Clubista conta sobre sua trajetória, desafios e aprendizados ao participar do projeto internacional com apoio da Fundação Araucária

A experiência de desenvolver um projeto inovador que une ciência, criatividade e sustentabilidade para levar energia limpa tanto à Terra quanto à Lua levou Renan Ulisses Galdino para um programa de mobilidade internacional, em Portugal. Aluno do Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos em Matinhos, ele faz parte do Clube de Ciências do Tereza, orientado pelo professor Jean Carlo.
O trabalho desenvolvido por Renan leva o nome de “Lux” e foi criado com a proposta de aproveitar movimentos naturais do ambiente — como as ondas do mar ou vibrações no solo — para gerar energia elétrica através da indução magnética. O projeto ficou em primeiro lugar na Feira de Ciências Regional do Litoral do Paraná na categoria “Desenvolvimento Tecnológico e Iniciação à Pesquisa” e foi um dos cinco escolhidos para a 6ª edição do Programa Sustainable Living Innovators (SLI), em Matosinhos, na região metropolitana do Porto. Entre os dias 14 de julho a 08 de agosto, os alunos tiveram palestras, atividades e desafios complexos voltados para o desenvolvimento das gerações mais jovens como propulsoras da construção de um futuro mais próspero e sustentável.
Após retornar de sua primeira experiência internacional, Renan contou um pouco sobre sua trajetória ao receber a confirmação de que tinha sido aprovado, a reação da família e seus próximos passos.“Primeiro, fui olhar meu e-mail para ver se havia alguma novidade. Eu já tinha passado para a segunda fase da entrevista e, ao abrir, vi a aprovação no programa SLI. No início, não caiu a ficha — foi aquele momento em que você não acredita de primeira. Depois, veio a euforia: arrumar passaporte, preparar a mala e correr com todos os detalhes da viagem”, comenta.
Para Renan, a confirmação real de que tudo estava acontecendo veio apenas quando ele esperava o ônibus para ir até Curitiba e, então, embarcar para Portugal. Ao chegar lá, ele relata que a convivência com o grupo foi divertida, com muitas piadas e momentos engraçados desde o primeiro contato. “Ao chegar, fiquei impressionado com a beleza da cidade. Para uma primeira viagem, foi uma experiência incrível. Participamos de uma cerimônia de abertura e já no dia seguinte pudemos explorar o local. Visitamos muitos lugares, incluindo o Gaia, um mirante famoso pelo pôr do sol. No outro dia, conhecemos shoppings e outros pontos turísticos. Alguns colegas chegaram a visitar cidades mais distantes, enquanto eu explorei bastante a região do Porto”, conta Renan.

Durante a semana, Renan relata que as atividades seguiam uma rotina: palestras pela manhã, almoço e atividades pela tarde. “Fomos divididos em equipes para desenvolver um único projeto dentro da missão ‘Terra Luna’, que tinha como objetivo criar um ecossistema sustentável para que astronautas pudessem explorar a Lua com segurança e conforto”, explica o clubista.
As equipes foram separadas em quatro áreas: energia, construção, mobilidade e saúde. Renan ficou no time de energia, que desenvolveu um sistema de painéis solares retráteis. “Eles eram instalados na superfície lunar, elevavam-se até certa altura e se abriam para captar o máximo possível de luz solar. Possuíam limpeza por eletrostática, painel de gestão com inteligência artificial e outros recursos. Como plano B, projetamos também um reator nuclear de fissão baseado no Kilopower, da NASA”, relata.
Os grupos também criaram contas no Instagram, nas quais compartilharam um pouco sobre o trabalho feito e vídeos com momentos descontraídos. A equipe de Renan foi nomeada “Zenith Energy Inovations” (@zenith_energy_ no Instagram).
Além dos brasileiros, o projeto também contou com estudantes portugueses, tanto do ensino secundário quanto universitários. Perguntado sobre como foi a convivência, Renan responde que todos aprenderam a trabalhar juntos, mesmo sendo de contextos diferentes, e conseguiram desenvolver um projeto em conjunto.

“O que levo de positivo dessa experiência é a capacidade de ser eficiente trabalhando com pessoas que acabei de conhecer e de colaborar para alcançar um objetivo comum”, defende o jovem. “Minha inscrição no programa começou com incentivo de outras pessoas que acreditavam que eu tinha potencial. Desenvolvi o projeto com apoio e sugestões até chegar à versão final enviada para a inscrição.”
Sobre a reação da família, Renan diz que nunca tinha vivido nada parecido, então todos ficaram muito felizes e orgulhosos, especialmente sua mãe. Quanto ao futuro, ele pensa em criar algo parecido na área de tecnologia para apresentar em outra feira de ciências, como a do Litoral, marcada para os dias 2 a 4 de dezembro, em Matinhos. O estudante do 2º ano do Ensino Médio ainda não sabe o que pretende cursar, mas com certeza sabe que quer continuar na área de tecnologia e desenvolver mais projetos inovadores.

Renan Galdino é aluno do Colégio Tereza da Silva Ramos em Matinhos e realizou um projeto sobre as tecnologias voltadas para a exploração da Lua.

Uma parceria entre a Fundação Araucária e o CEiiA (Centro de Engenharia e Desenvolvimento) selecionou cinco alunos do ensino médio de escolas no Paraná, integrantes da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência para fazerem um Programa de mobilidade internacional em Portugal, entre os dias 14 de julho a 08 de agosto.
O Programa Sustainable Living Innovators (SLI) está em sua 6ª edição e busca capacitar as novas gerações para serem agentes de transformação do mundo, tendo como ponto de partida desafios societais complexos. Neste ano, os alunos ficarão na sede do CEiiA em Matosinhos, na região metropolitana do Porto.
Entre os selecionados, está Renan Ulisses Galdino, aluno do Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos, em Matinhos. Com auxílio do professor Jean Carlo, ele desenvolveu o LUX, um projeto inovador que une ciência, criatividade e sustentabilidade para levar energia limpa tanto à Terra quanto à Lua. O projeto, inclusive, ficou em primeiro lugar na Feira de Ciências Regional do Litoral do Paraná na categoria “Desenvolvimento Tecnológico e Iniciação à Pesquisa”.

De acordo com Renan, “o LUX foi criado com a proposta de aproveitar movimentos naturais do ambiente — como as ondas do mar ou vibrações no solo — para gerar energia elétrica através da indução magnética. Na Terra, o sistema é baseado na energia ondomotriz, de modo que o movimento das marés aciona um ímã dentro de uma bobina, gerando eletricidade. Na Lua, onde não há atmosfera nem marés, o sistema se adapta usando vibrações mecânicas captadas por uma mola que movimenta o mesmo tipo de gerador”, explica.
O diferencial do LUX está na versatilidade e simplicidade. A intenção do aluno era que o projeto não dependesse de combustíveis fósseis, nem baterias ou painéis solares e fosse modular, portátil e eficiente para ser usado na alimentação de pequenos sistemas elétricos, sensores ou iluminação, especialmente em locais remotos e de difícil acesso.
Mais do que um protótipo, o LUX é uma ideia transformadora. “Na Terra, pode ser instalado em comunidades ribeirinhas, bóias de sinalização ou em plataformas marítimas. Na Lua, pode ser parte de uma base científica ou emergencial, gerando energia mesmo em
condições extremas. O LUX mostra que a ciência não precisa ser complicada para ser poderosa. E que a energia do futuro pode ser limpa, acessível e feita com os recursos que já temos — basta observar a natureza com outros olhos”, declarou o aluno.

O SLI e a Fundação Araucária partilham valores e objetivos comuns, ou seja, a responsabilidade pelo desenvolvimento das gerações mais jovens como propulsora da construção de um futuro mais próspero e sustentável. A iniciativa contará com a contribuição de profissionais do CEiiA e de especialistas nacionais e internacionais de referência em âmbito global, que vão compartilhar conhecimento e ferramentas para que os alunos possam desenvolver um projeto completo, desde o conceito até ao protótipo da aplicação das tecnologias espaciais.