Encontro de promotores de feiras mostrou que a formação de avaliadores é um dos desafios a serem enfrentados

No segundo e último dia do I Encontro de Promotores de Ciências do Paraná, realizado na noite de quinta-feira (7), reforçou duas questões que envolvem os professores, alunos de pós-graduação e gestores escolares envolvidos com a promoção de feiras e mostras de ciências: a participação nos clubes de ciências tem se mostrado relevante para melhorar o aprendizado dos alunos da Educação Básica, os chamados clubistas, e há a necessidade de priorizar a formação de avaliadores de trabalhos de pesquisa em eventos científicos.
Durante dois dias, com cada encontro de duas horas pelo Google Meet, houve palestras de especialistas, troca de experiências e roda de conversa sobre os desafios que precisam ser enfrentados e as perspectivas de trabalho a ser feito para consolidar a Rede de Feiras Paraná Faz Ciência.
Em sua apresentação, o professor Jonathan José de Oliveira Pereira, da Escola Estadual de Ensino Fundamental Professor Giampero Monacci, de Itambé, contou como os alunos se engajaram nos clubes de ciências a partir do eixos da Robótica, Sustentabilidade e Ação Social.
“A partir da ciência, é possível verificar os impactos na aprendizagem e, principalmente, no comportamento dos estudantes, que se tornaram protagonistas na proposição de problemas e na busca de soluções, além de desenvolver pensamento crítico, saber organizar dados e criar consciência social”, enfatiza Pereira.
Por outro lado, o professor diz que este movimento de transformação também se dá com os professores, que encontram nos clubes uma oportunidade para se renovar: “Jamais podemos cessar esse movimento nas escolas porque tem sido transformador para todo mundo”, acredita.

A pesquisadora e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Eduarda Rodrigues Grunevald de Oliveira, foi uma das organizadoras da Uniociências 2025, a feira de ciências realizada em modo articulado com a UNIOXP, a feira de profissões da própria Unioeste. Em sua apresentação, ela destacou a importância de se estabelecer critérios para a avaliação em feiras de ciências.
“Uma feira de ciências é um espaço formativo e a avaliação dos trabalhos também tem que ser formativa, e não só classificatória, focando no desenvolvimento e aprendizagem do estudante e promove reflexão crítica e tem um papel pedagógico”, explica Eduarda.
Neste contexto, é preciso capacitar os avaliadores para observar aspectos como conhecimento científico, domínio teórico-metodológico do tema e a compreensão do conceito pelos alunos, além de inovação e criatividade. “O grande desafio é nivelar o ‘rigor científico’, garantir que o avaliador tenha a compreensão que se trata de uma pesquisa da Educação Básica”, acredita a pesquisadora.

Em relação ao uso da Inteligência Artificial no processo avaliativo, seja em trabalhos escolares e artigos científicos, Eduarda fez uma ponderação: “é um desafio avaliar, mas é possível verificar no momento da avaliação alguns padrões, após a leitura do trabalho. Nosso olhar tem que ser treinado para identificar, por exemplo, se a pessoa escreveu o texto e usou IA para aprimorar a escrita, mas foi ela quem desenvolveu a pesquisa; ou se não consegue apresentar a pesquisa que está no texto”.
O I Encontro foi promovido pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Paraná Faz Ciência – NAPI PRFC e contou com dezenas de participantes com o objetivo fortalecer a cultura científica e a formação continuada de professores, gestores escolares e pesquisadores da Educação Básica.