Com presença em feiras, conferências e até na COP30, clubes da Unicentro levam a emergência climática e a cidadania juvenil ao debate. Articuladora institucional avalia os passos

Do chão da escola às discussões globais na COP30, o ano de 2025 foi marcado pela consolidação da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência na região centro-sul do Paraná, a partir da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro).
Sob a articulação institucional da professora Marquiana de Freitas Vilas Boas Gomes, clubes das escolas dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul e Pitanga encerraram o ano com participação em eventos estaduais, nacionais e internacionais, além de premiações e reconhecimento público.
“A Rede de Clubes de Ciências tem se configurado como um potente meio de formação científica e cidadã de jovens da educação básica e de professores”, destaca Marquiana. Segundo ela, o ano de 2025 evidenciou a contribuição do programa ao colocar estudantes e docentes em espaços estratégicos de debate e divulgação científica.
Atualmente, a articulação da Unicentro abrange 30 escolas, cinco delas vinculadas à rede Maker. O foco está na educação científica pautada na cidadania juvenil, com a mitigação da emergência climática no horizonte de atuação.
Fieg abre calendário de feiras
A experiência dos clubistas em feiras começou pela própria região. Em junho, a 1ª Feira Itinerante das Escolas do NRE de Guarapuava (Fieg), realizada no Colégio Cívico-Militar Manoel Ribas, reuniu 50 projetos da região e evidenciou a força da iniciação científica local.

Na categoria Clubes de Ciências, o primeiro lugar ficou com o Clube Velozes e Curiosos, do Colégio Estadual Cristo Rei, de Guarapuava, com pesquisa sobre a importância das abelhas. O segundo lugar foi para o Clube Raízes da Ciências, de Irati, com mapeamento de árvores, e o terceiro, para o Clube Climatize-se, do Colégio Estadual Pedro Carli, com um projeto em realidade virtual sobre a vida de uma abelha-operária.

Mostra no Paraná Faz Ciência reúne mais de 100 trabalhos
Guarapuava sediou o Paraná Faz Ciência em 2025, o maior evento científico do estado. Nele, a Rede de Clubes promoveu sua primeira mostra científica com a participação de clubes de diferentes regiões do Estado. Ao todo, foram apresentados mais de 120 trabalhos.

“O envolvimento de jovens e professores mostrou o que já tem sido feito de ciência na escola”, afirma a coordenadora. Segundo Marquiana, o número expressivo de projetos demonstra que a produção científica escolar vai além da sala de aula e alcança a comunidade.
Mais de 40 mil pessoas passaram pela feira entre 29 de setembro e 3 de outubro. Em 2026, quem sedia o evento é a Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), em Cascavel.

Destaque na XIV FIciências
A participação na FIciências, promovida pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu, entre 21 e 25 de outubro, foi a primeira a colocar a Rede de Clubes da Unicentro em intercâmbio internacional de projetos. O evento reuniu estudantes do Paraná, de outros estados e também de países fronteiriços, como Paraguai e Argentina.

Um dos destaques foi o estudante Tiago Vaz Machado, do Clube Climatize-se, que conquistou o Prêmio de Aclamação Popular com o vídeo “Jataí: um dia na vida de uma abelha-operária”, alcançando mais de 22 mil visualizações nas redes sociais.
“Tivemos destaque nesse evento, com reconhecimento público de um dos nossos cientistas mirins”, pontua Marquiana.

FECCI trouxe oito premiações
Em novembro, a delegação da Unicentro participou da Feira de Cultura Científica (Fecci), em Curitiba, com cerca de 150 representantes entre estudantes, professores e acadêmicos. Foram 37 projetos apresentados por 21 clubes. Ao todo, oito projetos foram premiados, com colocações em diferentes categorias e reconhecimentos também na produção audiovisual.“
O prêmio é uma forma de reconhecimento, mas o mais importante é o número significativo de trabalhos selecionados e a participação dos jovens”, avalia a coordenadora.

Entre os destaques estiveram o projeto “Detecta Cio”, do Puma Science Club, de Pinhão, vencedor em Inovação Tecnológica; o Clube Raízes da Ciência, de Irati, premiado em Ciências Sociais Aplicadas; e o Clube EcoCientistas Visionários, de Guarapuava, com dois prêmios em Ciências Humanas. O Clube Adonis Com Ciência, de Boa Ventura do São Roque, também foi premiado.

Conferência Nacional e COP30
A pauta climática esteve no centro das ações da rede em 2025. A clubista Pyetra Heller, do Colégio Estadual Padre Chagas, foi selecionada para representar o Paraná na Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA). Junto ao seu professor, Emerson de Souza, levou propostas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas para o debate em nível nacional. Ela e os outros estudantes entregaram ao presidente Lula e ao ministro da educação, Camilo Santana, uma carta-compromisso com propostas ambientais voltadas à construção de um Brasil mais sustentável, que foi levada à Cúpula de Líderes da COP30, realizada em novembro, em Belém.

E por falar em COP30, quatro clubes participaram da conferência da ONU, em Belém, nas atividades promovidas pelo Pacto Global de Jovens pelo Clima (GYCP). A delegação contou com oito jovens, quatro professores da educação básica, além de acadêmicos e docentes da Unicentro.

Durante o evento, os representantes participaram de palestras, proposições e discussões no fórum público, defendendo a educação como eixo estratégico na agenda climática. No fim, elaboraram, junto a participantes de França, Colômbia e Chile, o Manifesto de Belém, também chamado de ‘Carta da Terra’. O documento foi entregue às autoridades máximas da Conferência.

“A agenda climática é um dos temas mais relevantes da nossa sociedade. Educar para a ciência é educar para a cidadania, para formar jovens bem informados e comprometidos com a transformação social”, afirma Marquiana.

Formação continuada e expectativas para 2026
Além das participações em eventos, 2025 foi marcado por formações continuadas, reuniões e orientações aos professores da Rede Clubes. Para a coordenadora Marquina, o trabalho realizado nas escolas é fundamental para os resultados alcançados.
“Precisamos reconhecer o trabalho dos professores que estão na base, diretamente com os jovens. Eles fizeram toda a diferença”, ressalta.
Para 2026, a expectativa é de aprofundamento das pesquisas iniciadas no ano anterior, ampliação da participação em eventos estaduais, nacionais e internacionais e nova presença expressiva na Fecci, já agendada para novembro, em Curitiba.
“Nós acreditamos que o pensamento científico é essencial para a transformação social. Em um tempo de desinformação, formar jovens com pensamento crítico, lógico e baseado em dados é uma necessidade”, conclui Marquiana.
Ao revisitar 2025, a Rede de Clubes de Ciências da Unicentro confirma que a ciência produzida na escola está formando futuros pesquisadores, fortalecendo a cidadania e ampliando o alcance social do conhecimento na região.
Acompanhe mais atividades dos Clubes de Ciências pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.