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II WORKDHOP DO NAPI PARANÁ FAZ CIÊNCIA

Entenda como funciona o biodigestor desenvolvido pelo Clube de Barra do Jacaré

Por: Bianca Bastos Martins

Alunos do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, vinculado à UENP, são destaque em portal nacional de educação com projeto de agrociências

Fotografia em plano médio de três estudantes (dois rapazes e uma moça) trabalhando juntos ao redor de uma mesa de granito em uma sala de aula ou laboratório escolar. Eles usam uniformes escolares da rede pública do Paraná, que consistem em camisetas brancas com mangas azuis e o brasão do estado no peito. Sobre a mesa, há uma maquete detalhada construída sobre uma base retangular escura, retratando o fluxo e a aplicação de um sistema de biodigestor integrado a uma comunidade rural e urbana. A maquete apresenta os seguintes elementos: O biodigestor e a área rural: No quadrante superior direito da maquete, há uma estrutura miniatura coberta por um telhado escuro curvado, simulando o galpão de produção (como uma granja) conectado ao sistema de biodigestor para captação de resíduos orgânicos. Próximo a ele, áreas verdes de textura rugosa representam a vegetação ou plantações que se beneficiam do biofertilizante. O curso de água: Uma linha azul texturizada cruza a maquete diagonalmente, simulando um rio ou riacho que corta o terreno, dividindo a área de produção da zona urbana. A zona urbana e caminhos: Na parte inferior e à direita, há pequenas casas coloridas feitas de papel cartolina (em tons de laranja, amarelo, rosa e verde), ruas de asfalto preto com linhas tracejadas amarelas e pequenos postes de luz com fios expostos conectados, ilustrando a distribuição da energia elétrica ou biogás gerados a partir do biodigestor para a comunidade.
Maquete do projeto na granja (Foto/Arquivo pessoal)

No mês de abril, o Clube de Agrociências do Colégio Estadual Maria Francisca de Souza, que é vinculado à UENP, se destacou ao ter uma matéria publicada no Brasil Escola, um dos maiores portais de educação do país. A reportagem mostra que os alunos da escola estadual transformam resíduos de granjas em energia limpa. A matéria está disponível aqui.

Mais do que destacar o feito dos alunos, é importante entender a lógica por trás do projeto. Por Barra do Jacaré ser um município pequeno no Paraná, a presença de 46 granjas ativas incomoda a população devido ao forte odor. Estudando o problema mais a fundo, os estudantes descobriram que o mau cheiro é provocado por compostos gasosos liberados durante o processo de decomposição da “cama de frango”. A partir disso, eles decidiram desenvolver um biodigestor automatizado de baixo custo capaz de dar um destino útil a esse gás. 

O QUE É “CAMA DE FRANGO”?

Nada mais é do que o resíduo gerado pela avicultura. Ela consiste no material espalhado pelo chão do galpão (geralmente maravalha ou casca de arroz) misturado com dejetos das aves, restos de ração e penas. Conforme o tempo passa, esses resíduos vão se decompondo; micro-organismos e bactérias começam a digerir a matéria orgânica e liberam compostos gasosos, como o metano.

Fotografia em plano geral e com perspectiva profunda do interior de um grande galpão industrial de criação de aves (aviário). O chão está completamente coberto por uma densa camada de "cama de frango" (maravalha ou serragem escura misturada aos dejetos), sobre a qual caminham e descansam centenas de frangos de corte, todos com plumagem inteiramente branca. Ao longo de todo o galpão, estendendo-se da parte frontal até o fundo da imagem, há várias linhas paralelas suspensas por cabos metálicos. Dessas linhas, estão pendurados comedouros automáticos circulares de plástico, nas cores amarelo e vermelho, posicionados a uma altura acessível para as aves se alimentarem.
Cama de frango (Foto/Arquivo pessoal)

METANO

O metano é um gás incolor e altamente inflamável. Ele por si só não tem cheiro, mas, na decomposição de materiais orgânicos, vem acompanhado de outros gases que caracterizam o odor da granja. Esse gás é a peça-chave do projeto, visto que, ao ficar retido no sistema, pode ser reaproveitado como combustível térmico ou elétrico.  

COMO FUNCIONA O PROJETO?

Para tirar a teoria do papel, os estudantes usaram muita criatividade e materiais simples do dia a dia. Primeiro pensaram onde a matéria orgânica poderia ficar armazenada, daí surgiu a ideia de usar como estrutura principal os canos de PVC. Como o biogás se expande à medida que é produzido, o grupo precisou de um reservatório elástico para conter a pressão: o problema foi resolvido com a adaptação criativa de uma câmara de ar de pneu de motocicleta.

Para completar, os alunos usaram a tecnologia a favor deles. Eles instalaram um sensor de gás conectado a uma placa de Arduino (que funciona como um mini computador). Esse sistema avisa em tempo real se o gás está mesmo sendo produzido e se há algum risco de vazamento, deixando o experimento totalmente seguro.

DESPERDÍCIO ZERO

O grande diferencial do projeto desenvolvido pelo clube de ciências é o conceito de economia circular, onde absolutamente tudo se transforma! O Biogás pode ser canalizado para os queimadores das próprias granjas, substituindo a queima de lenha usada para aquecer os pintinhos no inverno.

O Biofertilizante, resíduo líquido que sobra do processo, é rico em nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) e é utilizado diretamente na horta do colégio. Por fim os restos fibrosos que sobram no fundo do aparelho estão sendo testados em misturas de solo-cimento para a fabricação de tijolos ecológicos.