Em parceria com pesquisadores do IFPR, estudantes aplicaram protocolos científicos para investigar microplásticos, qualidade da água e avifauna do território

A praia do Balneário Riviera e o Rio Matinhos se transformaram em um verdadeiro laboratório a céu aberto para os estudantes do Clube Meganeura Caiçara, da Escola Estadual Cívico-Militar Professora Abigail dos Santos Corrêa. Em parceria com pesquisadores do Instituto Federal do Paraná (IFPR), por meio do Projeto Acostar – Observatório Escolar Ambiental Caiçara, os clubistas participaram de uma atividade prática de coleta de dados que dará origem a uma pesquisa científica desenvolvida pelos próprios estudantes.
Durante a saída de campo, os participantes foram divididos em equipes e aplicaram protocolos científicos para investigar diferentes aspectos do ambiente costeiro. Um grupo analisou a presença de microplásticos na areia, outros dois grupos avaliaram a qualidade da água e uma quarta equipe realizou a observação e o registro da avifauna local.
A atividade foi planejada para que os estudantes vivenciassem todas as etapas do método científico. Segundo a professora orientadora do Clube de Ciências, Nahyr Carneiro da Silva, os dados coletados servirão de base para ampliar a pesquisa ao longo do tempo.”Com esses registros, será possível estabelecer novas oportunidades de coleta e construir uma pesquisa científica”, explica Nahyr.

Além de técnicas de investigação, a atividade aproxima os jovens da produção do conhecimento científico. Para Sara Regina Sampaio de Pontes, docente do Instituto Federal do Paraná e coordenadora do Projeto Observatório Ambiental Escolar Caiçara (Acostar), o principal objetivo é fazer com que os estudantes compreendam como a ciência é construída e percebam que também podem produzir conhecimento. “Em primeiro lugar, temos a possibilidade de promover a pesquisa científica e fazer com que eles entendam como a ciência funciona, por meio de metodologias comparáveis e replicáveis. Em segundo lugar, oferecemos acesso a métodos de vigilância ambiental comunitária, que são aceitos e validados, para que possam cuidar e observar seu território de maneira sistemática”, relata Sara.
Segundo a pesquisadora, esse processo vai além da aprendizagem de conceitos científicos. Ao investigar o ambiente onde vivem, os estudantes desenvolvem uma relação mais crítica e envolvente com o território. “É muito importante que os estudantes olhem para o seu próprio território, porque isso não traz apenas uma aproximação com as metodologias do conhecimento científico, mas transforma esse conhecimento em ação cidadã, pensamento reflexivo e atitude crítica. A partir de uma leitura física, química, biológica e social do lugar onde vivem, eles podem interferir, transformar e valorizar cada vez mais esse território.”

A experiência permitiu aos estudantes observar detalhes do ambiente que normalmente passam despercebidos. Para a clubista Maruna Carneiro Vendramin Leminszka, a coleta de microplásticos mudou sua forma de enxergar a praia.”O que mais chamou a minha atenção na coleta do microplástico na areia foi a grossura dos grãos de areia. Quando eu peneiro na praia, não tenho uma peneira tão boa para separar todos os grãos menores. Com essa atividade, conseguimos perceber detalhes que antes eu nunca tinha observado”, relata a estudante.
A atividade despertou uma nova compreensão sobre os impactos das ações humanas nos ecossistemas costeiros.”Eu senti bastante diferença depois do nosso estudo. Entendi que o ser humano faz a diferença na natureza, com a poluição, com o lixo nos lugares, no mar e na areia. Isso me ajudou muito a entender como as nossas ações interferem no meio ambiente.”
Ao final da experiência, Maruna resume o principal aprendizado que pretende compartilhar com outras pessoas: “A gente precisa mostrar para as pessoas que não dá para jogar lixo na praia nem na natureza. Mesmo que seja uma coisa muito pequenininha, ela vai interferir muito na natureza”, alerta a estudante.
