Alunos do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, vinculado à UENP, são destaque em portal nacional de educação com projeto de agrociências

No mês de abril, o Clube de Agrociências do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, que é vinculado à UENP, se destacou ao ter uma matéria publicada no Brasil Escola, um dos maiores portais de educação do país. A reportagem mostra que os alunos da escola estadual transformam resíduos de granjas em energia limpa. A matéria está disponível aqui.
Mais do que destacar o feito dos alunos, é importante entender a lógica por trás do projeto. Por Barra do Jacaré ser um município pequeno no Paraná, a presença de 46 granjas ativas incomoda a população devido ao forte odor. Estudando o problema mais a fundo, os estudantes descobriram que o mau cheiro é provocado por compostos gasosos liberados durante o processo de decomposição da “cama de frango”. A partir disso, eles decidiram desenvolver um biodigestor automatizado de baixo custo capaz de dar um destino útil a esse gás.
O QUE É “CAMA DE FRANGO”?
Nada mais é do que o resíduo gerado pela avicultura. Ela consiste no material espalhado pelo chão do galpão (geralmente maravalha ou casca de arroz) misturado com dejetos das aves, restos de ração e penas. Conforme o tempo passa, esses resíduos vão se decompondo; micro-organismos e bactérias começam a digerir a matéria orgânica e liberam compostos gasosos, como o metano.

METANO
O metano é um gás incolor e altamente inflamável. Ele por si só não tem cheiro, mas, na decomposição de materiais orgânicos, vem acompanhado de outros gases que caracterizam o odor da granja. Esse gás é a peça-chave do projeto, visto que, ao ficar retido no sistema, pode ser reaproveitado como combustível térmico ou elétrico.
COMO FUNCIONA O PROJETO?
Para tirar a teoria do papel, os estudantes usaram muita criatividade e materiais simples do dia a dia. Primeiro pensaram onde a matéria orgânica poderia ficar armazenada, daí surgiu a ideia de usar como estrutura principal os canos de PVC. Como o biogás se expande à medida que é produzido, o grupo precisou de um reservatório elástico para conter a pressão: o problema foi resolvido com a adaptação criativa de uma câmara de ar de pneu de motocicleta.
Para completar, os alunos usaram a tecnologia a favor deles. Eles instalaram um sensor de gás conectado a uma placa de Arduino (que funciona como um mini computador). Esse sistema avisa em tempo real se o gás está mesmo sendo produzido e se há algum risco de vazamento, deixando o experimento totalmente seguro.
DESPERDÍCIO ZERO
O grande diferencial do projeto desenvolvido pelo clube de ciências é o conceito de economia circular, onde absolutamente tudo se transforma! O Biogás pode ser canalizado para os queimadores das próprias granjas, substituindo a queima de lenha usada para aquecer os pintinhos no inverno.
O Biofertilizante, resíduo líquido que sobra do processo, é rico em nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) e é utilizado diretamente na horta do colégio. Por fim os restos fibrosos que sobram no fundo do aparelho estão sendo testados em misturas de solo-cimento para a fabricação de tijolos ecológicos.