Alunos da Rede de Clubes de Ciências Paraná Faz Ciência também mostraram suas pesquisas no palco 4

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência pode ser definido como ‘a rede das redes’, ou seja, é responsável pela gestão de uma variedade de projetos e iniciativas envolvendo 14 instituições de ensino superior do Paraná na construção de uma cultura científica de forma que as pessoas entendam e valorizem a ciência feita no estado. Modelo de organização em rede no país para a popularização da ciência, o NAPI apresentou os resultados das ações no último dia da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).
“Ao divulgar a ciência de forma criativa e interativa, o objetivo é despertar o interesse e identificar jovens talentos para o universo do conhecimento e possam seguir a carreira acadêmica e se tornar cientistas, como eu”, afirmou a professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e articuladora do NAPI PRFC, Débora de Mello Sant’Ana, durante a apresentação, no Palco 4 do evento.
Em ação desde 2021, atualmente o Arranjo de Pesquisa é composto por 110 pesquisadores de 14 distribuídos em quatro grandes projetos em rede que trabalham para criar ambientes que envolvam os paranaenses com a ciência e a tecnologia: site Conexão Ciência – C², o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), Quintas de Ciência, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, Rede de Museus de Ciências e eventos de ciência como o Paraná Faz Ciência e as Feiras de Ciência e Cultura, de Curitiba, e litoral.

Tudo é feito de forma a proporcionar às crianças, adolescentes e adultos uma nova perspectiva sobre o mundo. Com fomento da Fundação Araucária (FA) e apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), o NAPI PRFC já soma mais de R$ 40 milhões em recursos, a grande parte da FA, para gestão de projetos, de pessoal, infraestrutura, materiais e publicações.
De acordo com outro articulador do NAPI PRFC, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Rodrigo Arantes Reis, “estamos vencendo o grande desafio que é gerenciar todas as demandas das redes, com desempenho espetacular no engajamento dos paranaenses nas ações e eventos.
Todas as apresentações estão disponíveis no canal do YouTube da Fundação Araucária.
Rede de Clubes Paraná Faz Ciência
Dez clubes da Rede Paraná Faz Ciência levaram ao público do evento não apenas as pesquisas desenvolvidas em suas escolas durante esta quinta-feira (12), mas também um pouco da vivência que faz parte do cotidiano de um clube de ciência. Participaram da atividade estudantes e professores dos clubes do Colégio Estadual Professor Máximo Atílio Asinelli, Colégio Estadual Lúcia Bastos, Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Júnior, Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, Colégio Estadual Herbert de Souza e Colégio Theodoro de Bona. Também estiveram presentes dois clubes da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, do Colégio Estadual Euzébio da Mota e do Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto.
Clubes da Rede Paraná Faz Ciência encerram a Semana Araucária (Foto/NAPI PRFC)
As pesquisas apresentadas abordam temas diversos, que vão desde o uso de plantas medicinais até soluções tecnológicas e ambientais. Entre os trabalhos apresentados estavam estudos sobre foguetes capazes de lançar sementes para reflorestamento de áreas degradadas, investigações sobre bullying no ambiente escolar e propostas para evitar a infestação de pombos em determinados espaços urbanos.
Para muitos estudantes, a participação na Semana Araucária foi a primeira experiência em um evento científico. É o caso dos integrantes do clube Cross Tech Science Portinari, da Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, em Curitiba. O professor Roni Zanatta explica que a presença no evento representa uma oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido pelos estudantes e também de inseri-los no ambiente da ciência. “O nosso clube se chama Cross Tech Science Portinari, é um nome novo. Atualmente, a gente tem dez integrantes, que começaram agora há pouco tempo, porque houve uma troca de participantes.”
Segundo o professor, apresentar o projeto em um evento científico também ajuda a dar visibilidade ao potencial de produção científica existente nas escolas públicas. “É um evento científico, então é onde a gente pode mostrar o que a gente faz, como estamos trabalhando. E mostrar que, mesmo nas regiões mais periféricas da cidade, existem condições de produzir ciência de alto nível, mesmo em uma escola de ensino fundamental.”
Além de divulgar os projetos, a experiência também contribui para que os estudantes compreendam melhor como funciona o processo científico, incluindo a comunicação dos resultados. “É a primeira vez que meus alunos participam de um evento científico. Então eles conhecem não só a produção da ciência, mas também a divulgação dos dados. E ainda conseguem fazer contatos, construir redes, o que é muito importante na ciência.”
Entre os clubistas que se apresentaram estava Maíra de André Ribeiro, do Clube Bona, de Almirante Tamandaré. Para ela, o evento é uma oportunidade de compartilhar o conhecimento produzido no clube e ampliar a conscientização sobre questões relacionadas ao território onde vivem. “Acho que é importante estar aqui porque, além da divulgação do nosso clube, também é uma forma de conscientizar as pessoas por meio da nossa pesquisa.”
O trabalho desenvolvido pelo grupo parte da observação de um espaço próximo à comunidade escolar. “A nossa pesquisa foi sobre o parque da nossa região. Acho que é muito bom entender o ambiente com o qual a gente convive e saber o que estamos fazendo”, acrescentou Maíra.
O NAPI PRFC divulgou o e-book ‘Ciência é Para Meninas’, uma produção da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker. Este volume é um convite para você mergulhar no universo das “clubistas”, meninas que transformam curiosidade em projetos reais e mostram que o Paraná é um celeiro de mentes brilhantes e inovadoras.
Percepção da Ciência
Os resultados da primeira ‘Pesquisa de Percepção Pública da Ciência, Tecnologia e Inovação 2025’ pelos paranaenses foi apresentada na Semana Araucária pela bolsista pós-doc da Rede Paraná Faz Ciência, Tamara Domiciano, objeto de sua tese de doutorado. De acordo com a pesquisadora, os dados revelam que os paranaenses confiam na ciência e nos cientistas, e têm interesse em conhecer mais sobre CT&I.
“Um indicador importante para a definição de políticas públicas que a pesquisa revela é que as pessoas querem mais investimentos em ciência e tecnologia, inclusive com a construção de novos espaços museais, já que mais de 25% dos paranaenses não tem um museu próximo”, salienta Tamara.

Em sua apresentação, a pesquisadora também enfatizou a vivência das pessoas em relação às fake news, no que se refere à ciência. “Apesar da maioria acreditar nas mudanças climáticas, nas vacinas e na evolução da nossa espécie, em torno de 60% assume que disseminam notícias falsas, mesmo sabendo que não são verdadeiras, ou sem chegar em fontes confiáveis”, alerta.
O projeto executivo da Primeira Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná 2025 está acessível no e-book para pesquisadores, gestores e sociedade civil.
Aparato expositor
Outra novidade apresentada na Semana Araucária como mais um produto do NAPI Paraná Faz Ciência é o protótipo de um expositor portátil de divulgação científica desenvolvido para circular por diferentes espaços e eventos. O modelo foi concebido pelo professor de Design da UFPR, Vinícius Miranda de Morais, em parceria com o bolsista técnico que auxiliou a criação, Giuliano Perreto.

“Foram quase dois anos desde a concepção e o protótipo. Agora, estamos na fase de feedbacks para os ajustes antes de começar a produção das unidades iniciais”, informa Morais. Serão entregues 25 exemplares do produto para a apoiar a comunicação das pesquisas realizadas por diferentes Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) do Paraná. O aparato foi pensado para ser adaptável à natureza de cada pesquisa, podendo ser montado em diferentes configurações.
Conexão Ciência – C²
Para finalizar a participação na Semana Araucária, a bolsista Milena Massako Ito, da equipe de comunicação do projeto Conexão Ciência – C², fez uma apresentação da plataforma de divulgação científica, que reúne mais de 400 matérias desde julho de 2021, mostrando a ciência de forma colorida, criativa e atraente por diferentes conteúdos, como textos explicativos, imagens, ilustrações autorais e exclusivas, podcasts e outros conteúdos educativos e jornalísticos.
Já o bolsista Guilherme de Souza explicou como foi a produção do conteúdo dos 51 NAPIs para a plataforma IAraucaria e como são produzidas as matérias a partir do contato com os pesquisadores, o tratamento das informações e produção do conteúdo multimídia, sob a coordenação editorial da jornalista Ana Paula Machado Velho.
Na sequência, Luca Higashi apresentou os novos volumes dos e-books com o conteúdo do site do C² de 2023, organizados ano passado e lançados na Semana Araucária 2026. No site do Paraná Faz Ciência, é possível acessar os cinco volumes do e-book da produção de 2021 e 2023.

O NAPI PRFC também divulgou o e-book ‘Ciência é Para Meninas’, uma produção da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker. Este volume é um convite para você mergulhar no universo das “clubistas”, meninas que transformam curiosidade em projetos reais e mostram que o Paraná é um celeiro de mentes brilhantes e inovadoras.






