A proposta do clube é a criação de uma horta utilizando o adubo desenvolvido na composteira e análise do solo com ajuda da robótica

Já pensou em unir o estudo sobre hortas e robótica? É isso que propõe o Clube Jovens Cientistas Kennedy, do Colégio Estadual Presidente Kennedy, em Maringá. Desde que iniciaram os trabalhos no clube no ano passado, muitos projetos foram desenvolvidos: adubos naturais, defensivos agrícolas naturais e até lançaram um foguete. A proposta é trabalhar de forma interdisciplinar, integrando as matérias de biologia, química, física, robótica e geografia.
O clube é interseriado, com alunos do sétimo, oitavo e nono anos do Ensino Fundamental II. Encontros acontecem todas terças–feiras, como uma disciplina eletiva. Os 32 estudantes juntamente com o professor coordenador, Ivanildo Fabricio de Oliveira, propuseram a criação de uma horta utilizando o adubo que eles mesmos estão criando a partir da decomposição, por meio da composteira. E também estão estudando robótica para analisar dados coletados no jardim da escola.
Entre as funções da robótica no ambiente da horta, estão a irrigação, a medição da umidade do solo e do ar, a temperatura da composteira e entre outras finalidades que contribuem para uma análise mais qualificada do ambiente. Próximo aos frutos, a composteira é um outro elemento que está sendo investigado pelos clubistas. Segundo o professor, ela é um adubo excelente, por ser natural e reaproveitar resíduos alimentares. A ideia é realizar uma análise comparativa para observar qual é a melhor: o adubo da composteira, o adubo orgânico comercial e um branco (terra sem adubo).
Outro ponto de investigação é a relação da horta com o sol. Há sementes germinadas em solo muito exposto ao sol, outras mais à sombra e outras ainda que recebem a incidência dos dois agentes de forma mais equilibrada. Assim, a pergunta que eles devem responder é: “Qual terra é melhor para o desenvolvimento de cada planta ?”. A robótica será aliada também deste processo para colaborar com a medição dos resultados. O projeto une a investigação científica com as diversas áreas de conhecimento presentes nas atividades realizadas.

No primeiro ano, os clubistas colheram alfaces que chegaram ao prato dos estudantes e cultivaram tomates, pimentas e árvores frutíferas. Desenvolveram ainda um líquido natural para afastar formigas, usado junto à horta. Esses trabalhos também foram apresentados na Culminância, o evento semestral das escolas integrais, quando cada grupo mostrou experimentos com autonomia e domínio dos temas.
A ideia é continuar recolhendo da horta alimentos para inserir na alimentação dos estudantes e outros professores também estão propondo ideias para a composteira e buscando relacionar com as aulas. O líquido desenvolvido para espantar as formigas protege as plantações de quiabo, milho e outros cultivares presentes na horta. É um trabalho em conjunto: professores de Ciências fazem as pesquisas e os clubistas do ‘Jovens Cientistas Kennedy’ fazem a aplicação do defensivo agrícola natural na horta.
A dinâmica do clube é realizada em equipes. O professor demanda as atividades do dia e os grupos se reúnem para começar a realização da proposta. Em geral, Ivanildo, diz que sempre instiga os alunos com um desafio e traça algumas orientações, porém o desenvolvimento das ações fica a cargo dos clubistas. Ao final de algumas aulas os alunos até produzem um relatório.
Um dos momentos marcantes foi o dia da Culminância do ano passado. Este é um evento que acontece semestralmente nas escolas integrais com a apresentação dos trabalhos desenvolvidos em disciplinas eletivas para toda comunidade. Segundo Ivanildo, cada grupo de alunos fez um experimento que haviam realizado durante o Clube e demonstraram ter se apropriado do assunto agindo de forma independente.
O clube de ciências já era uma vontade do professor e dos estudantes, assim o projeto da Rede de Clubes veio para tirar do papel essa ideia. Os aunos são ativos e buscam a resolução de problemas, e as atividades também têm envolvido toda a comunidade escolar. Para o professor, está sendo um sonho se realizando. Uma prova disso é o empenho das cozinheiras em separar o material orgânico para os alunos acrescentarem na composteira.

A expectativa está na liberação da verba para a compra de itens, como as sementes e outros materiais necessários para dar andamento aos projetos do Clube. Nos planos também está a apresentação do robô semeador movido a energia solar na FIciencias 2025 – Feira de Inovação das Ciências e Engenharias. O projeto foi aprovado e será também enviado para concorrer ao prêmio Agrinho de 2025 (do sistema FAEP).
Os alunos e o professor pretendem testar outras formas de composteiras, além de elevar a altura da horta atual e ampliar as plantações no espaço da escola. Fazer uma jardinagem para embelezar a vista da quadra também é um projeto. E na robótica, o sonho é montar um irrigador automático que detecta a diminuição da umidade da terra e aciona a água quando necessário.
Para o professor Ivanildo, a beleza desse trabalho está em observar o desenvolvimento dos estudantes. “Precisamos fazer adaptações nas atividades em virtude da mentalidade por vezes acelerada dos alunos, mas a potência de plantar essa ideia de que a ciência é legal e que ela move a sociedade é muito interessante”, comenta.
Também representa para o educador uma oportunidade de realização pessoal, em poder transmitir parte dos seus conhecimentos para os estudantes. “É uma forma de oferecer novas oportunidades de como aprender ciência e relacioná-la com a vida”, conclui.
Com 28 estudantes do Ensino Médio, o clube pretende automatizar a horta, utilizar minhocas na compostagem e aprender sobre análise do solo

O Clube ‘Compostagem e Horta Escolar’, do Colégio Estadual Arthur de Azevedo, em São João do Ivaí, está empenhado em resolver a situação-problema da destinação de resíduos orgânicos gerados pela alimentação dos alunos. A ideia partiu do mau cheiro em razão da quantidade de sobras de um colégio em turno integral, podendo atrair mosquitos e roedores. Assim, decidiram fazer a compostagem desses materiais que consequentemente se tornam fertilizantes para a horta da escola.
O primeiro trabalho desenvolvido pelos estudantes em conjunto com o professor coordenador, Ederson dos Santos Moretti, foram as dez composteiras nos baldes. Cada uma é formada por três baldes. Dois na parte superior, contém os resíduos orgânicos em conjunto com o pó de serra, onde acontece a decomposição. E, no terceiro balde, abaixo dos demais, há a coleta do chorume utilizado para a fertilização. Em junho, eles fizeram mais cinco composteiras, quantidade maior do que inicialmente acreditaram precisar, “está gerando em torno de cinco a dez quilos por dia de resíduos orgânicos” explica o professor.
No ano passado, o clube iniciou as atividades em setembro, com a explicação do funcionamento das composteiras e a iniciação do processo para construção delas. Este ano, o clube está com 28 alunos do Ensino Médio e acontece todas as quintas-feiras, nas duas últimas aulas do dia. O professor também tem uma eletiva de Compostagem e Horta com os alunos do 8º e 9º ano. Essa foi a forma que Ederson encontrou para mobilizar a maior parte da escola para a temática.
Em junho, durante o afastamento do professor por licença médica em razão de uma cirurgia, a professora Marilza Mariano assumiu a coordenação do Clube. Segundo Ederson, mesmo sem a presença do educador, uma parte dos alunos estavam trabalhando todo dia e fazendo sua parte na composteira, demonstrando muito interesse no sucesso do projeto. Inclusive, ele conta que recebia fotos diárias do que eles estavam realizando.

O professor ressalta a autonomia que os estudantes desenvolveram, principalmente, no período que estavam sem educador, “é isso que eu achei legal, porque o projeto está andando até melhor do que quando eu estava junto. Eles fazem questão da compostagem, todos os dias vão até a cozinha, 11h/11h30, ver quanto de resíduo foi formado para pesar. Depois que os alunos pesam o resíduo, eles mandam no nosso grupo do WhatsApp essa quantidade, porque depois vamos fazer um tratamento estatístico do que foi gerado” explica Ederson.
O clube tem maior quantidade de meninos do que meninas, mas ambos estão envolvidos. Também há estudantes da sala de recursos multifuncionais, que é um espaço nas escolas de educação básica onde acontece atendimento educacional especializado (AEE). Eles conseguem dialogar com outras eletivas, além daquela que o professor tem com os alunos do ensino fundamental. Por exemplo, existe uma disciplina eletiva de PANCs (plantas alimentícias não convencionais) que acontece no mesmo dia e horário do clube e por isso em alguns momentos eles trabalham juntos.
A dinâmica do grupo nas primeiras aulas era mais teórica. Eles foram então separados em equipes para irem pesquisando sobre cada assunto relacionado ao clube. No momento, estão sendo mais práticos, para depois retornarem com a parte de pesquisa e teoria. Entre os momentos marcantes pelo grupo, um que se destaca foi a primeira vez que os alunos desceram para a horta. O professor explica que se admirou ao ver os estudantes com a “mão na massa”. Além disso, houve uma mobilização de ambas turmas, a do clube e os alunos da outra eletiva do professor.
Uma das dificuldades do clube apontada por Ederson, são os alunos não muito engajados. A solução foi a distribuição dos trabalhos de acordo com as aptidões dos estudantes. Existem aqueles que se interessam pela prática da horta e aqueles que preferem a teoria. Mas, como explica o professor, isso acontece porque, “uma parte dos alunos ainda não entraram na essência do trabalho. A ideia é eles serem pró ativos e protagonistas. Entendendo que um depende do outro”.
O professor ficou muito animado para a Culminância do colégio que aconteceu na primeira semana de julho. Nesse evento, as disciplinas eletivas apresentaram os trabalhos desenvolvidos semestralmente. O Clube Compostagem e Horta Escolar apresentou composteiras e expôs a horta para a comunidade. O objetivo do projeto em si, é transmitir essa consciência para quem vier assistir, explicando as possibilidades de fazer o uso dos resíduos orgânicos em suas casas.
A novidade desta Culminância no Colégio Estadual Arthur de Azevedo foi a presença da Itinerância do Mudi (Museu Dinâmico Interdisciplinar), da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Essa foi uma maneira de aproximar a comunidade da escola, principalmente, os pais dos alunos. Na noite do dia dois e no dia três de julho, o Mudi apresentou suas exposições e a escola estava de portas abertas para atender todos que foram.

A horta do colégio está crescendo com o clube. Conforme o professor, isso está caminhando junto de outro objetivo do grupo, que é a destinação dos resíduos orgânicos para produzir adubo e conseguir plantar os alimentos para as refeições dos alunos na escola. A intenção é que os estudantes, primeiro, se ambientem com a plantação para depois adicionar o adubo oriundo da compostagem. Eles já cultivam alface, almeirão, cebolinha, salsinha e couve. A cebolinha é um dos produtos atualmente servidos na alimentação deles.
Em caráter de pesquisa, Ederson conta que irão fazer a compostagem com minhocas de espécies diferentes: a minhoca-californiana, a violeta-do-himalaia e a gigante africana. O objetivo é comparar essas minhocas que são comerciais com as minhocas existentes na região: minhoca puladeira (Amynthas gracilis) e minhoca rosa-mansa (Pontoscolex corethrurus). Assim, observar qual dos cinco modelos melhor se desenvolveu nas hortas do colégio.
Outro plano futuro é ocupar mais um espaço disponível na escola para fazer uma horta. Eles esperam realizar uma comparação entre a horta que estão fazendo no momento com uma automatizada, neste novo ambiente. O professor explica que serão feitos canteiros em linha para o sol incidir ao mesmo tempo em todos os espaços. Também será colocado um sistema de irrigação automático, com a placa Arduino (plataforma de prototipagem eletrônica de código aberto) possibilitando o acesso remoto, além de sensores de temperatura e umidade.
A análise de solo é uma outra pesquisa que o professor deseja realizar com os estudantes. Conforme Ederson, é importante que eles entendam sobre pH do solo e os nutrientes necessários. Além disso, a criação de um site é uma das ideias que está se estruturando. O intuito é que ele seja alimentado com a pesquisa que os alunos realizaram a respeito da compostagem, e irão executar com as espécies de minhocas e as características do solo da escola.