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Trabalho em rede fortalece as feiras de ciências e divulga o conhecimento científico

Por: Silvia Calciolari

Curso de formação promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência permite troca entre professores e gestores de vários estados

Curso de formação de feiras de ciências promovido pelo NAPI Paraná Faz Ciência (Imagem)

Feiras de ciências promovem o ensino por investigação, nem sempre possível de ser aplicado no cotidiano da sala de aula, e acontecem devido ao compromisso dos gestores, professores e alunos, uma base teórica e pedagógica e ao apoio financeiro. A partir dos clubes de ciências, que orientam a observação de fatos do cotidiano e promovem o pensamento crítico e a metodologia científica, será possível ter feiras de ciências robustas onde o aluno é o protagonista.

Este é o pensamento que compartilham os mais de 100 participantes do curso on-line de formação em feiras de ciências promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência. Realizado na noite de quinta-feira, 23, as duas palestras do segundo eixo foram sobre ‘Metodologias investigativas e projetos científicos na Educação Básica’. 

“Ao propor o curso, nós já sabíamos que era grande o interesse para aprender sobre como organizar e promover feiras de ciências, ou aprimorar práticas para algumas pessoas. Porém, o interesse nos surpreendeu positivamente e irá, com certeza absoluta, fortalecer a realização de eventos científicos no Paraná, e também no país”, enfatizou a articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, professora da Universidade Estadual de Maringá, Débora de Mello Sant’Ana. 

Com o objetivo de oportunizar a troca de conhecimentos e experiências, além de consolidar a Rede de Feiras Paraná Faz Ciência, o curso demonstra que muitos professores e gestores estão dispostos e, de certa forma, ansiosos para implantar os conteúdos ofertados pelos organizadores em seus territórios.

Novos aprendizados e a troca de experiências tem sido a tônica do curso de formação

Método próprio

“As feiras de ciências não brotam do nada. Não importa a idade, todos podem desenvolver projetos investigativos desde que seja respeitada cada etapa do estudante e sua capacidade de planejar um estudo e registar nos diários de bordo. Do Fundamental I e II, que chamamos Kids, ao Jovem, que vai até o final do Ensino Médio, as feiras de ciências são espaços de exposição do aprendizado científico do que eles produzem a partir do que vivenciam na sua realidade”, enfatizou a professora Edinalva Oliveira. 

Doutora em Ciências Biológicas e integrante da Rede de Clubes Paraná Faz Ciências e do Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), Ednalva trouxe para o curso a sua experiência com os clubes e feiras de ciências realizadas no Paraná  exemplos de projetos que podem inspirar outros jovens talentos. Também enfatizou que o PICCE é um programa desenvolvido pelo NAPI Paraná Faz Ciência, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), e oferece gratuitamente 22 protocolos para os alunos experienciarem a ciência. 

O objetivo do programa é popularizar a ciência, criando metodologias de ensino e de aprendizagem das ciências mais articuladas com os conhecimentos contemporâneos e a inovação, sem esquecer a realidade de cada aluno e escola. 

Ciência e vida

Na segunda palestra, a professora Marilene de Oliveira, coordenadora da Feira de Ciências do município de Alto Alegre, de Roraima (FECIMAA/RR), falou da realidade do estado no extremo Norte do país, onde há apenas duas feiras de ciências e escassos recursos, mas muita criatividade e compromisso de professores e alunos com a ciência.

“A feira de ciências é um trabalho em rede para colocar os alunos no mundo da ciência, para estarem se apropriando de métodos, de conceitos e caminhos que eles vão seguir com os projetos”, destacou a professora de Roraima. 

Com sua longa experiência em vencer as dificuldades e oportunizar experiências produtivas e marcantes para os alunos e professores, Marlene mostrou que foi possível verificar outro aspecto neste contexto, que vai muito além da pesquisa. “A experiência de vida que eles têm é muito gratificante e se reflete no trabalho que fazemos aqui, conseguindo impactar no nível de cada na participação social, seja na Educação Básica ou no futuro”, explicou Marlene.

Apesar de viver numa região isolada, com muitos problemas sociais e ambientais, muita violência, nunca se deixa de fazer ciências. “Pelo contrário, a ciência ajuda a tirar esses meninos e meninas da área de garimpo e do crime e os transforma em escritores, pesquisadores, engajados e prontos para observar, entender e transformar o mundo que os cerca.”, disse a coordenadora. 

Marlene de Oliveira, coordenadora da Feira de Ciências do município de Alto Alegre, de Roraima (FECIMAA/RR) (Imagem)

Para ela, “trabalhar com feiras de ciências na Educação Básica não é só dar noções de pesquisa, a gente pode fazer muito mais. Depende até onde você (professor) quer ir, seus objetivos com esse conhecimento passado aos alunos”, completou a professora.

Marlene defendeu ainda que o lugar de novos doutores é na Educação Básica.”Nada contra quem quer seguir carreira na academia, mas o trabalho com crianças e jovens é a certeza de que a ciência poderá fazer a diferença para eles e a sociedade”, finalizou.