazer os fios. O objetivo é utilizar os fios obtidos para produzir gorros e cachecóis e assim cumprir a ação social de distribuí-los. 

O Lar das Mães Solteiras do município é um dos locais que devem receber a doação destes itens. “A gente quer retirar esse plástico e transformá-lo em um bem social. Esse é o estudo. Além da robótica, que é o intuito principal com esse maquinário: realizar uma automação para ter uma linha de produção, transformando os flakes em fios sintéticos”, reforça o coordenador do clube.

Momentos especiais

Entre os momentos especiais para o clube, o professor destaca as ocasiões a seguir. O primeiro foi acompanhar o processo para a produção dos flakes com a empresa parceira. “Os clubistas amaram e ficaram impressionados com a maneira que tudo era feito”, relembra Jonathan. Também conheceram o ‘CTR Itambé – Tratamento e Destinação Final de Resíduos’, que é responsável por dar uma destinação final adequada aos resíduos gerados, com o compromisso de melhorar a qualidade ambiental e manter a saúde pública preservada.

Além das visitas, outro momento marcante foi a participação dos clubistas na ‘Olimpíada Restaura Natureza’, um evento no leito do Rio Keller. Neste dia, eles primeiramente foram até a Cocari, que é uma empresa seletora de grãos, responsável por doar 400 mudas de árvores nativas da cidade para serem plantadas às margens do rio, pelos próprios alunos. “A gente fez essa parceria, porque eles também têm projetos de sustentabilidade. Foi realmente no leito do rio, os clubistas entraram no Keller e utilizaram a própria água para regar e plantar”, conta Jonathan.

As aulas de todas as quintas-feiras também são de muita aprendizagem para os estudantes. Cada conteúdo é preparado seguindo a ordem dos materiais já trabalhados até o momento. Por exemplo, após a visita, o grupo fez todo o estudo do que foi aprendido com os materiais recicláveis. O professor solicitou que eles fizessem mais pesquisas a respeito dos elementos e as suas densidades. Assim, o grupo avança  de maneira gradativa e cada encontro é preparado como uma continuação do que eles já estão realizando.

O professor do clube reafirma o quanto o tema do clube o interessa: o que mais o motiva em relação a esse trabalho com o clube é a sustentabilidade. “Inclusive pelos os próprios alunos”, defende o docente. “Porque eles estão vendo como é importante! Como na atividade do plantio, eles viram que as árvores embelezam o local, fornecem oxigênio para nós, além deles saírem um pouco do mundo virtual e se reconectarem com o real, é muito bom” conclui.

Entre os próximos planos do clube estão ver a ideia criar vida e funcionar na prática, para assim, poderem futuramente fazer uma campanha de doação dos produtos obtidos com os fios sintéticos para quem mais precisa. Espera-se também poder quantificar esses dados que vão obter a partir da lã feita de garrafas PETs.

Conheça os projetos do Clube Dengue Bot, do Colégio Estadual Vereador José Balan

A foto é dos alunos do Clube Dengue Bot do Colégio Estadual Vereador José Balan de Umuarama com projetos finalistas no FENAAH/S. A imagem mostra um grupo de pessoas posando em frente a um muro verde com uma placa do Colégio Estadual Vereador José Balan. Ao fundo, há uma grande pintura com o logotipo "CJB" em destaque, seguido do nome completo da escola em letras grandes e pretas. O grupo é composto por 13 pessoas, incluindo jovens e dois adultos. À esquerda da imagem, uma mulher de casaco vermelho e cachecol preto está sorrindo, ao lado de vários estudantes. À direita, outro adulto, de barba e vestindo jaqueta escura, também posa ao lado dos alunos. Todos estão agasalhados, sugerindo que a foto foi tirada em um dia frio. O clima é de descontração e união.
Alunos com projetos finalistas na FENAAH/S (Foto/Arquivo pessoal)

Em Umuarama, o Clube Dengue Bot, do Colégio Estadual Vereador José Balan, teve três projetos finalistas na Feira Científica do Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação (FENAAH/S), da SEED (Secretaria de Estado de Educação) do Paraná. O evento ocorre entre os dias 11 e 13 de novembro, em Foz do Iguaçu. 

A feira tem por objetivo proporcionar trocas de vivências entre professores e entre os estudantes dos programas de Altas Habilidades/Superdotação do Paraná. Também é uma maneira de incentivar e dar maior visibilidade a projetos elaborados por eles, por meio de apresentações dos trabalhos de Iniciação Científica.

O professor coordenador do clube, Maikon Douglas Schmidt, conta estar muito feliz com o resultado. “Foi uma alegria imensa quando recebemos a notícia de que os alunos foram selecionados como finalistas da FENAAHS. Eles ficaram radiantes! Muitos comemoraram, sorriram, vibraram — foi realmente um momento muito especial para todos nós”, afirma.

Conforme o professor Maikon, isso foi possível graças à dedicação dos estudantes. “É o reconhecimento de todo o esforço e o comprometimento que eles colocaram no projeto desde o início. Como professor e orientador do clube, me sinto extremamente orgulhoso. Acompanho de perto cada etapa, cada desafio superado, e ver esse resultado é muito gratificante. Ser finalista em uma feira tão importante como a FENAAHS mostra que nossos alunos têm talento, criatividade e capacidade de transformar ideias em soluções reais. Essa conquista fortalece a confiança deles e inspira toda a comunidade escolar”.

Os três projetos aprovados são:

A imagem é um cartaz de divulgação de um dos projetos finalistas da IV FENAAH/S 2025. O layout segue um padrão colorido e educativo, com moldura decorada por ícones científicos como átomos, engrenagens, tubos de ensaio, livros, lâmpadas e lupas. No centro, em destaque, está escrito: "Projeto Finalista 2025". Logo abaixo, em letras roxas, aparece o nome do projeto: "Desenvolvimento de maquete inteligente para avaliação da reutilização da água da chuva em ambiente escolar com arduino UNO e ESP32". Abaixo do texto, há uma fotografia de três estudantes em pé. Eles posam sorrindo, representando o projeto finalista. Na parte inferior, centralizado, aparece o nome "Umuarama", indicando a cidade de origem da equipe. O cartaz combina elementos visuais jovens, modernos e científicos.
Alunos do projeto “Desenvolvimento de uma maquete inteligente para avaliação da reutilização da água da chuva em ambiente escolar com Arduino Uno e ESP32” (Foto/Arquivo pessoal)

O primeiro projeto realizado pelos estudantes do oitavo ano Antônio Carlos Vigarin Scantamburlo, Luiz Otávio Cabral Tis e Victor Emanuel dos Santos da Silva, é uma maquete de um dos blocos da escola com a intenção de simular um sistema de captação e reutilização da água da chuva. Na maquete, conforme escala proposta, cada um centímetro equivale a um metro (real). Segundo o professor Maikon, “os clubistas demonstram na prática como a água da chuva que cai sobre o telhado pode ser coletada, armazenada e reaproveitada de forma inteligente”. 

A maquete tem sensores conectados ao Arduino Uno e ao ESP32, que monitoram, por exemplo, o nível da água no reservatório, a umidade do solo para uma possível irrigação, além de sensor de chuva para abrir e fechar o reservatório. Neste projeto também é demonstrado uma simulação do uso da água, como para reuso, irrigação de jardins, descarga e lavagem do pátio da escola. 

Os clubistas pretendem realizar cálculos estimando a quantidade de volume de água que pode ser captado, com base nos dados da chuva da região e nas dimensões do telhado. Com o resultado, eles irão avaliar o potencial de redução na conta de água, ou seja, o impacto que esse sistema realizaria ao colégio. 

Além disso, o professor conclui que “o projeto envolve conceitos como sustentabilidade, a partir da utilização de materiais recicláveis, robótica, programação e incentiva os alunos a pensarem em soluções reais para os desafios ambientais”.

A imagem é um cartaz de divulgação de um projeto finalista da IV FENAAH/S 2025. O fundo é branco, com uma borda colorida composta por ícones de ciência, como frascos de laboratório, engrenagens, átomos, livros, lâmpadas e outros símbolos relacionados ao conhecimento. No centro do cartaz, em letras roxas, está o título: "Projeto Finalista 2025". Logo abaixo, em letras maiúsculas, está o nome do projeto: "Desenvolvimento e aplicação de um jogo educativo de matemática no SCRATCH com temática de animes para o ensino de divisão". Abaixo do texto, há uma fotografia com três alunos, em pé. Eles estão sorrindo e posando para a foto, representando sua equipe. Na parte inferior do cartaz está escrito "Umuarama", indicando a cidade de origem dos estudantes. O cartaz tem um estilo jovem, com elementos gráficos vibrantes e educativos que remetem ao ambiente escolar e científico.
Alunos do projeto “Desenvolvimento e aplicação de um jogo educativo de matemática no Scratch com temática de animes para o ensino de divisão” (Foto/Arquivo pessoal)

O segundo projeto finalista, elaborado pelos alunos do sétimo ano: Gabriel Mateus Dalbosco de Almeida, Breno Gabriel Tavares Martins e Kauan Ribeiro, foi um jogo inspirado no universo do anime Naruto, com o objetivo de desenvolver a operação de divisão.

Segundo o professor, “entre as quatro operações da matemática (adição, subtração, multiplicação e divisão), talvez essa seja a que os alunos apresentam maior dificuldade”. Conforme Maikon, esse projeto também visa atender os alunos da sala de recursos.

O jogo foi desenvolvido no Scratch – uma linguagem de programação visual elaborada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), projetada para crianças e jovens aprenderem os conceitos básicos de programação de maneira participativa. Por isso eles utilizaram a linguagem dos animes e da programação. Os clubistas elaboraram fases, dicas e desafios que envolveram a conta de dividir de forma lúdica e interativa. 

“Essa proposta estimula tanto o raciocínio lógico quanto a criatividade promovendo o protagonismo desses alunos clubistas, ao passo que estimula a aprendizagem dos estudantes que apresentam dificuldade”, diz o professor.

A imagem é um cartaz de divulgação de um projeto finalista da IV FENAAH/S 2025. O cartaz tem um fundo branco com moldura colorida decorada com ícones de ciência, como átomos, engrenagens, frascos de laboratório, livros e lâmpadas. No centro, em letras roxas, está escrito: "Projeto Finalista 2025” e “Protótipo de um robô autônomo para o auxílio no combate à dengue no ambiente escolar”. Abaixo do texto, há uma foto de três estudantes (dois meninos e uma menina) em frente a uma parede com inscrições parciais. Eles estão em pé, lado a lado, representando o projeto. Na parte inferior do cartaz está escrito "Umuarama", indicando a cidade de origem do grupo. Elementos gráficos como respingos de tinta, ícones científicos e cores vibrantes tornam o cartaz visualmente atrativo e voltado ao público jovem.
Alunos do projeto “Protótipo de um robô autônomo para o auxílio no combate à dengue no ambiente escolar” (Foto/Arquivo pessoal)

Desenvolvido por alunos clubistas do nono ano: Gustavo Lima de Araújo, Gustavo Dosso Francischini Da Silva e Ana Júlia dos Santos França, o terceiro projeto produziu um robô autônomo para auxiliar no combate à dengue no ambiente escolar.

Esse robô possui sensores de obstáculos que permitem sua movimentação independente pelos espaços da escola – como corredores, salas de aulas e pátios. Além disso, ele dispersa uma solução de citronela enquanto se movimenta. Essa substância natural ajuda a repelir o mosquito Aedes aegypti. Conforme o professor, o protótipo está sendo testado no ambiente escolar e a ideia é unir tecnologia e educação para promover a prevenção da dengue de forma prática e inovadora. 

Aliado ao teste do robô, Maikon explica que os alunos estão desenvolvendo armadilhas de mosquitos seguindo a metodologia da Fiocruz. As armadilhas se chamam ovitrampas. “Essa armadilha será um pote e uma paleta de Eucatex, nós iremos colocar no pote uma solução de levedura de cerveja que irá atrair a fêmea do mosquito que estiver por perto. Essa fêmea vai depositar ovos nessa paleta. E a partir da contagem de ovos a gente vai ter um indicativo da quantidade de mosquitos na região”, explica. 

Além disso, o professor expõe que para os próximos passos, serão montados dois grupos de experimento, sendo um experimental e outro de controle, em uma sala de aula que terá influência do robô e a outra que não terá. A partir dessa estratégia, o clube conseguirá  levantar dados sobre a eficiência do robô no combate à dengue no ambiente escolar.

Os protótipos incluem varal automático assistivo, semáforo inteligente, mão robótica e caixa de cultivo automatizada

Dois alunos em uma sala de aula trabalhando em um projeto de robótica. Eles estão em pé em volta de uma mesa redonda branca, que possui sobre ela dois carrinhos de controle remoto ou protótipos de veículos. Um deles é vermelho com rodas amarelas, já montado e com aparência de brinquedo pronto; o outro está em processo de montagem, com fios, componentes eletrônicos e estrutura exposta. Na mesa também há ferramentas e materiais.
Os alunos do Clube Riso aprendem Robótica de forma divertida (Foto/Arquivo pessoal)

O Clube Riso, do Colégio Estadual Manoel Antônio Gomes, em Reserva, está usando tecnologia e metodologias Maker para desenvolver a autonomia, inclusão e habilidades sociais. Os estudantes utilizam a robótica assistiva para suprir a demanda de estratégias inovadoras para melhorar o desempenho e o engajamento dos alunos. Além disso, eles pretendem aumentar a qualidade de vida de pessoas com deficiência.

O Clube é articulado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), no NAPI-Paraná Faz Ciência, com reuniões às quartas-feiras, à tarde. Com interesse na área de Robótica, a equipe reúne alunos desde o 9º ano do Ensino Fundamental até o 2º ano do Ensino Médio.

A imagem mostra um grupo de jovens em uma sala de aula, trabalhando em atividades práticas relacionadas à eletrônica. No primeiro plano, à esquerda, uma estudante está sentada, concentrada em manusear fios elétricos. Sobre a mesa à sua frente há um grande emaranhado de cabos coloridos, provavelmente utilizados em circuitos. Ao fundo, três rapazes estão em pé, colaborando em algum trabalho manual com fios ou componentes.
Os estudantes aprenderam a manusear fios e componentes eletrônicos (Foto/Arquivo pessoal)

Dentre os protótipos, destaca-se o varal automático assistivo, que chegou a ser construído para apresentação. Entretanto, devido às reformas na escola e à ausência de espaço adequado para armazenamento, a maquete precisou ser desmontada. Já os demais protótipos, como o semáforo inteligente assistivo, a mão robótica com Arduino e a caixa de cultivo automatizada, estão na fase de pesquisa inicial.

A imagem mostra quatro estudantes; dois deles, à esquerda, estão apenas observando, enquanto o terceiro, de óculos e casaco preto, manipula uma maquete apoiada sobre duas carteiras escolares. A maquete representa uma casa com telhado, cercas e estruturas anexas, sugerindo um projeto escolar de arquitetura, urbanismo, ciências ou tecnologia. À direita, uma aluna de blusa branca com listras pretas também observa atentamente a apresentação.
A maquete do “Varal Dona Maria” foi feita pelos próprios alunos (Foto/Arquivo pessoal)

O avanço dos dispositivos foi temporariamente interrompido, pois a sala de Robótica começou a ser reformada. Além disso, há a necessidade de alguns equipamentos fundamentais, a exemplo da impressora 3D, cortadora a laser e outras ferramentas indispensáveis para a construção da parte física dos modelos.

Com este contratempo, o clube desviou momentaneamente do planejamento original e direcionou esforços para a construção de um carrinho de sumô controlado por Bluetooth, utilizando a placa ESP32, bem como de um carrinho seguidor de linha.

A turma se organizou em equipes para as competições: quatro alunos irão compor a equipe responsável pelo Robô Sumô e outros quatro integrarão a equipe do Robô Seguidor de Linha. Ainda assim, todos os demais estudantes permanecem envolvidos, seja por meio de discussões técnicas, sugestões de melhorias ou apoio no processo de testes e ajustes.

Próximos passos

De acordo com a professora Janinha Aparecida Pereira, coordenadora do clube, as etapas de pesquisa e programação já estão em estágio avançado. Nas palavras dela, “o primeiro passo será a reconstrução da maquete do Varal da Dona Maria, seguido da organização dos estudantes em grupos para o desenvolvimento dos demais projetos: semáforo inteligente assistivo, caixa de cultivo automatizada e mão robótica.”

Com a conclusão da reforma do laboratório de Robótica e as inscrições para os novos integrantes do clube a partir do próximo ano letivo, Janinha também espera ampliar a participação dos estudantes.

A coordenadora do projeto acrescentou que o eixo central de todos os protótipos será sempre promover a qualidade da vida de todas as pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos, “reafirmando o compromisso social e inclusivo que fundamenta o projeto”.

A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em uma sala, celebrando uma confraternização. Na frente, há uma mesa redonda com comidas e bebidas. Algumas pessoas estão em pé atrás da mesa, enquanto outras estão sentadas ou agachadas à frente, todas sorrindo e olhando para a câmera. A maioria veste camisetas pretas ou brancas com o mesmo logotipo, indicando que fazem parte do projeto ligado à robótica (há a palavra ROBO em algumas camisetas). Duas mulheres, à direita, usam camisetas diferentes — uma amarela e outra branca, e parecem ser professoras ou responsáveis. No fundo da sala, há armários, prateleiras com equipamentos e caixas organizadas. Também se vê um notebook aberto sobre uma mesa lateral.
Alunos do Clube Riso em confraternização da turma (Foto/Arquivo pessoal)

O que os alunos acham?

Para a aluna Rafaela, do 1º ano A, os projetos ajudam a desenvolver várias habilidades que poderão ser usadas no mercado de trabalho, como saber trabalhar em equipe e resolver problemas. A estudante Bárbara, da mesma turma, também vê perspectiva futura na área de Robótica, inclusive quando imagina o Ensino Superior ou uma profissão relacionada com os projetos que desenvolvem no Clube de Ciências.

Já o aluno Luís Guilherme, do 2º ano B, afirmou que as notas melhoraram após a entrada no projeto, como Matemática e Ciências, o que o motivou com a escola. O estudante Cadu, do 1º ano A, também viu melhoria nas notas, principalmente nas disciplinas de Português e Ciências.

A imagem mostra um jovem trabalhando em um projeto eletrônico sobre uma mesa. No centro da cena há diversos fios coloridos conectados a uma protoboard e a uma placa Arduino, indicando uma atividade de programação e montagem de circuito. Também aparecem outros materiais e componentes, usados para programar ou monitorar o sistema. Outros dois alunos estão ajudando e observando. O ambiente transmite a ideia de um trabalho prático de robótica ou eletrônica aplicada, combinando programação, montagem e testes experimentais.
Clubistas trabalhando em um projeto eletrônico (Foto/Arquivo pessoal)

Nas palavras de Vitor, do 2º ano A, “o Clube mudou toda a minha visão sobre pesquisa, pois comecei a fazer com mais frequência. Assuntos que eu tinha mais interesse, eu comecei a conversar com os meus amigos. A pesquisa, realmente, foi o ponto mais forte que eu percebi que desenvolvi”. Ele gostou, mesmo, de programar.

Heitor, do 9º ano A, disse que ele e os amigos começaram a pesquisar mais em casa, ver mais vídeos, tutoriais e até compartilhar ideias entre o grupo. “E até a conversa não era só sobre jogos ou zueira, mas também sobre projetos e tecnologia”, contou.

Robótica, sustentabilidade e ciência são os temas que unem os quatro projetos

Foto dos clubistas e do professor coordenador do Clube ‘Robótica e Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’ no dia da apresentação da culminância do primeiro semestre de 2025. A imagem mostra um grupo de estudantes posando juntos em uma sala de aula decorada. No teto, há tiras de papel verde penduradas, simulando folhas ou plantas, criando um clima de natureza. Ao fundo, um projetor exibe a frase “Clube de Ciências”, acompanhada de ilustrações de pessoas. Na frente, três mesas estão cobertas com toalhas brancas e têm cartazes escritos “1ª Etapa”, “2ª Etapa” e “3ª Etapa”, decorados com desenhos de folhas verdes. Sobre as mesas há materiais usados em experimentos, como garrafas plásticas - PET, uma bacia com flakes, um pote com corante, fios de lã, touca e cachecol e outros objetos. Os estudantes sorriem e posam para a foto, transmitindo um clima de trabalho em grupo e entusiasmo pelas atividades do clube de ciências.
Alunos do clube ‘Robótica e Sustentabilidade, Solidariedade em Ação’, um dos selecionados para expor na FIciências, durante o dia da apresentação da Culminância do primeiro semestre de 2025 (Foto/ Ana Carolina Arenso Barbosa)

Entre os dias 21 e 25 de outubro, em Foz do Iguaçu, será realizada a Feira de Inovação das Ciências e Engenharias – Ficiências 2025. O evento busca incentivar a cultura científica, estimular os estudantes a desenvolverem trabalhos, além de premiar os melhores projetos. A inscrição é gratuita e a ideia é que o local seja um ambiente de trocas entre alunos e professores. 

Na submissão dos trabalhos para a feira, foram estabelecidas modalidades. A Ficiências Jovem, para exposição de trabalhos produzidos por estudantes do Ensino Médio e/ou da educação profissional técnica de nível médio; a Ficiências Júnior, com exposição de projetos de alunos do Ensino Fundamental II; e por fim, a Ficiências Kids, que é uma mostra pedagógica de trabalhos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I. 

Além dessas categorias, o Hackateens também terá lugar no evento para incentivar ideias de resolução de problemas reais por meio de conhecimento científico partilhado e empreendedor. Espera-se que a elaboração de soluções contemple os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Aos professores, é reservada uma titulação, nomeada de Professor Embaixador.

Os clubistas dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Maringá e Umuarama estarão presentes com quatro projetos, os quais permeiam temáticas de sustentabilidade, robótica e alimentação saudável. Dos trabalhos, três são da categoria júnior e um da categoria jovem.

No NRE-Umuarama, dois projetos foram aprovados. Dentre eles, o trabalho ‘Educação alimentar e sustentabilidade: desenvolvimento de produtos de panificação com alimentos de baixa aceitação na merenda escolar’ realizado no Clube Experimentando a Ciência: Descobrindo Cores e Novos Sabores, da Escola Estadual Jardim Canadá. Conforme a professora coordenadora Juliana Bueno Ruiz, o projeto tem como objetivo trazer uma reflexão sobre a alimentação escolar e a saúde dos estudantes. 

A intenção desse projeto da categoria júnior é discutir os impactos que a falta de nutrientes pode causar na saúde dos estudantes e a importância da merenda escolar trazer receitas e alimentos com diferentes nutrientes e sabores. Os clubistas também irão utilizar tecnologias para desenvolver simuladores virtuais e jogos analógicos e virtuais com foco na educação alimentar. Entre as temáticas que unem a proposta estão a sustentabilidade, tecnologia e protagonismo juvenil.

Em Altônia, o projeto aprovado na categoria jovem ‘Clube Ilha da Ciência: Plantar para preservar’ foi desenvolvido pelo Clube Ilha da Ciência e busca construir um viveiro de mudas nativas, em formato piramidal, utilizando materiais recicláveis, como garrafas PET. O grupo do Colégio Estadual Lúcia Alves de Oliveira Schoffen, tem como objetivo colaborar com a arborização urbana e com o reflorestamento do Parque Nacional de Ilha Grande, localizado na Bacia do Rio Paraná.

A professora coordenadora, Camila de Medeiros, está contente com a participação dos estudantes na feira, “é um grande impulso para os clubistas. Demonstra que fazer ciência, apesar de não ser simples, é fundamental. Precisamos nos entender como parte do meio ambiente. Assim teremos o entendimento de que preservar é sobreviver”, afirma.

Ligados ao NRE-Maringá, foram dois projetos aprovados para a feira. O primeiro é o ‘Robô Semeador na Horta Escolar’, do Clube Jovens Cientistas Kennedy. A semeadora robótica é movida a energia solar e equipada com sensores ultrassônicos e de chuva. Sob a coordenação do professor Ivanildo Fabricio de Oliveira, o projeto busca aliar inovação com o uso de placas solares, além de promover metodologias ativas e trabalho colaborativo, possibilitando aos alunos uma melhor compreensão das aplicações da robótica educacional livre.

O grupo do Colégio Estadual Presidente Kennedy inicialmente utilizou materiais recicláveis e, após testes bem-sucedidos, evoluiu para a montagem com o Kit Arduino, da Robótica Livre. Durante a execução do projeto foram construídos quatro protótipos funcionais de semeadoras solares. Todos os modelos foram capazes de se locomover de forma autônoma – com detectores de obstáculos – e os sensores de chuva, que quando identificado condições de umidade, simulam a interrupção do trabalho em situações de chuva.

Em Itambé, os clubistas realizaram o projeto que foi aprovado na categoria júnior ‘Robótica e Sustentabilidade: Ciência, Tecnologia e Solidariedade em Ação’, do Clube Robótica e Sustentabilidade, Solidariedade em Ação. O objetivo principal é transformar garrafas PET em cachecóis, toucas e fios de lã. O processo envolve desde a separação dos materiais até a doação do gorro e cachecol para instituições assistenciais ou grupos menores que realizam esse serviço, a exemplo do Lar das Mães Solteiras do município.

Esse trabalho da Escola Estadual Professor Giampero Monacci une conceitos de robótica, sustentabilidade, ciência, tecnologia e solidariedade. Em princípio, o trabalho buscou entender como as pessoas separavam seus materiais recicláveis – principalmente a comunidade próxima à escola. Conforme o professor coordenador, Jonathan José de Oliveira Pereira, “foi a partir dessa pesquisa que o grupo descobriu uma forma de retirar os materiais pets da região e transformar isso em algo novo”. O clube também realizou uma parceria com uma empresa que realiza a coleta de material reciclável no município e doa os flakes – que são os PET triturados.