Na primeira reunião, foi lançado edital do Programa de ‘Feiras Afiliadas’ à FECCI 2026, que já tem data definida

O início do primeiro curso de formação para professores, graduandos e pós-graduandos e gestores de escolas públicas e privadas sobre a realização de feiras de ciências não poderia ter sido mais produtivo e inclusivo. Foram selecionados 100 participantes para o curso on-line, sendo a maioria do Paraná, mas também de outros estados. Quase a totalidade esteve na primeira reunião realizada nesta quinta-feira, 19, para conhecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná – Faz Ciência, o edital de ‘Feiras Afiliadas’ e acompanhar com tradução simultânea em Libras.
Organizado pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR), a proposta do curso é compartilhar informações sobre como organizar feiras de ciências em suas instituições de Ensino Básico e estimular e apoiar participações em feiras e mostras de ciências. Somando-se ao objetivo da iniciativa, a divulgação e popularização da ciência será o tema central dos encontros, no total de quatro até 9 de abril, sempre às quinta-feiras, das 18 às 20 horas.
“Foram mais de 427 inscritos de vários estados do país para, inicialmente, 50 vagas ofertadas. Como o limite da sala do Google Meet é de 100 pessoas, resolvemos dobrar as participações. A partir desta demanda espontânea, com certeza, vamos organizar outros cursos sobre o tema para compartilhar conhecimentos e, assim, fortalecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná Faz Ciência”, explicou uma das articuladoras do NAPI PRFC, professora Débora de Mello Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Durante sua fala, Débora anunciou o lançamento do Edital 01/FECCI-2026, que tem por objetivo ampliar a participação das escolas e clubes de ciências na segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2026), a ser realizada de 4 a 6 de novembro, em Curitiba.
A FECCI é uma realização do NAPI PRFC, com apoio da SEED e da Secretaria da Educação de Curitiba e atraiu mais de 15 mil visitantes na primeira edição. Em 2025, foram apresentados 380 trabalhos e a expectativa deste ano é chegar a 700 e ampliar o alcance da feira em termos de produção de projetos de ciências e visitação.

Com o programa “Feiras Afiliadas” será possível contribuir ainda para a construção de uma rede estadual com a participação, inclusive, da Feira do Sesi, e, no futuro, garantir a afiliação da FECCI a feiras nacionais, como a Mostratec. No edital é possível conhecer todos critérios para participação e avaliações dos projetos inscritos, com inscrições abertas entre 1º a 30 de abril.
À frente da organização do curso de formação, a pós-doutoranda Dayanne Dailla, também bolsista do NAPI PRFC na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, enfatizou, na abertura dos trabalhos, que a realização do curso teve, a princípio, um motivo pragmático.
“A gente criou para ver qual era a real necessidade de cada um de vocês que estão participando em relação à organização e entender o que são as feiras de ciências. Vamos fazer uma comunicação mais efetiva com o grupo para dirimir dúvidas e atender as demandas que surgirão”, informou. Dayanne adiantou, ainda, que, ao longo do curso, haverá muitas outras ações, como editais, brindes aos participantes e troca de experiência e momentos de grande aprendizado.
Dos clubes para as feiras de ciências
“Assim como os clubes de ciências, as feiras de ciências são espaços não formais de ensino e eventos coletivos que visam descobrir talentos e despertar nos jovens a criatividade, motivação e um centro de interesse que é a ciência”. A afirmação foi feita pelo palestrante convidado, o professor de Química, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Ivo Leite Filho, também coordenador geral da Popularização da Ciência, programa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação(MCTI).
Com mais de 40 anos de atividade e experiência em formatação, organização e coordenação de feiras no Brasil e América Latina, Leite Filho é um estudioso e entusiasta desses eventos como espaços de descoberta do que é realmente a ciência. “A ciência não é crença. Ela é a área de observação dos fatos e onde devem estar todos os alunos, não só os ‘inteligentes’, como normalmente se pensa. A ciência é para todos que tenham curiosidade e disposição para aprender o método científico”, alertou.

A cultura das feiras com projetos de ciência começou nos Estados Unidos, na década de 1920. No Brasil, a experiência começou a ganhar corpo na década de 1950 com o médico José Reis. Hoje, o mais importante prêmio para divulgadores científicos do país, criado em 1978, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, leva o nome dele.
A iniciativa que ocorre, hoje, no Paraná, por meio do NAPI Paraná Faz Ciência, foi elogiada pelo professor. Ele reconhece que a estratégia empreendida tem um grande potencial, porque começa com a criação da Rede de Clubes de Ciências, lançada em 2024, antes da Rede de Feiras de Ciências. “Durante o meu percurso, percebi que este é um caminho eficiente e seguro para garantir que a juventude do Paraná, e do Brasil, encontre na ciência um futuro de realização e inovação, o que fará diferença para a sociedade”.