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Clubes da Rede Paraná Faz Ciência se preparam para apresentar pesquisas na Semana Araucária

Por: Marilaine Martins

Clubistas da Rede Paraná Faz Ciência ensaiam apresentações e organizam projetos que serão apresentados durante o evento de ciência e inovação em Curitiba

Foto feita dentro de uma sala de aula. Ao centro está uma professora sorrindo, em pé, atrás de uma mesa. À frente dela estão duas estudantes sentadas, uma usando aparelho nos dentes e outra com o cabelo preso em duas tranças, trabalhando em um notebook aberto. Ao redor delas aparecem três estudantes em pé, todos usando camisetas azuis com o símbolo do Colégio Estadual Lúcia Bastos. Ao fundo há um quadro verde com anotações e um cartaz do BioClube. O grupo olha para a câmera enquanto participa das atividades do clube de ciência.
Integrantes do BioClube, do Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, preparam projetos que serão apresentados na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (Foto/Marilaine Martins)

Integrantes de clubes da Rede Paraná Faz Ciência estão nos últimos dias de preparação para apresentar projetos desenvolvidos ao longo do último ano, durante a 1ª Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). O evento será realizado nos dias 10, 11 e 12 de março, no Campus da Indústria, em Curitiba.

A rede reúne atualmente 290 clubes no Paraná, entre Clubes de Ciências, Clubes Maker e Clubes de Meninas na Ciência, formados por estudantes e professores que desenvolvem atividades de investigação científica e divulgação do conhecimento em escolas do estado. Durante a programação da Semana Araucária, dez clubes da rede apresentarão seus projetos: sendo seis clubes de ciência, dois clubes maker e dois clubes de meninas na ciência.

Promovida pela Fundação Araucária, a Semana Araucária foi criada para fomentar o debate sobre políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação e educação, além de ampliar o acesso da população aos avanços científicos em diferentes áreas do conhecimento.

A programação inclui palestras, conferências, mesas-redondas, painéis, webminicursos e espaços de articulação entre representantes do governo, da academia, do terceiro setor e da iniciativa privada. Também integram o evento a 4ª Semana dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) e a 1ª Rodada de Negócios de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na reta final, clubes revisitam pesquisas e projetos para apresentar na Semana Araucária

Nos clubes que participarão do evento, os encontros mais recentes têm sido dedicados à organização dos projetos e à preparação do que será levado para o evento. No BioClube, do Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, enquanto alguns clubistas revisam os trabalhos desenvolvidos e discutem a melhor forma de apresentá-los ao público, outros se dedicam à produção do sabão sustentável, resultado de uma das pesquisas do grupo e que também estará presente na Semana Araucária.

Clubistas do BioClube preparam nova remessa de sabão ecológico para apresentar na Semana Araucária (Foto/Marilaine Martins)

Além do projeto relacionado ao reaproveitamento do óleo, o clube também desenvolveu um trabalho sobre o Rio Iguaçu, que resultou na produção de uma cartilha com informações sobre a importância do rio e os impactos da poluição. “Na última feira de ciências que teve, eu não consegui ir apresentar. Então fiquei feliz que dessa vez vou poder ir”, conta Helena Borges, de 12 anos, uma das integrantes do clube. “O projeto do Rio Iguaçu é para as pessoas conhecerem mais sobre o rio e sobre as coisas erradas que fazem com ele. E o do sabão mostra que, em vez de jogar o óleo fora e poluir, a gente pode reutilizar para fazer sabão”, explica.

A coordenadora do clube, professora Lucimary Pesaroglo, destaca que o chamado para participar do evento foi recebido com entusiasmo pelos estudantes. “Para a gente foi uma surpresa bem legal, porque é sempre bom ser lembrado. Isso quer dizer que o nosso clube está realizando atividades que fazem efeito na comunidade escolar e na comunidade científica”, afirma. Segundo ela, a preparação agora envolve principalmente a organização da apresentação oral. “Ao mesmo tempo que eles ficaram bastante animados, também estão um pouco nervosos em falar em público. Por isso estamos organizando as falas e ensaiando.”

No Clube Bona, do Colégio Estadual Theodoro de Bona, em Almirante Tamandaré, os estudantes também dedicam os encontros recentes à preparação para a apresentação no evento. Um dos projetos desenvolvidos pelo grupo investiga a qualidade da água a partir da identificação de macroinvertebrados, organismos que ajudam a indicar as condições ambientais de rios e lagos.

Jogo de cartas educativo desenvolvido pelo Clube Bona também será apresentado no evento (Foto/Marilaine Martins)

A pesquisa deu origem a diferentes desdobramentos. Entre eles estão a criação de um site, onde os estudantes apresentam a trajetória do projeto e os resultados obtidos, e o desenvolvimento de um jogo de cartas educativo, que será levado ao evento.

Rhyana Cardoso, de 15 anos, conta que tem revisado os conteúdos das pesquisas para preparar a apresentação. “Estou relendo os conteúdos para falar direitinho. Estou um pouco nervosa porque vamos subir no palco para falar sobre o nosso clube”, afirma. “A preparação do clube está indo bem também. Está tudo organizado.”

A experiência no clube, segundo Rhyana, também tem estimulado a curiosidade científica. “A gente gosta de descobrir as coisas, entender como os animais funcionam, como são as células. Isso promove curiosidade e vontade de estudar.” Ela acredita que a experiência também pode influenciar escolhas futuras. “Quando a gente entra no clube, se abre bastante essa área da ciência, da biologia. Isso incentiva.”

Da escola para o mundo

Apresentar os projetos desenvolvidos nos clubes de ciência em eventos e outros espaços de circulação do conhecimento permite que os clubistas levem para além da escola as experiências construídas ao longo das pesquisas. Mas o resultado vai além da comunicação científica.

No Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, a diretora Rozangela Barbosa de Sales observa que momentos como esses ajudam os alunos a perceber que o universo de possibilidades não se limita ao ambiente escolar. “Eles percebem que o espaço deles não é só esse espaço da escola. É um espaço muito amplo. A ciência leva eles para conhecer o mundo”, afirma.

Segundo ela, o contato com a ciência também contribui para que os estudantes passem a visualizar caminhos acadêmicos e profissionais que muitas vezes não pareciam próximos de sua realidade. “Eles entendem que podem mudar a própria realidade enquanto estudantes e que, no futuro, podem estar dentro de uma universidade ou participando de pesquisas”.

Dentro da Rede Paraná Faz Ciência essas experiências já cruzaram fronteiras. Estudantes que participam de clubes de ciência da rede integram programas de intercâmbio, como o Ganhando o Mundo, do Governo do Estado do Paraná e também já participaram de iniciativas internacionais como o programa Sustainable Living Innovators (SLI), realizado em Portugal, a partir de iniciativas do Paraná Faz Ciência e da Fundação Araucária. Nesses contextos, os alunos levam para outros países conhecimentos construídos dentro dos clubes e têm a oportunidade de compartilhar suas pesquisas e aprendizados em diferentes ambientes.