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Clubes da rede municipal de Curitiba levam pesquisas à Semana Araucária e ampliam presença da cultura científica

Por: Marilaine Martins

Projetos curitibanos articulam ciência, tecnologia e experiências do cotidiano escolar

Grupo de pessoas posando para foto em um espaço interno de evento. Ao fundo, há um painel branco com a palavra “CONTATO”, logotipo, endereço de site e um perfil de rede social. As pessoas estão organizadas em duas fileiras: uma em pé e outra agachada à frente. A maioria utiliza camisetas pretas com estampas coloridas relacionadas a ciência e crachás de identificação pendurados no pescoço. Algumas usam fones de ouvido. Há também pessoas com roupas casuais, como jaquetas e camisetas claras. Todas estão voltadas para a câmera, com expressões sorridentes ou neutras. O ambiente é bem iluminado, com estrutura de evento visível nas laterais.
Clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’ e articuladores do NAPI reunidos no evento (Foto / Marilaine Martins)

Projetos que surgem de questões do cotidiano escolar e do território dos estudantes da rede municipal de ensino de Curitiba ganharam espaço na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação. Desenvolvidas em clubes de ciência da Rede Paraná Faz Ciência, as pesquisas apresentadas articulam investigação, tecnologia e vivências dentro e fora da escola.

A participação, no entanto, ainda é pontual: entre os 290 clubes que integram a Rede Paraná Faz Ciência, apenas dois estão vinculados à rede municipal de ensino, em Curitiba. A inserção ocorre por meio dos clubes ‘Cross Tech Science Portinari’ e ‘Incríveis Pesquisadores Maker’.

Três pessoas estão em um espaço interno de evento, próximas a um telão de apresentação. Duas estão à frente, utilizando crachás e fones de ouvido, e seguram microfone e papel, como em uma fala ao público. Uma terceira pessoa permanece logo atrás, também com crachá e fones. No telão, aparece um slide com informações do projeto, incluindo o nome do coordenador, lista de participantes e a indicação de que são estudantes do Ensino Fundamental. No canto inferior, há a identidade visual do Paraná Faz Ciência. O ambiente é amplo, com iluminação clara e estrutura de evento ao fundo.
Integrantes do clube ‘Cross Tech Science Portinari’ apresenta pesquisa durante a Semana Araucária, no Centro de Eventos do Sistema FIEP (Foto / Marilaine Martins)

No clube ‘Cross Tech Science Portinari’, da Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, localizada na região da Cidade Industrial (CIC), os projetos desenvolvidos envolvem educação ambiental articulada ao uso de tecnologias. Com dez estudantes, o grupo passou recentemente por uma renovação, e a participação na Semana Araucária marcou o primeiro contato com um evento em que foi possível apresentar o trabalho desenvolvido pelo clube. Para o professor coordenador, Roni Zanatta, o momento também representa a possibilidade de ampliar o contato dos estudantes com outras iniciativas.

Para o professor, a participação evidencia a capacidade de produção científica em diferentes contextos educacionais. “A gente tem, mesmo nas regiões mais periféricas da cidade, condições de produzir ciência de alto nível, inclusive em uma escola de ensino fundamental”, afirma.

Além de apresentar os projetos, o evento marca o primeiro contato dos estudantes com um espaço de divulgação científica. “É a primeira vez que eles participam de um espaço como esse. Eles passam a conhecer não só a produção, mas também a divulgação dos dados”, explica Roni.

A imagem mostra três adolescentes em um palco durante um evento científico. Elas estão posicionadas lado a lado, voltadas para o público, próximas a um telão de apresentação. Todas utilizam fones de ouvido e crachás de identificação pendurados no pescoço. Duas delas seguram microfones, indicando que estão apresentando ou se preparando para falar. As três vestem roupas escuras, sendo que duas usam camisetas com a identidade visual do grupo “Os Incríveis Pesquisadores Maker”. A postura delas é atenta e concentrada, sugerindo um momento de apresentação formal do projeto.
Além da estrutura do clube, integrantes dos “Incríveis Pesquisadores Maker” explicaram o que motivou a principal pesquisa em andamento no clube (Foto / Marilaine Martins)

Já no clube ‘Incríveis Pesquisadores Maker’, da Escola Municipal CAIC Doutor Guilherme Braga Sobrinho, localizada na região do Sítio Cercado, a participação no evento também é compreendida como um momento de reconhecimento do trabalho desenvolvido na escola. A professora e coordenadora do clube, Doralice Lima, destaca o envolvimento dos estudantes na definição dos temas investigados.

“Os estudantes pesquisam temas que eles mesmos consideram importantes e, ao apresentar aqui, mostram o quanto são capazes e que podem ser protagonistas das próprias trajetórias”, afirma. Segundo a professora, a experiência reforça a relevância das práticas investigativas no contexto escolar. “É uma confirmação de que esse trabalho pode ser feito e que ele é imprescindível nas escolas”, completa.

A participação dos clubes da rede municipal em eventos como a Semana Araucária também se relaciona com a forma como a experiência do Clube de Ciência da Rede Paraná Faz Ciência vem sendo desenvolvida no contexto escolar.

Para Santina Bordini, professora que acompanha os clubes na Rede Municipal de Curitiba, a participação ativa dos estudantes amplia seu papel no processo de aprendizagem. “Eles deixam de ocupar apenas o lugar de quem recebe informações e passam a investigar, criar, testar, errar, revisar e apresentar soluções”, afirma. Nos clubes, esse processo inclui o erro como parte da construção do conhecimento. “Nem sempre a primeira ideia funciona, e isso é muito bom e contribui para sua formação como pessoa”, defende.

A professora ressalta que os projetos desenvolvidos tendem a partir de questões do cotidiano e das realidades dos estudantes. “Muitas vezes, as propostas nascem da escola, da comunidade, do território onde esses alunos vivem. Isso aproxima ciência e realidade e torna a aprendizagem mais significativa”.

Nesse contexto, a participação em eventos como a Semana Araucária amplia o alcance dessas produções e reforça seu reconhecimento social. “Quando os estudantes apresentam seus projetos em um evento dessa natureza, eles percebem que aquilo que produziram na escola tem valor social, merece ser visto, discutido e reconhecido”. A inserção em espaços como a Semana Araucária e a Feira de Ciência e Inovação (FECCI) também contribui para que esses trabalhos circulem em diferentes contextos de produção e socialização do conhecimento.

Ainda que em número reduzido dentro da rede, a presença dos clubes dentro de Escolas Municipais evidencia possibilidades de fortalecimento das práticas investigativas na educação básica e indica caminhos para a ampliação de experiências desse tipo no contexto escolar.Siga o perfil da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, no Instagram, @clubesparanafazciencia para saber o que acontece nos clubes da rede. E no site Paraná Faz Ciência estão mais matérias e registros das ações do NAPI Paraná Faz Ciência.