Estudantes de seis cidades levam à Feira, em novembro, projetos sobre meio ambiente, saúde, cultura, tecnologia e sustentabilidade

Curitiba será palco da Feira de Cultura Científica (FECCi) mais uma vez, nos dias 4 a 6 novembro no campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Esta é a segunda edição da Feira, que tem como público-alvo estudantes e professores da Educação Básica do Paraná, e mais uma vez a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) será representada por 19 clubes de ciências ao todo, 13 deles vinculados aos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Ponta Grossa e outros 6 outros seis ao NRE de União da Vitória.
Do NRE de União da Vitória, seis dos sete clubes articulados foram selecionados para a Feira e estão distribuídos entre os municípios de União da Vitória, com 3 clubes e um em cada um dos municípios de São Mateus do Sul, General Carneiro e Paulo Frontin. Entre estes, um é do tipo maker. A maioria dos clubes já participou do evento na edição anterior, enquanto outros farão sua estreia na FECCI. Já o NRE de Ponta Grossa será representado por 13 clubes, 11 deles são de Ponta Grossa e 2 clubes são de Castro, com dois clubes makers. A maior parte desse grupo terá a oportunidade de apresentar seus trabalhos na FECCI pela primeira vez.
As pesquisas que chegam a Curitiba mostram diferentes formas de aproximar a ciência da realidade das escolas e das comunidades. Meio ambiente, biodiversidade, saúde, inclusão, cultura, energia, tecnologia e sustentabilidade estão entre os temas investigados pelos estudantes. Conheça, a seguir, os clubes e projetos de pesquisa selecionados para esta edição.
Clubes aprovados da região de União da Vitória
Seis clubes da região de União da Vitória estarão na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Seis clubes da região de União da Vitória estarão na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Seis clubes da região de União da Vitória estarão na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Seis clubes da região de União da Vitória estarão na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Seis clubes da região de União da Vitória estarão na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Seis clubes da região de União da Vitória estarão na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt)
Em União da Vitória, o Clube Futuros Cientistas, do Colégio Estadual Adiles Bordin, retorna à FECCI com a pesquisa “O Rio Vermelho de ontem e de hoje: transformações ambientais e sociais na percepção dos moradores”. Localizada próxima ao rio e sujeita a problemas relacionados a enchentes, a escola já havia levado à Feira estudos sobre as condições físico-químicas e biológicas do curso d’água. Desta vez, os estudantes dão continuidade às investigações sob uma perspectiva histórico-social.
Também de União da Vitória, o Clube Mentes Curiosas, do Colégio Giuseppe Bugatti, apresenta uma horta vertical de plantas medicinais com irrigação por gotejamento e monitoramento da umidade do solo por Arduino, uma plataforma eletrônica programável que permite integrar e controlar sensores. O projeto chamado de “Horta Vertical com Plantas Medicinais e Sistema de Irrigação por Gotejamento e Monitoramento de Umidade do Solo com Arduino” amplia uma experiência apresentada em 2025, quando o clube conquistou dois terceiros lugares na FECCI, nas categorias Empreendedorismo e Escolha do Público, com uma proposta que envolvia materiais recicláveis e irrigadores caseiros.
A relação entre pesquisa e território também aparece no Clube Pilha nas Abelhas, do Colégio Monsenhor Pedro Busko, em Paulo Frontin. Depois de chamar a atenção na primeira FECCI com o Robô Papa Pilha, criado para recolher pilhas e baterias, o grupo volta à Feira investigando a importância cultural e ecológica das abelhas na Serra da Esperança e na Serra do Tigre. O projeto é o “Fé, Ciência e Sustentabilidade: A Importância Cultural e Ecológica das Abelhas na Serra da Esperança e na Serra do Tigre”. O estudo relaciona os polinizadores às tradições culturais, à fé da comunidade e à preservação ambiental.
Em São Mateus do Sul, o Clube Ouro Verde, do Colégio Estadual Eugênio de Almeida, mantém a erva-mate como eixo de suas investigações. Premiado na primeira edição da FECCI, o grupo apresenta agora um estudo sobre a produção de biofertilizante líquido a partir da planta, buscando uma alternativa sustentável para a agricultura familiar e o cultivo doméstico. O nome do projeto é “Biofertilizante líquido com erva-mate: alternativa sustentável para agricultura familiar e consumidores domésticos”.
O representante maker do NRE de União da Vitória, o Clube Pesquisar, Aprender e Construir (PAC), do Colégio Estadual Ana Boico Olinquevicz, em General Carneiro, teve dois trabalhos aprovados. As pesquisas tratam da arborização urbana no bairro São João (“Conscientização Ambiental e Arborização Urbana no Bairro São João em General Carneiro”) e da reutilização de resíduos na produção de brinquedos pedagógicos, unindo educação ambiental e ações realizadas na própria comunidade, com “Brincar para Preservar: Oficinas de Conscientização Ambiental e Brinquedos com Materiais Reciclados no Bairro” .
Completa a representação da região o Apis Club, da Casa Familiar Rural de União da Vitória, que teve três pesquisas selecionadas. Como muitos estudantes vêm de famílias de apicultores, o conhecimento presente no cotidiano ganha espaço nas investigações sobre competição entre Apis mellifera e abelhas nativas sob o nome de “Competição com Apis mellifera: analisar a interação entre abelhas nativas e abelhas com ferrão (apicultura) em áreas de cultivo”, a construção de caixas para controle de temperatura e umidade pelo projeto “Modelos de caixas racionais, influência da temperatura e umidade em caixas construídas com materiais diversos” e a educação ambiental por meio da criação de abelhas sem ferrão nas escolas, com o projeto “Meliponicultura nas escolas: a educação ambiental através da criação das abelhas nativas”.
Clubes aprovados da região de Ponta Grossa
Treze clubes de Ponta Grossa e de Castro, vinculados ao NRE de Ponta Grossa, também representarão a UEPG na FECCI. Desses, dois clubes são makers e onze poderão apresentar seus trabalhos pela primeira vez na FECCI. Conheça um pouco desses clubes e seus projetos de pesquisa selecionados para a Feira.
Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt) Treze clubes das cidade de Ponta Grossa e Castro vão juntos representar a UEPG na FECCI 2026 (Fotos/Talula Boldt)
De Ponta Grossa, os estudantes do Clube Maker Pequenos Cientistas, do Colégio Estadual do Campo Doutor Munhoz da Rocha, no distrito de Guaragi, transformaram o estudo da biodiversidade local em um insetário didático, uma cartilha e modelos produzidos em impressão 3D. No projeto “Insetos em Foco: Da Natureza à Impressão 3D” que antes era confeccionado com materiais reutilizados, agora os modelos passaram a incorporar ferramentas de fabricação digital.
O Clube Ciência em Ação, do Colégio Professor Amálio Pinheiro, teve dois trabalhos aprovados: “Áreas Verdes e Saídas de Campo como Meios de Aprendizagem e Bem-Estar Estudantil” e o “Reutilização de Materiais e Consciência Ambiental, Práticas Sustentáveis” envolvendo áreas verdes, saídas de campo, bem-estar estudantil, reutilização de materiais e consciência ambiental. Já o Feras Científicas, do Colégio Estadual Professora Sirley Jagas, chega à FECCI com o “Jogos Digitais e Inclusão Escolar: O Impacto dos Exergames no Desenvolvimento da Interação Social de Alunos com TEA”, uma pesquisa sobre o uso de exergames — jogos digitais que exigem movimento corporal — na interação social e inclusão escolar de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Histórias da comunidade são a matéria-prima do Clube Cultura Local, do Colégio Estadual Professora Hália Terezinha Gruber. Depois de visitar a FECCI em 2025, o grupo retorna como expositor com quatro trabalhos. Parte deles resulta na produção de podcasts criados pelos estudantes a partir de depoimentos da comunidade escolar e de pesquisas sobre temas como adoção tardia, fé e mulheres arrimo de família. Outro trabalho recupera a trajetória e a obra de Luís da Câmara Cascudo. Os projetos são: 1) “Cultura Local: Adoção Tardia”; 2) “Cultura Local: Fé”, 3) “Cultura Local: Mulher Arrimo de Família” e 4) “Luís da Câmara Cascudo: Linha do Tempo”.
Saúde também aparece entre as pesquisas. Na Escola Estadual Espírito Santo, o Clube Nutrindo Mentes investiga obesidade e nutrição e busca levar o conhecimento produzido para além da escola com o projeto “Combatendo a Obesidade para Além do Espaço Escolar: Produzindo e Levando o Conhecimento para Fora da Escola”. Já o Clube Ativamente, com o projeto “Biblioteca Esportiva Escolar: Pesquisa e Intervenção para Ampliar o Acesso ao Esporte e ao Lazer” do Colégio Estadual José Elias da Rocha, une pesquisa, atividade física e inclusão em uma proposta de biblioteca esportiva escolar para ampliar o acesso ao esporte e ao lazer.
No Clube Exploradores da Ciência, do Colégio Regente Feijó, a pesquisa aborda o surgimento, o desenvolvimento e as práticas atuais relacionadas às terapias sensoriais com aroma e música. O projeto se chama “Aroma e Música: uma análise do surgimento, desenvolvimento e práticas atuais das terapias sensoriais” . Enquanto isso, o Clube Ciência Divertida, do Colégio Estadual Frei Doroteu de Pádua, trabalha com prevenção à dengue no “Proteja-se da Dengue”, incluindo ações de conscientização e produção de velas e sabonetes repelentes contra o Aedes aegypti.
Em Castro, o Clube Cabeceira do Rio Iapó, do Colégio Estadual Antônio e Marcos Cavanis, retorna à Feira depois de apresentar, em 2025, um projeto de divulgação científica sobre o Rio Iapó por meio de teatro de fantoches. Neste ano, os estudantes combinam produção de podcasts, reciclagem e ações de conscientização ambiental relacionadas ao rio, principal manancial da região. O projeto leva o nome de “Do podcast ao rio: promovendo a reciclagem e a consciência ambiental na comunidade escolar”.
A gestão de resíduos é o foco do Clube Sapiência, do Colégio Estadual Professora Elzira Correia de Sá com o projeto “Ciência, Sustentabilidade e Solidariedade: o Papel do Clube de Ciências Sapiência na Gestão de Resíduos Sólidos”. O grupo investiga o conhecimento dos estudantes sobre descarte de resíduos sólidos e microplásticos e associa a pesquisa a ações práticas de sustentabilidade e solidariedade.
Já no Clube Energia Jovem, do Instituto de Educação Professor César Prieto Martinez, os estudantes construíram protótipos de geração sustentável de energia utilizando componentes elétricos reais, com o projeto “Energia Sustentável em Ação: Construção de Protótipos de Geração de Energia pelo Clube de Ciências Energia Jovem”. A fabricação de protótipos também aparece no Clube Maker Teseu, do Colégio Estadual Dr. Epaminondas Novaes Ribas, que teve dois trabalhos selecionados: um deles é o “Extração de Óleos Essenciais: um Estudo Experimental Realizado por Estudantes do Ensino Médio”, sobre extração experimental de óleos essenciais de alecrim e cravo-da-índia e o outro, o projeto “Maquete da Esfera de Dyson”, dedicado à construção de uma maquete da hipotética esfera de Dyson – uma estrutura hipotética para aproveitar a produção de energia de uma estrela – combinando componentes elétricos e impressão 3D.
Fechando o grupo, o Clube Ecoindoor, do Colégio Estadual Olegário de Macedo, amplia de um para quatro o número de pesquisas apresentadas na FECCI. Os trabalhos vão do cultivo indoor de cogumelos com o “Micélio Controlado: o Impacto do Espectro de Luz LED e da Climatização no Cultivo Indoor de Cogumelos” e tilápias (“Piscicultura Indoor para Produção Sustentável de Tilápias em Pequenas Propriedades”) ao uso de resíduos de tenébrio como adubo natural no projeto “Da Larva ao Solo: Avaliação Comparativa do Frass de Tenébrio e Húmus de Minhoca em Hortaliças”. Em outra frente, os estudantes desenvolveram um sistema antifurto para colmeias que utiliza tecnologias de comunicação e rastreamento para emitir alertas em tempo real: “Sistema Antifurto IoT para Colmeias com Alerta em Tempo Real via GSM/GPRS e Rastreamento GPS”.
Entre clubes que estreiam e grupos que retornam à FECCI com novas etapas de pesquisas já iniciadas, os trabalhos mostram diferentes caminhos percorridos pelos estudantes para transformar questões observadas na escola e na comunidade em investigação científica. Em Curitiba, os 19 clubes articulados pela UEPG terão a oportunidade de compartilhar esses resultados e conhecer pesquisas produzidas por jovens de outras regiões do Paraná.
As informações sobre a FECCI 2026 podem ser acompanhadas no site do evento www.fecci.net.br ou pelo Instagram @fecci_prfc.
















