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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Clube de ciências em Presidente Castelo Branco produz sabonetes artesanais a partir de plantas medicinais

Por: Carla Rabelo

Entre pesquisas, testes e descobertas, estudantes aprendem como a ciência pode estar presente em ações do cotidiano

A imagem mostra uma foto de um grupo ao ar livre, registrada em um pátio escolar. Ao centro da cena há uma grande árvore de tronco largo, que domina o fundo da fotografia e serve como ponto de referência para o grupo. Ao todo, há cerca de 30 pessoas, entre adolescentes e alguns adultos, organizadas em três fileiras. A maioria dos estudantes está em pé, enquanto alguns estão agachados ou ajoelhados na parte da frente. 
Os estudantes vestem roupas casuais e de inverno, como casacos, moletons e calças jeans ou de uniforme escolar. Alguns usam gorros e crocs. A iluminação é natural, indicando um dia claro, com sombras suaves projetadas pela árvore e pelos prédios.
O clube de ciências “Ciência no Nosso Dia a Dia,” do Colégio Maria Carmella Neves de Souza, no município de Presidente Castelo Branco (Foto/Carla Rabelo)

O clube de ciências “Ciência no Nosso Dia a Dia” investiga a presença da ciência nas atividades cotidianas. Frequentam o projeto atualmente clubistas do 8° e 9° anos, com idades entre 13 e 16 anos, do Colégio Estadual Maria Carmella Neves de Souza, que fica do município de Presidente Castelo Branco e está vinculado à Universidade Estadual de Maringá (UEM).

A proposta do clube é desenvolver habilidades relacionadas à investigação e experimentação a partir do estudo de plantas medicinais e aromáticas. Entre as atividades realizadas pelos estudantes estão pesquisas sobre propriedades das plantas, produção de sabonetes artesanais, criação de misturas de óleos essenciais, além da elaboração de embalagens e análise de custos dos produtos desenvolvidos 

A professora Arleia Figueiredo, responsável pelo clube, conta como é a relação dos alunos com o projeto. “A grande maioria dos alunos são comprometidos com o clube e alguns deles vão se desenvolvendo em diversos aspectos durante o ano letivo, como por exemplo o compromisso e a importância da pesquisa científica na nossa sociedade”, relata a docente.  

Ao longo dos anos, o papel do clube tem sido conscientizar os alunos sobre o papel da ciência na sociedade, destacando a importância dos cientistas para ajudar a solucionar problemas da nossa realidade, mostrando os processos de pesquisa e como aplicar o conhecimento científico. Nesse contexto, trabalhar com as plantas medicinais se tornou uma oportunidade para compreender como a ciência está relacionada a práticas presentes no cotidiano, por meio do ensino da saboaria artesanal, conhecendo os aromas de cada uma das plantas medicinais e quais são adequadas para o produto final sabonete.

O clubista Miguel conta que os alunos aprenderam a produzir um sabonete desde o início, partindo de pesquisas que eles mesmos realizaram; analisando plantas medicinais encontradas no próprio Colégio. A lavanda foi a planta escolhida para dar início aos experimentos por seu aroma ser mais agradável. “Nós pegamos uma pedra de sabão, derretemos em uma panela ao fogo e adicionamos corante e a essência da lavanda”, explica o estudante sobre uma das fases do processo com os sabonetes. 

As investigações passam também por entender os componentes químicos encontrados em cada uma dessas plantas. A clubista Julia relata que os estudantes pesquisaram sobre os benefícios e possíveis cuidados relacionados ao uso das diferentes espécies. “Um cartaz com essas informações foi montado e apresentado junto com o sabonete que desenvolvemos na Feira de Culminância do colégio, em junho”, conta a aluna.

Segundo a professora Arleia, a escolha do tema se deu analisando a necessidade para o desenvolvimento dos alunos e também um assunto que fosse interessante para eles. “No caso das plantas medicinais, foi uma opção de acordo com os interesses dos próprios alunos”, detalha, mencionando que o objetivo é fortalecer a alfabetização científica a partir de vivências práticas.

No dia a dia do clube as atividades são pré-estabelecidas para que haja uma participação ativa dos estudantes, pensando em dar espaço para que eles sejam protagonistas no processo. A professora atua como orientadora e mediadora durante as as atividades, porém priorizando a iniciativa dos próprios alunos. 

O clube já tem um outro projeto em andamento, uma ideia surgida da observação de problemas recorrentes na escola em relação ao descarte incorreto de lixo. O tema desse novo projeto será “Lixo, Cultura e Convivência: Uma abordagem antropológica no contexto escolar”, compreendendo o descarte de resíduos na escola a partir das representações sociais dos estudantes.