Entre pesquisas, testes e descobertas, estudantes aprendem como a ciência pode estar presente em ações do cotidiano

O clube de ciências “Ciência no Nosso Dia a Dia” investiga a presença da ciência nas atividades cotidianas. Frequentam o projeto atualmente clubistas do 8° e 9° anos, com idades entre 13 e 16 anos, do Colégio Estadual Maria Carmella Neves de Souza, que fica do município de Presidente Castelo Branco e está vinculado à Universidade Estadual de Maringá (UEM).
A proposta do clube é desenvolver habilidades relacionadas à investigação e experimentação a partir do estudo de plantas medicinais e aromáticas. Entre as atividades realizadas pelos estudantes estão pesquisas sobre propriedades das plantas, produção de sabonetes artesanais, criação de misturas de óleos essenciais, além da elaboração de embalagens e análise de custos dos produtos desenvolvidos
A professora Arleia Figueiredo, responsável pelo clube, conta como é a relação dos alunos com o projeto. “A grande maioria dos alunos são comprometidos com o clube e alguns deles vão se desenvolvendo em diversos aspectos durante o ano letivo, como por exemplo o compromisso e a importância da pesquisa científica na nossa sociedade”, relata a docente.
Ao longo dos anos, o papel do clube tem sido conscientizar os alunos sobre o papel da ciência na sociedade, destacando a importância dos cientistas para ajudar a solucionar problemas da nossa realidade, mostrando os processos de pesquisa e como aplicar o conhecimento científico. Nesse contexto, trabalhar com as plantas medicinais se tornou uma oportunidade para compreender como a ciência está relacionada a práticas presentes no cotidiano, por meio do ensino da saboaria artesanal, conhecendo os aromas de cada uma das plantas medicinais e quais são adequadas para o produto final sabonete.
O clubista Miguel conta que os alunos aprenderam a produzir um sabonete desde o início, partindo de pesquisas que eles mesmos realizaram; analisando plantas medicinais encontradas no próprio Colégio. A lavanda foi a planta escolhida para dar início aos experimentos por seu aroma ser mais agradável. “Nós pegamos uma pedra de sabão, derretemos em uma panela ao fogo e adicionamos corante e a essência da lavanda”, explica o estudante sobre uma das fases do processo com os sabonetes.
As investigações passam também por entender os componentes químicos encontrados em cada uma dessas plantas. A clubista Julia relata que os estudantes pesquisaram sobre os benefícios e possíveis cuidados relacionados ao uso das diferentes espécies. “Um cartaz com essas informações foi montado e apresentado junto com o sabonete que desenvolvemos na Feira de Culminância do colégio, em junho”, conta a aluna.
Segundo a professora Arleia, a escolha do tema se deu analisando a necessidade para o desenvolvimento dos alunos e também um assunto que fosse interessante para eles. “No caso das plantas medicinais, foi uma opção de acordo com os interesses dos próprios alunos”, detalha, mencionando que o objetivo é fortalecer a alfabetização científica a partir de vivências práticas.
No dia a dia do clube as atividades são pré-estabelecidas para que haja uma participação ativa dos estudantes, pensando em dar espaço para que eles sejam protagonistas no processo. A professora atua como orientadora e mediadora durante as as atividades, porém priorizando a iniciativa dos próprios alunos.
O clube já tem um outro projeto em andamento, uma ideia surgida da observação de problemas recorrentes na escola em relação ao descarte incorreto de lixo. O tema desse novo projeto será “Lixo, Cultura e Convivência: Uma abordagem antropológica no contexto escolar”, compreendendo o descarte de resíduos na escola a partir das representações sociais dos estudantes.