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Clube de Ciências Raízes do Saber faz visita pedagógica em Guarapuava

Por: Mathias Trindade

Clubistas de Laranjeiras do Sul visitaram o Parque das Araucárias, o Clube de Ciências do Colégio Padre Chagas e a horta comunitária do bairro Xarquinho

Foto dentro de um ônibus durante uma viagem escolar. Em primeiro plano, um homem de óculos, barba curta e camiseta preta faz uma selfie sorrindo. Ao lado dele, uma mulher de óculos escuros também sorri para a câmera. Ao fundo, várias crianças aparecem sentadas e em pé entre os bancos do ônibus, algumas sorrindo, fazendo sinais com as mãos e olhando para a foto. Todos usam camisetas pretas semelhantes, indicando participação em um mesmo grupo ou atividade. O clima é descontraído e alegre
Estudantes do Clube Raízes do Saber, professora Jane Aparecida e o diretor Robison Coradeli a caminho de Guarapuava (Foto/Arquivo Pessoal)

No dia 23 de abril, os estudantes do Colégio Estadual Floriano Peixoto, localizado em Laranjeiras do Sul, realizaram uma visita pedagógica em três pontos diferentes de Guarapuava. Os alunos do Clube Raízes do Saber, coordenado pela professora Jane Aparecida Lazare Pereira, puderam conhecer o Parque das Araucárias, o Clube de Ciências do Colégio Estadual Padre Chagas e a horta comunitária do bairro Xarquinho.

A visita teve como objetivo central ampliar os conhecimentos científicos, ambientais e comunitários desenvolvidos pelo clube na escola. A atividade foi organizada pela professora Jane Aparecida Lazare Pereira, pela orientadora pedagógica Samara dos Santos e pela professora orientadora Cecília Hauresko, que atuam na articulação do clube junto à Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro). Foi uma oportunidade para experiências práticas, trocas de conhecimento e contato direto com projetos voltados à preservação ambiental.

Conforme a professora responsável, o envolvimento dos estudantes foi intenso durante toda a programação. “O envolvimento dos alunos foi total, tanto que a gente ficou o dia todo conhecendo, fazendo as atividades, conhecendo, e faltou tempo, porque eles queriam ficar mais tempo lá no museu de ciências, explorando, estudando os animais, o borboletário. O envolvimento deles foi bem, bem, bem grande”, contou a professora Jane.

Alunos do Colégio Estadual Floriano Peixoto conhecendo o Museu de Geologia, localizado no Parque das Araucárias, em Guarapuava (Foto/Arquivo Pessoal)

1ª parada: Parque das Araucárias

O dia dos alunos começou com a visita ao Parque das Araucárias, onde eles também puderam conhecer o Museu de Ciências Naturais, o Museu de Geologia e o Museu de Entomologia. Durante a atividade, os estudantes observaram conteúdos voltados à física, à química, aos insetos e às questões ambientais já trabalhadas por eles no clube de ciências em Laranjeiras do Sul.

Além da visita aos museus, a primeira atividade também incluiu contato direto com o borboletário do parque, onde os alunos conheceram diferentes espécies de animais e plantas. O clubista Henzo Gabriel Frandolozo, de 14 anos, conta que o passeio o fez compreender melhor a importância da biodiversidade. “Eu entendi a importância da preservação da biodiversidade local, e de como, sem aquela área de preservação ambiental, aqueles mamíferos, aves e insetos presentes ali ficariam sem moradia e alimento. Isso também reflete na hora de fazermos a trilha, porque não podemos mexer em nada e nem alterar o ambiente”, relatou o estudante.

Clubistas em contato com diferentes espécies existentes no Parque das Araucárias (Foto/Arquivo Pessoal)

De clube para clube

Seguindo a programação, os estudantes, juntamente com a professora e o diretor do colégio, professor Robison Tiago Coradeli, foram até o Colégio Estadual Padre Chagas para conhecer as atividades do clube EcoCientistas Visionários, coordenado pelo professor Emerson de Souza. O principal objetivo dessa etapa foi promover a interação entre clubes de diferentes escolas e permitir que os alunos conhecessem outras formas de desenvolver projetos científicos e ambientais.

“No clube de ciências do [Colégio] Padre Chagas, nós conhecemos uma outra visão de Clube de Ciências, que, no caso, trabalha com as questões ambientais. Então, para eles saberem como funciona em uma outra realidade também, que não seja só a horta”, contou a professora Jane. A professora também destacou a receptividade da equipe durante a visita ao colégio. “Fomos recebidos com almoço, nos trataram muito bem. O professor Emerson tirou um tempinho do trabalho dele para nos mostrar como estava o Clube de Ciências, nos mostrou o projeto dele. Nossa gratidão à escola, à direção, ao professor Emerson pela receptividade e o acolhimento.”

Para encerrar o dia em Guarapuava, os clubistas seguiram até a horta comunitária do bairro Xarquinho, acompanhados pela professora orientadora da Unicentro, Cecília Hauresko. No local, os alunos aprenderam sobre o funcionamento da horta, a divisão dos espaços, a escolha das plantas e os cuidados necessários para o cultivo.

A professora Cecília iniciou a visita fazendo a mediação entre os estudantes e as agricultoras Juliana Aparecida Svidnicki e Leni Aparecida Antunes Ferreira, que atualmente exercem, respectivamente, as funções de coordenação e vice-coordenação da horta comunitária. “As agricultoras receberam os alunos de forma acolhedora e generosa, compartilhando suas experiências sobre o cotidiano da horta, sua organização e a importância das hortas comunitárias para o bairro e para a cidade”, contou a orientadora.

Durante a visita, os estudantes participaram ativamente fazendo perguntas sobre irrigação, plantio e manutenção da horta. Os alunos puderam observar como as agricultoras se organizam coletivamente, quais práticas de cultivo são utilizadas, que tipos de alimentos são produzidos e se a produção é destinada à comercialização ou ao consumo das próprias famílias.

Estudantes do Clube Raízes do Saber conheceram de perto o funcionamento da horta comunitária do bairro Xarquinho (Foto/Arquivo Pessoal)

Além disso, os estudantes compreenderam os benefícios sociais, ambientais, educativos e alimentares proporcionados pelas hortas urbanas comunitárias. A atividade também permitiu que percebessem a importância do trabalho coletivo e da interação comunitária para o aprendizado e a produção de alimentos.

Segundo a professora Cecília, foi surpreendente o interesse demonstrado tanto pelos estudantes quanto pelas agricultoras durante a atividade.

“O que mais chamou a minha atenção foi a forma respeitosa e interessada com que os estudantes interagiram com as agricultoras da horta. Eles demonstraram curiosidade em compreender como a horta comunitária funciona, fizeram perguntas sobre o cultivo, a organização dos canteiros, a produção de alimentos e o cotidiano das agricultoras.Também foi significativo observar a disposição das moradoras em compartilhar seus conhecimentos e experiências. Elas explicaram de forma bem detalhada como organizam o trabalho, quais alimentos cultivam, quais dificuldades enfrentam e quais benefícios a horta proporciona às suas vidas e à comunidade. Foi um importante diálogo entre o conhecimento escolar e os saberes construídos na prática cotidiana da horta, mostrando [aos estudantes] que a aprendizagem também ocorre em espaços comunitários e por meio da escuta das experiências de outras pessoas”, defende a professora

A observação da diversidade de plantas despertou uma nova ideia para o Clube de Ciências da escola: a criação de uma horta sensorial. O projeto deverá trabalhar os órgãos dos sentidos por meio das diferentes cores, texturas e aromas das plantas observadas durante a visita.“Juntamente com a professora Cecília, nós estamos trabalhando essa questão agora e nos surgiu a ideia de uma horta sensorial. Então, nós vamos trabalhar nisso, porque nos deu a ideia quando verificamos lá na horta a diversidade de plantas que eles têm lá, os cheiros diferentes, as colorações”, contou a professora Jane.

Durante a visita, os alunos aprenderam sobre cultivo, irrigação e organização coletiva da horta comunitária (Foto/Arquivo Pessoal)

Os alunos também passaram a refletir sobre como adaptar a horta escolar às necessidades da comunidade escolar. Após observarem o funcionamento da horta comunitária, sugeriram realizar pesquisas dentro da escola para descobrir quais alimentos e plantas são mais consumidos pelos estudantes, direcionando assim o plantio da horta.

Além disso, a visita trouxe aprendizados sobre o uso de plantas repelentes naturais para proteger a horta contra insetos, prática apresentada pelas responsáveis na horta comunitária.“Também, como a gente viu bastante variedade de plantas na horta, a senhora que cuida lá nos mostrou várias plantas repelentes que podem estar na nossa horta para evitar os insetos a danificando”, explicou a coordenadora do clube.

Para a professora da Unicentro, Cecília, atividades como essa contribuem diretamente para a construção de uma consciência ambiental mais ampla entre os estudantes. “Atividades como essas contribuem para a educação ambiental porque permitem que os estudantes aprendam por meio da observação direta e do contato com práticas concretas de cuidado com a natureza. Ao visitar a horta, eles compreendem melhor temas como o uso do solo, a produção de alimentos, o reaproveitamento de resíduos orgânicos, a compostagem, a biodiversidade, o consumo consciente e a sustentabilidade urbana. Essa experiência também ajuda os estudantes a perceber que a educação ambiental não se limita à teoria, mas envolve atitudes cotidianas, participação social e responsabilidade coletiva com o ambiente em que vivem.”

Acompanhe mais atividades do Clube Raízes do Saber pelo Instagram @clube_ciencias_floriano. Para conhecer também as ações dos outros Clubes de Ciências, siga a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência no Instagram ou pelo site do NAPI Paraná Faz Ciência.