Estudantes de Fazenda Rio Grande e São José dos Pinhais apresentaram soluções sustentáveis e análises sociais em evento científico em Curitiba

Entre os dias 10 e 12 de março de 2026, o Campus da Indústria, da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), tornou-se o epicentro da inovação paranaense durante a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Com o tema “Recursos públicos transformados em conhecimento e desenvolvimento”, o evento buscou demonstrar como a ciência impacta o cotidiano da população. No último dia da programação (12/03) em Curitiba, a Rede Paraná Faz Ciência levou dez de seus mais de 250 clubes para compartilhar suas vivências investigativas, com destaque para os clubes Liga Científica e o Mentes em Ação, ambos vinculados à Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
O clube Liga Científica, do Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, em Fazenda Rio Grande, apresentou os frutos de sua horta escolar agroecológica. Sob a coordenação da professora Suelen Santos Rego, os estudantes demonstraram como transformam o ambiente escolar em um laboratório vivo.
O foco da apresentação foi a eficácia do adubo orgânico produzido via compostagem na própria escola. A pesquisa, que comprovou um crescimento superior das hortaliças, já colhe reconhecimentos externos: o projeto conquistou o 2º lugar na categoria Empreendedorismo Jovem na FECCI 2025. “Nosso objetivo é criar soluções voltadas para a preservação e levar essa mentalidade científica para feiras e eventos”, destacam os membros do clube.
Já o clube Mentes em Ação, do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, levou ao evento uma investigação científica sobre um tema urgente e global: o fenômeno do bullying. Sob a coordenação da professora Pauline Henrique Fernandes, o clube desenvolveu o projeto “Bullying: uma análise na escola”, que se destaca pelo rigor metodológico na compreensão das dinâmicas de convivência escolar.
O trabalho dos clubistas serve de modelo para outras instituições, pois foca na criação de estratégias de acolhimento frente a esses casos. O planejamento do grupo inclui a formação de estudantes mediadores e a construção de um Programa de Prevenção inspirado no Método Olweus, referência internacional na redução de conflitos através de redes de apoio social e escuta ativa.
A professora Neusa Nogas Tocha, representante da UTFPR, acompanhou de perto as apresentações e ressaltou como essa integração fortalece a educação. “Ver esses jovens na Semana Araucária é o resultado do trabalho em conjunto da comunidade escolar e universidade. Essa rede de apoio permite que o conhecimento circule e que os estudantes se sintam seguros para investigar temas complexos e compartilhar em eventos como este. É uma demonstração clara de como a colaboração está mudando a educação no Paraná”, defende.
A participação desses clubes na Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) reafirma que a ciência paranaense começa cedo, dentro das salas de aula ou de locais como as hortas escolares, transformando a realidade dos estudantes e de suas comunidades para melhor.
Clubistas falam dos planos para os eventos, sobre novas pesquisas e aprofundamento de projetos

Com o início do ano letivo, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência entram em uma nova etapa de planejamento e aprofundamento das investigações desenvolvidas ao longo do tempo. Alguns projetos iniciados anteriormente seguem em expansão, enquanto experiências acumuladas em feiras e eventos científicos inspiram novas perguntas e orientam diferentes caminhos de pesquisa, consolidando um processo investigativo contínuo. A chegada de novos integrantes também amplia perspectivas e contribui para a diversidade de temas e interesses que mobilizam os clubes.
Nos diferentes clubes da rede, esse movimento já se traduz em ações concretas. Além da organização das pesquisas e do planejamento das atividades, várias unidades realizaram encontros de apresentação, divulgação interna e mobilização para integrar novos clubistas, iniciativas essas que ampliam a participação, fortalecem o sentido de pertencimento e garantem a continuidade das ações ao longo do ano.
No Colégio Prefeito João Maria de Barros, por exemplo, em Campina Grande do Sul, a professora coordenadora Taiza Klemba precisou reorganizar o grupo após a mudança de turno de parte dos estudantes com a passagem para o nono ano. “Eu passei de sala em sala convidando, fechei o número de 20 estudantes e tenho lista de espera”, relata. A docente destaca que a procura foi facilitada pela reputação já consolidada do projeto entre os alunos, que reconhecem as atividades diferenciadas, as aulas de campo e as pesquisas desenvolvidas.
Já no Clube Bona, em Almirante Tamandaré, formado por alunos de Ensino Médio, a pesquisa sobre qualidade da água pode ganhar novos desdobramentos ao longo deste ano. Além da abordagem biológica já realizada pelos estudantes, há a possibilidade de incorporação da análise química, a partir do interesse demonstrado pela professora do curso técnico em Química do colégio em colaborar como coautora do trabalho, fortalecendo a perspectiva interdisciplinar e ampliando o alcance do estudo. Para os integrantes, essa ampliação dialoga com a própria trajetória do grupo. “É o mesmo tema, só que analisado de formas diferentes. Isso é interessante”, comenta Eduardo Fernando Ferreira da Silva, 17 anos.
Além da continuidade dos estudos já desenvolvidos, o grupo também projeta novas áreas de interesse para o próximo período. Entre elas, a identificação de animais e o aprofundamento em estudos sobre plantas medicinais têm ganhado destaque, refletindo o amadurecimento das discussões e a ampliação do repertório científico dos estudantes.
No caso da identificação, o interesse integra o percurso de Gabriel Victor do Nascimento, 16 anos, no clube e ganhou novas referências após a participação na FECCI (Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência). “Na feira eu vi muita gente esforçada em pesquisa de identificação de animais e isso me motivou ainda mais”, relata. Dentro das atividades do grupo, uma iniciativa do estudante passou a integrar as práticas do clube: ele levou um aquário que estava sem uso em casa e iniciou uma experiência com a alga da espécie elódea. O experimento permitiu observações no microscópio e revelou a presença inesperada de duas espécies de caramujos de água doce, ampliando as possibilidades de análise e identificação.
No campo das plantas medicinais, a inspiração surgiu a partir da premiação conquistada na FECCI no ano anterior, que incluiu um livro sobre o tema. “Eu gostaria que neste ano, por exemplo, um trabalho que a gente fizesse fosse focado no livro que a gente ganhou. Sobre as plantas medicinais. Eu acho interessante”, afirma Maíra de Andrade Ribeiro, 16 anos. A proposta também desperta interesse em Suzanna Heliza Gonçalvez de Freitas, de mesma idade, que destaca a possibilidade de utilizar os conhecimentos sobre plantas medicinais em estudos voltados à área da cosmética, explorando o uso de bases naturais no desenvolvimento de produtos.
Com projetos voltados para a área de robótica educacional e engenharia aplicada, o Clube de Ciências Nautilus Robotics, de Pinhais, iniciou o ano letivo já envolvido em atividades externas. No último sábado, 21 de fevereiro, a equipe participou do Amistoso das Araucárias, realizado no Colégio Sesi Indústria, evento preparatório para as próximas etapas da FIRST Tech Challenge (FTC), competição internacional de robótica educacional. O encontro reuniu equipes para momentos de prática, testes e ajustes antes das disputas oficiais.
Para Samuel, 16 anos, a participação foi especialmente marcante. Integrante da equipe nas funções de programação e engenharia, ele assumiu, desta vez, a pilotagem do robô. “Foi algo muito emocionante. Dessa vez pude ter a chance de pilotar”, relata.
Para 2026, a expectativa é avançar em relação ao ano anterior, com ajustes técnicos, ampliação dos conhecimentos e participação nos eventos previstos ao longo da temporada, fortalecendo a presença da equipe no Paraná e, possivelmente, em outros estados.
Rafael Lopes Virmond, 18 anos, também projeta o ano como uma oportunidade de aprimoramento técnico e integração com o grupo. A expectativa é desenvolver ainda mais suas habilidades como engenheiro e modelador 3D, além de fortalecer a convivência com os integrantes da Nautilus Robotics e com outras equipes da FTC. “Participar dos campeonatos, conhecer outras equipes e aprender como eles montam os robôs ajuda a melhorar o nosso trabalho em equipe”, afirma.
Já Hiran Silva dos Santos, 16 anos, destaca a necessidade de aperfeiçoamentos no desempenho do robô, especialmente em relação à precisão nos lançamentos. Segundo ele, o novo ciclo também demanda maior organização interna, com a definição de funções que permitam a cada integrante aprofundar-se em áreas como modelagem 3D, programação e pilotagem, sem perder o caráter colaborativo do grupo. A expectativa é que os próximos eventos, sejam amistosos ou oficiais, contribuam para um melhor desempenho no ranking e reforcem a motivação da equipe.
Além das expectativas dos estudantes, o professor Guido Valmor Buss, coordenador do Clube de Ciências Nautilus Robotics no Colégio Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, projeta um ano de ampliação das atividades e presença em novos espaços. Segundo ele, a equipe foi convidada a apresentar o projeto do clube no evento Smart City, na Arena da Baixada, e também se prepara para o Off-Season das Araucárias, a próxima temporada da FTC.
O coordenador destaca ainda a incorporação de novos desafios técnicos ao cotidiano do grupo, como a montagem de uma máquina CNC a laser, iniciativa que amplia as possibilidades de aprendizagem prática dos estudantes. “As expectativas são as melhores possíveis. São vários projetos em andamento e outras oportunidades que podem surgir ao longo do ano”, afirma.
Em diferentes áreas do conhecimento, os Clubes de Ciências do Paraná Faz Ciência iniciam o ano letivo com pesquisas em andamento, novas perguntas e reorganizações internas. Seja no campo, no laboratório ou em competições, o que marca esse início de ciclo é a disposição para rever caminhos, ampliar investigações e transformar experiências anteriores em novos pontos de partida.
A equipe de bolsistas e articuladoras iniciou o ano com uma reunião presencial

O dia 19 de fevereiro começou cedo para a equipe da Rede de Clubes de Ciência da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Reunidos em uma sala do Centro Tecnológico de Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, o grupo de oito bolsistas e duas articuladoras conversaram sobre a retomada das atividades dos clubes após o recesso escolar. A reunião teve como objetivo alinhar ações, refletir sobre o funcionamento dos clubes e organizar os próximos passos do trabalho ao longo do ano.

Entre as pautas da reunião, mudanças comuns ao início do ano letivo, como a saída de estudantes da escola após a formatura, o que, em muitos casos, exige a seleção de novos clubistas. Essas reorganizações fazem parte da dinâmica dos clubes de ciência e demandam um acompanhamento atento para garantir a continuidade das atividades e o engajamento dos estudantes.
As atividades já desenvolvidas pelos clubes em 2025 também estiveram em pauta. Para compreender como os clubes têm atuado, foram apresentadas novas propostas de acompanhamento para este início de semestre, considerando as práticas desenvolvidas, a participação dos estudantes, a produção científica, os desafios e as perspectivas.

De acordo com a professora doutora Marilei Sandri, uma das articuladoras da Rede de Clubes pela UEPG, estão previstas para as próximas semanas visitas aos clubes – especialmente aqueles que tiveram mudanças mais significativas, como a necessidade de substituição de professores. As visitas possibilitam um olhar mais próximo sobre a situação atual dos clubes, contribuindo para compreender suas demandas e apoiar o desenvolvimento das atividades ao longo do ano.
Com 290 clubes e cerca de 6 mil estudantes, iniciativa incentiva a investigação científica nas escolas do estado

O primeiro dia da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), que começou nesta terça-feira, dia 10, no Campus da Indústria, em Curitiba, destacou o papel da Rede de Clubes do NAPI Paraná Faz Ciência na promoção da cultura científica nas escolas do estado. Durante a apresentação d abertura, foi evidenciado o investimento de R$ 23,5 mi, realizado pela Fundação Araucária na Rede. Recurso que, hoje, se traduz em 290 clubes ativos em escolas de diferentes regiões do Paraná.
Atualmente, o NAPI Paraná Faz Ciência reúne cerca de 6 mil estudantes participantes, conhecidos como clubistas. Nos encontros semanais, crianças, adolescentes e jovens desenvolvem projetos de investigação orientados por coordenadores e articuladores vinculados a universidades e instituições de pesquisa.
A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Ana, observa que o recurso financeiro é um elemento necessário para viabilizar a política pública, mas o principal resultado aparece nas oportunidades que se abrem para os estudantes e para as comunidades onde os clubes estão inseridos. “A implantação dos clubes amplia horizontes para os estudantes e fortalece o sentimento de pertencimento ao mundo da ciência”, afirma.
Segundo Débora, quando o investimento chega às escolas por meio dos clubes, seus efeitos ultrapassam os participantes diretos da iniciativa. “Quando pensamos em um clube de ciência, não impactamos apenas o clubista. Impactamos também a escola, a família e o entorno. Recurso público bem aplicado significa multiplicação de ações. Esse movimento se espalha como uma onda, alcançando áreas cada vez mais distantes e beneficiando também quem não participa diretamente do clube”, explica.
Essa transformação se torna visível no modo como os estudantes passam a se relacionar com o conhecimento científico dentro dos clubes, das escolas e também em seu cotidiano. Na avaliação de Josiane Figueiredo, coordenadora dos clubes vinculados à Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a experiência permite que os jovens compreendam a pesquisa como algo próximo da realidade deles. “Mais importante que o recurso em si é o capital científico que vai sendo construído. Os estudantes começam a entender o que significa fazer pesquisa e percebem que podem transformar perguntas do cotidiano em investigação”.

Josiane acrescenta que os clubes também contribuem para aproximar a escola do ambiente acadêmico e ampliar o acesso dos estudantes à produção científica. “Antes, a pesquisa ficava muito concentrada dentro da universidade. Quando ela chega à escola, o estudante percebe que também pode produzir conhecimento e que a universidade pode fazer parte do caminho dele”, explica a professora.
A presença dos clubes em escolas distribuídas por diferentes regiões do Paraná também amplia o acesso à ciência em territórios diversos. Edinalva Oliveira, pesquisadora do NAPI Paraná Faz Ciência, destaca que essa capilaridade é um dos elementos centrais da iniciativa. “O Paraná tem um território amplo e quando essas ações chegam às escolas, inclusive às que estão em regiões periféricas, elas abrem horizontes muito significativos para os estudantes”, afirma.
Edinalva observa que o projeto também inclui formação continuada para professores, fortalecendo o desenvolvimento de atividades investigativas nas escolas. “O professor se apropria de novos saberes e, junto com os estudantes, consegue olhar para o território onde a escola está inserida e identificar questões que podem ser investigadas pela ciência”, destaca.
Segundo a pesquisadora, esse processo contribui para fortalecer a produção de conhecimento nas próprias comunidades. “Quem ganha não é apenas o grande centro. O território também passa a articular saberes, compartilhar experiências e construir conhecimento”, comemora.

Ao longo da programação da Semana Araucária, o público poderá conhecer alguns projetos desenvolvidos em clubes de ciência expostos nos estandes do NAPI Paraná Faz Ciência. Além disso, na quinta, dia 12, clubistas e coordenadores de clubes vão compartilhar suas experiências com participantes do evento.
Para Edinalva Oliveira, esse momento funciona como uma espécie de culminância das atividades desenvolvidas ao longo do ano. “Os clubes mostram o que fizeram, como fizeram e dialogam com outras escolas. Esse compartilhamento de experiências torna a caminhada ainda mais produtiva”, afirma. Segundo ela, a troca entre estudantes e professores é parte fundamental do processo de produção científica. “Conhecimento não é para ficar guardado. Conhecimento é para ser compartilhado.”
A Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até quinta-feira, dia 12, no Campus da Indústria, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e instituições para apresentar projetos e discutir iniciativas voltadas ao fortalecimento da ciência no Paraná.
Clubistas da Rede Paraná Faz Ciência ensaiam apresentações e organizam projetos que serão apresentados durante o evento de ciência e inovação em Curitiba

Integrantes de clubes da Rede Paraná Faz Ciência estão nos últimos dias de preparação para apresentar projetos desenvolvidos ao longo do último ano, durante a 1ª Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). O evento será realizado nos dias 10, 11 e 12 de março, no Campus da Indústria, em Curitiba.
A rede reúne atualmente 290 clubes no Paraná, entre Clubes de Ciências, Clubes Maker e Clubes de Meninas na Ciência, formados por estudantes e professores que desenvolvem atividades de investigação científica e divulgação do conhecimento em escolas do estado. Durante a programação da Semana Araucária, dez clubes da rede apresentarão seus projetos: sendo seis clubes de ciência, dois clubes maker e dois clubes de meninas na ciência.
Promovida pela Fundação Araucária, a Semana Araucária foi criada para fomentar o debate sobre políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação e educação, além de ampliar o acesso da população aos avanços científicos em diferentes áreas do conhecimento.
A programação inclui palestras, conferências, mesas-redondas, painéis, webminicursos e espaços de articulação entre representantes do governo, da academia, do terceiro setor e da iniciativa privada. Também integram o evento a 4ª Semana dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) e a 1ª Rodada de Negócios de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Nos clubes que participarão do evento, os encontros mais recentes têm sido dedicados à organização dos projetos e à preparação do que será levado para o evento. No BioClube, do Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, enquanto alguns clubistas revisam os trabalhos desenvolvidos e discutem a melhor forma de apresentá-los ao público, outros se dedicam à produção do sabão sustentável, resultado de uma das pesquisas do grupo e que também estará presente na Semana Araucária.

Além do projeto relacionado ao reaproveitamento do óleo, o clube também desenvolveu um trabalho sobre o Rio Iguaçu, que resultou na produção de uma cartilha com informações sobre a importância do rio e os impactos da poluição. “Na última feira de ciências que teve, eu não consegui ir apresentar. Então fiquei feliz que dessa vez vou poder ir”, conta Helena Borges, de 12 anos, uma das integrantes do clube. “O projeto do Rio Iguaçu é para as pessoas conhecerem mais sobre o rio e sobre as coisas erradas que fazem com ele. E o do sabão mostra que, em vez de jogar o óleo fora e poluir, a gente pode reutilizar para fazer sabão”, explica.
A coordenadora do clube, professora Lucimary Pesaroglo, destaca que o chamado para participar do evento foi recebido com entusiasmo pelos estudantes. “Para a gente foi uma surpresa bem legal, porque é sempre bom ser lembrado. Isso quer dizer que o nosso clube está realizando atividades que fazem efeito na comunidade escolar e na comunidade científica”, afirma. Segundo ela, a preparação agora envolve principalmente a organização da apresentação oral. “Ao mesmo tempo que eles ficaram bastante animados, também estão um pouco nervosos em falar em público. Por isso estamos organizando as falas e ensaiando.”
No Clube Bona, do Colégio Estadual Theodoro de Bona, em Almirante Tamandaré, os estudantes também dedicam os encontros recentes à preparação para a apresentação no evento. Um dos projetos desenvolvidos pelo grupo investiga a qualidade da água a partir da identificação de macroinvertebrados, organismos que ajudam a indicar as condições ambientais de rios e lagos.

A pesquisa deu origem a diferentes desdobramentos. Entre eles estão a criação de um site, onde os estudantes apresentam a trajetória do projeto e os resultados obtidos, e o desenvolvimento de um jogo de cartas educativo, que será levado ao evento.
Rhyana Cardoso, de 15 anos, conta que tem revisado os conteúdos das pesquisas para preparar a apresentação. “Estou relendo os conteúdos para falar direitinho. Estou um pouco nervosa porque vamos subir no palco para falar sobre o nosso clube”, afirma. “A preparação do clube está indo bem também. Está tudo organizado.”
A experiência no clube, segundo Rhyana, também tem estimulado a curiosidade científica. “A gente gosta de descobrir as coisas, entender como os animais funcionam, como são as células. Isso promove curiosidade e vontade de estudar.” Ela acredita que a experiência também pode influenciar escolhas futuras. “Quando a gente entra no clube, se abre bastante essa área da ciência, da biologia. Isso incentiva.”
Apresentar os projetos desenvolvidos nos clubes de ciência em eventos e outros espaços de circulação do conhecimento permite que os clubistas levem para além da escola as experiências construídas ao longo das pesquisas. Mas o resultado vai além da comunicação científica.
No Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, a diretora Rozangela Barbosa de Sales observa que momentos como esses ajudam os alunos a perceber que o universo de possibilidades não se limita ao ambiente escolar. “Eles percebem que o espaço deles não é só esse espaço da escola. É um espaço muito amplo. A ciência leva eles para conhecer o mundo”, afirma.
Segundo ela, o contato com a ciência também contribui para que os estudantes passem a visualizar caminhos acadêmicos e profissionais que muitas vezes não pareciam próximos de sua realidade. “Eles entendem que podem mudar a própria realidade enquanto estudantes e que, no futuro, podem estar dentro de uma universidade ou participando de pesquisas”.
Dentro da Rede Paraná Faz Ciência essas experiências já cruzaram fronteiras. Estudantes que participam de clubes de ciência da rede integram programas de intercâmbio, como o Ganhando o Mundo, do Governo do Estado do Paraná e também já participaram de iniciativas internacionais como o programa Sustainable Living Innovators (SLI), realizado em Portugal, a partir de iniciativas do Paraná Faz Ciência e da Fundação Araucária. Nesses contextos, os alunos levam para outros países conhecimentos construídos dentro dos clubes e têm a oportunidade de compartilhar suas pesquisas e aprendizados em diferentes ambientes.
As férias acabaram e os clubistas voltaram com ânimos renovados para dar continuidade aos seus projetos

O dia 5 de fevereiro marcou o retorno das aulas em todos os colégios do Estado do Paraná e, com isso, a retomada das atividades dos Clubes de Ciência. No Instituto Federal do Paraná (IFPR) campus Palmas, os encontros foram reiniciados com foco no planejamento das próximas etapas dos projetos e na organização das atividades previstas para o semestre. Conversamos com professores de três desses clubes para entender como está sendo esse início de semestre.
O projeto doClube ODS em Ação envolve a construção de uma miniusina de laboratório voltada à reciclagem de óleo de cozinha usado. O professor clubista e engenheiro Vinícius Bordim explicou que este período tem sido marcado pela reestruturação dos espaços de pesquisa. Segundo ele, o clube está organizando um setor específico de análises no laboratório, com a instalação de equipamentos em uma sala destinada exclusivamente a essa finalidade. O espaço contará com acesso restrito, garantindo maior segurança e controle no uso dos materiais, além de melhores condições para o desenvolvimento das atividades científicas realizadas pelos clubistas.

No Clube Somos Fãs de Lavoisier, do Colégio Estadual do Campo Cely Tereza Grezzana, em Chopinzinho, o semestre começa com a continuidade de projetos já consolidados. Um deles é “O Curso da Vida”, que envolve uma maquete de cerca de cinco metros de comprimento sobre o Rio Iguaçu e seus afluentes. Atualmente, o modelo integra a rota turística oficial do município e está aberto à visitação, promovendo educação científica, valorização ambiental e integração social, com a participação dos estudantes como mediadores no Barracão Pedagógico.
Segundo a professora Lidiane Scariot, o projeto seguirá em expansão, com a ampliação da maquete para abordar as camadas da crosta terrestre. Também terão continuidade o projeto com abelhas e as ações de pesquisa e visitação já em andamento. Além disso, há a previsão de iniciar o projeto Acerte seu Relógio, voltado à construção de um espaço para a comunidade, com foco na divulgação do conhecimento científico sobre plantas medicinais.
No Clube de CiênciasRaízes D’Água, do Colégio Estadual do Campo São Roque, em Pato Branco, o início do semestre marca a retomada das atividades práticas e dos cuidados com os espaços de cultivo. O clube desenvolve pesquisas voltadas a formas sustentáveis de produção de alimentos, com destaque para sistemas que dispensam o uso do solo e assim otimizam recursos naturais.
Neste período, as ações estão concentradas na preparação da estufa e dos recipientes de cultivo, etapa essencial para garantir a saúde das plantas e a continuidade das pesquisas. Também está previsto o início do manejo de morangos em sistema de semi-hidroponia, ampliando as investigações do grupo sobre técnicas alternativas de produção agrícola em ambientes controlados.
Em uma parceria com a Universidade, o clube articulado pelo IFPR Palmas participou das oficinas ao longo de 2025

No dia 25 de novembro, o clube chopinzinhense Meu Mundo Melhor, do Colégio Estadual do Campo Santa Inês e articulado pelo Instituto Federal do Paraná – Campus Palmas, realizou a quinta e última visita do ano à Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Laranjeiras do Sul. As visitas fazem parte dos projetos de extensão “Educação Ambiental na UFFS: A Universidade como Ambiente Educador Sustentável” e “Divulgação Científica Novos Caminhos para Um Mundo Mais Sustentável”, que oferecem oficinas interativas de educação ambiental para as escolas da região.

Nas duas últimas oficinas, realizadas em novembro do ano passado, o clube participou das atividades interativas “Horta Mandala” e “Áreas Experimentais e Pomar”. Nelas, os estudantes puderam compreender como a combinação de diferentes espécies favorece o desenvolvimento das plantas, conhecer o papel das plantas indicadoras e observar estratégias de controle natural de pragas a partir do uso de vegetais. A atividade ainda apresentou formas de organização do cultivo que facilitam o manejo diário, otimizam a irrigação e permitem a convivência entre diferentes sistemas produtivos.

Entre as oficinas, um passeio por trilha guiada em área de nascente e reserva ambiental, uma visita à Central de Resíduos – onde foram abordadas questões referentes à reciclagem e recursos naturais – e a oficina “Biodigestor” – sobre energia limpa. Para o clube, as atividades aproximam os estudantes do ambiente universitário e ampliam sua compreensão sobre processos científicos e práticas sustentáveis que dialogam com os projetos desenvolvidos no clube.

Com essa visita, o clube encerrou um ciclo de sete encontros voltados à ampliação do repertório científico dos alunos e ao fortalecimento das práticas que já desenvolvem na escola — como horta, pomar, compostagem e manejo de abelhas sem ferrão. As oficinas contribuíram para que os estudantes percebessem como os conhecimentos explorados no clube se relacionam com pesquisas e metodologias aplicadas na universidade, contribuindo para a construção de um mundo melhor, que atravessa os muros das instituições de ensino.
A atividade permitiu aos estudantes conhecerem de perto a produção de mel e a importância da polinização na agricultura

No dia 3 de dezembro, o clube união-vitoriense Apis Club, articulado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), participou de uma imersão prática em apiário, realizada pela Casa Familiar Rural em parceria com a família de produtores locais, os Lipinski. Recebidos pelo casal Wilson e Adriane e seu filho Vitor, os clubistas visitaram a chácara da família, localizada na Colônia Porto Almeida, em União da Vitória. No local, conheceram as etapas de colheita e extração de mel, auxiliando em alguns processos e esclarecendo dúvidas a respeito de técnicas de manejo, segurança e boas práticas na produção de mel.

A atividade dialoga diretamente com as pesquisas desenvolvidas pelo Apis Club, que se dedicam ao estudo do universo das abelhas, incluindo manejo apícola e meliponícola, saúde das colônias e o papel ecológico desses insetos na polinização e na manutenção dos ecossistemas. A vivência permitiu que os estudantes observassem, em situação real, aspectos que usualmente são abordados nos encontros do clube, como a importância dos protocolos de segurança na apicultura — desde o uso correto dos equipamentos de proteção até os procedimentos necessários para evitar acidentes durante o manejo.

Em suas redes sociais, a Casa Familiar Rural destacou que a atividade despertou grande interesse entre os estudantes, os quais se mostraram motivados a aprofundar os conhecimentos sobre apicultura. A escola também ressaltou que muitos reconheceram o potencial da prática para ser incorporada às propriedades familiares, tanto pela produção de mel quanto pelos benefícios da polinização para diferentes culturas agrícolas.

Ao longo de 2025, o clube tem articulado suas investigações com diferentes espaços formativos e eventos científicos. Entre as ações realizadas, o Apis Club apresentou seus trabalhos em Guarapuava, durante a I Mostra de Clubes de Ciência, e em União da Vitória, no Ciclo de Encontros da Semana do Biólogo, promovido pela UNESPAR. Esses momentos contribuíram para fortalecer o vínculo dos estudantes com a pesquisa e para dar visibilidade às iniciativas desenvolvidas no clube.
Os dois clubes premiados na FECCI participavam pela primeira vez de uma feira competitiva

Entre os dias 3 e 5 de Novembro, quatro clubes articulados pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR) campus Palmas participaram da Feira de Cultura Científica (FECCI), em Curitiba, no campus da UTFPR Neoville. Esta foi a primeira edição da Feira, que envolveu alunos do Ensino Fundamental I ao Ensino Médio, Técnico e EJA (Educação de Jovens e Adultos). A programação, além de contar com exposição e avaliação dos projetos, também contou com apresentações culturais, oficinas, estandes de instituições parceiras, entre outros.
Dos quatro clubes do IFPR presentes no evento, o Arquitetos da Natureza, da cidade de Palmas, e o HF Maker, de Mangueirinha, receberam os primeiros prêmios nas categorias Ciências Agrárias Júnior e Ciências Biológicas Jovem Total, respectivamente. Para ambos os clubes foi a primeira experiência em uma feira competitiva. Conheça a seguir cada um dos projetos vencedores:
Esse projeto investiga formas mais sustentáveis de produzir hortaliças. A pesquisa comparou o cultivo de alface e rabanete juntos, com e sem cobertura morta — uma camada de material orgânico colocada sobre o solo para conservar a umidade, reduzir a temperatura e dificultar o crescimento de plantas daninhas. Os resultados parciais mostraram que a cobertura morta ajudou no desenvolvimento das plantas e que o cultivo conjunto das duas hortaliças aproveita melhor o espaço do que o plantio separado.
O projeto foi desenvolvido na horta da escola, com apoio da professora de Agronomia e de acadêmicos do IFPR – Campus Palmas, integrando ainda discussões sobre sustentabilidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Na Feira, o clube apresntou também o trabalho “Ciência que dá gosto – vinagre artesanal”.
Voltado à produção de cosméticos com pigmentos e óleos extraídos de plantas como hortelã, lavanda, beterraba, urucum, amora e pinhão. Os estudantes realizaram todas as etapas do processo, desde a extração dos ingredientes até a formulação de batons e hidratantes labiais, utilizando materiais encontrados na escola ou de fácil acesso.

O trabalho também incluiu uma etapa de avaliação sensorial com mulheres da comunidade escolar, que testaram os produtos e responderam a um questionário sobre aplicação, hidratação, aparência e aroma. Os alunos ainda organizaram um minicurso sobre cosméticos naturais, apresentando o processo de produção e discutindo o uso de ingredientes de origem vegetal.
Ana Clara, clubista do HF Maker é uma das estudantes que apresentaram o projeto no evento, ela afirma que ficou muito feliz com a premiação. “Eu sempre confiei na pesquisa, mesmo diante do receio de não ganhar o primeiro lugar”, conta. Enquanto a professora Flávia de Mello destacou os planos para o futuro. “Pretendemos ampliar o trabalho, realizando novos testes e desenvolvendo outras fórmulas e produtos: maquiagens, como blush e sombra, até itens de higiene pessoal e jóias botânicas produzidas com flores, folhas e sementes”, enumera a professora.
Após muito preparo e com mais de 30 projetos, clubes de ciência de Curitiba e região apresentam suas pesquisas na feira de cultura científica do Paraná

A dedicação que movimentou os Clubes de Ciência de Curitiba e região ao longo dos últimos meses ganhou o palco na Feira de Cultura Científica (FECCI 2025), realizada entre 4 e 6 de novembro, no campus Neoville da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Além dos Clubes de Ciência, os Clubes Maker e os Clubes de Meninas na Ciência, que também integram a Rede Paraná Faz Ciência, apresentaram ao público pesquisas que transformaram curiosidade em experimentação científica.
Os projetos nasceram dentro das escolas públicas e refletem o esforço coletivo de professores e estudantes que, desde o início do ano letivo, se dedicam à observação, investigação e criação de soluções para problemas reais. As temáticas variam entre sustentabilidade, saúde, tecnologia, biodiversidade e práticas culturais, sempre com o olhar voltado ao cotidiano das comunidades.
Para muitos clubes, participar da FECCI é o ponto alto do trabalho desenvolvido ao longo do ano. “A preparação para a feira foi um momento que permitiu aos clubistas aprofundar o entendimento da pesquisa, desde o desenho dos objetivos até a elaboração da comunicação dos resultados. Acredito que eles realmente conseguiram contextualizar e colocar em prática o que vínhamos trabalhando em teoria”, afirma Felipe Gonçalves, professor coordenador do Lattes Clube.
Nas semanas que antecederam a feira, o clima foi de intensa preparação nas escolas. No Colégio Estadual Lúcia Bastos, o experimento levado à FECCI foi apresentado durante o recreio do contraturno, reunindo estudantes e professores. No Colégio Estadual Teotônio Vilela, o jogo educativo sobre o descarte adequado de resíduos sólidos foi testado com os professores, que participaram ativamente da atividade. Já no Colégio Estadual Theodoro de Bona, o site e o jogo desenvolvidos sobre macroinvertebrados aquáticos (também levados à feira) foram destaque na Feira do Conhecimento da escola, realizada no dia 13.

A professora Lucimary Steinke Deconto Pesaroglo, coordenadora do Bio Clube do Colégio Estadual Lúcia Bastos, destacou o envolvimento dos estudantes em todo o processo. “A gente veio mostrar trabalhos de mais de um ano de clube. Teve toda uma preparação para entender o método científico, aprender a buscar referências, reconhecer material científico de qualidade e colocar a mão na massa. Foram muitos encontros de produção, teste e troca. Para a FECCI, até os novos integrantes ajudaram a preparar tudo”, conta.
Entre os clubes vinculados à Universidade Federal do Paraná (UFPR), destacaram-se iniciativas que uniram criatividade e compromisso social, como os projetos apresentados pelo clube Zardo Faz Ciência, do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo. Anunciado como um dos vencedores do prêmio “Meu Clube é Show”, promovido pela Secretaria de Educação do Paraná (SEED), já na abertura do evento, o clube também se destacou na categoria Ciências Aplicadas e recebeu o primeiro e o segundo lugar. Os projetos desenvolvidos pelo grupo estudam o comportamento de adolescentes em relação ao uso do celular e materiais pedagógicos que possam trabalhar na conscientização da temática.
“Os prêmios são frutos do trabalho de estudantes clubistas, estagiários, coordenadora, C.E. Prof. Francisco Zardo, SEED, Paraná Faz Ciência e UFPR”, conta a professora Izabela Paulini de Jesus. “Apesar dos obstáculos, conseguimos desenvolver uma ótima pesquisa e a premiação é um grande reconhecimento. Nos motiva a continuar pesquisando e ampliando a divulgação dos resultados em outros meios e eventos científicos”, comemora.
A emoção também foi compartilhada pelos estudantes. “Eu me sinto muito feliz pela pesquisa estar sendo reconhecida e pelas pessoas se interessarem por ela. Eu me sinto muito feliz e muito grata por ter ganhado o primeiro lugar, o que eu não achei que ia acontecer. Então me surpreendeu. Eu me sinto orgulhosa e contente pela pesquisa ter dado resultado”, conta Maria Carolina Porate, integrante do clube Zardo Faz Ciência.
Outro destaque entre os clubes vinculados à UFPR foi o Friends of Science, da Escola Estadual Euzébio da Mota, premiado com o segundo lugar Junior na categoria Década dos Oceanos, com um projeto de protótipo de seguidor solar com arduino, em sua primeira vez participando de uma feira. “Participar da FECCI 2025 foi uma experiência e tanto! Essa foi a primeira vez do Clube de Ciências Friends of Science em uma feira de ciências e eu tenho certeza que foi um momento de muito aprendizado para as meninas. O prêmio representa uma valorização a todo esforço, curiosidade e comprometimento dos clubistas ao longo do ano, além de inspirá-los a acreditar em si e na ciência!”, relata a coordenadora do clube, Gabriele Cristine da Silva.
Para a clubista Hasly Aviles, a experiência foi especial. “Ver as pessoas se interessando, perguntando e elogiando fez a gente perceber que todo o trabalho valeu a pena. Receber o prêmio foi uma sensação de orgulho enorme, não só pelo reconhecimento, mas porque mostrou que, mesmo com dificuldades, quando a gente acredita no projeto e trabalha em equipe, dá certo. Foi um momento que marcou muito a gente”.
Além deles, outros clubes da Rede Paraná Faz Ciência vinculados à UFPR também foram premiados em diferentes categorias da FECCI 2025, evidenciando a diversidade temática e a qualidade das pesquisas desenvolvidas nas escolas públicas.
1º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas
COMPORTAMENTO DE ADOLESCENTES EM RELAÇÃO AO USO DO CELULAR
Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)
Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus
2° Lugar Junior categoria Divulgação Científica
Além de robôs: contribuições das competições de robótica para a cultura STEAM –
Acrux Robocep (Colégio Estadual do Paraná)
Coordenador: Tony Marcio Groch
2° Lugar Junior categoria Desenvolvimento de Produto
Sabão sustentável: conservação ambiental e geração de renda –
Bio Clube (Colégio Estadual Lúcia Bastos)
Coordenadora: Lucimary Steinke Deconto Pesarolgo
2º Lugar Junior categoria Ciências Aplicadas
MATERIAIS PEDAGÓGICOS PROBLEMATIZADORES SOBRE O USO
CONSCIENTE DO CELULAR
Clube Zardo Faz Ciência (Colégio Estadual Professor Francisco Zardo)
Coordenadora: Izabela Paulini de Jesus
2° Lugar Junior categoria Década dos Oceanos
PROTÓTIPO DE SEGUIDOR SOLAR COM ARDUINO
Clube Friends of Science (Colégio Estadual Euzébio da Mota)
Coordenadora: Gabriele Cristine da Silva
3º Lugar Jovem Total categoria Ciências Biológicas
Comunidade de macroinvertebrados aquáticos como ferramenta de avaliação da qualidade da água do Parque Ambiental Aníbal Khury – Almirante Tamandaré
Clube Bona (Colégio Estadual Theodoro de Bona)
Coordenadora: Vânia Eloiza Cerutti
3º Lugar Junior categoria Ciências da Saúde
Compreendendo a composição dos refrigerantes e os efeitos na saúde e no meio ambiente – Clube Exploradores da Ciência (Colégio Estadual Profª Maria Aguiar Teixeira)
Coordenador: Jeremias Ferreira da Costa
3° Lugar Junior categoria Ciências Agrárias
Agroecologia no espaço escolar: potencialidades para a educação ambiental crítica – Clube de Ciência Máximo (Colégio Estadual Professor Máximo Atílio Asinelli)
Coordenadora: Simone de Fátima Campagnoli de Oliveira
Essas conquistas reforçam o compromisso dos clubes de ciência com a educação pública, a sustentabilidade e a formação de jovens pesquisadores engajados com suas comunidades.
O papel dos clubes na popularização da ciência e na formação de jovens pesquisadores foi destaque no XI EREBio Sul

Realizado em Curitiba, entre os dias 12 e 14 de outubro, o XI Encontro Regional Sul do Ensino de Biologia (EREBio Sul) reuniu educadores, pesquisadores e estudantes dos três estados do Sul do país para debater práticas e desafios contemporâneos no ensino de Ciências e Biologia. A Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, vinculada ao NAPI (Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação) – Paraná Faz Ciência, esteve presente com uma série de participações que evidenciaram o papel dos clubes como espaços de aprendizagem, pesquisa e divulgação científica em contextos não formais de educação.
Na mesa-redonda “Educação se faz em coro: as vozes da educação em ciências e a Biologia em espaços e práticas não escolares”, a professora doutora Giselle Corrêa apresentou a trajetória da Rede e os resultados alcançados durante o primeiro ano de atuação. Sua fala destacou a relevância dos clubes de ciência para o estímulo à curiosidade científica, à interdisciplinaridade e à aproximação entre escolas, universidades e comunidades locais, reforçando a importância da cooperação entre diferentes instituições para a promoção da cultura científica.
A participação da Rede também se estendeu a grupos de discussão, apresentações de trabalhos acadêmicos e relatos de experiência, tanto tendo os clubes como objeto de análise – como os trabalhos apresentados pela professora doutora Edinalva Oliveira -, quanto como por clubistas da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência apresentando pesquisas desenvolvidas em seus grupos. As produções abordaram temas diversos, desde investigações ambientais e tecnológicas até experiências de ensino baseadas na experimentação e na troca de saberes.
Entre as atividades do evento, destacou-se ainda o minicurso “Epistemólogas feministas da ciência? Olhares para as pesquisas e o ensino de Biologia”, ministrado pela professora doutora Bettina Heerdt, coordenadora da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência. A atividade promoveu uma reflexão sobre os aportes teóricos de mulheres na construção do conhecimento científico e suas implicações para o ensino de Biologia, dialogando diretamente com as práticas desenvolvidas pelos clubes e com a valorização da presença feminina na ciência.
Outro momento marcante foi a participação do clube formado por meninas, que além de apresentar dois trabalhos científicos, integrou a Arena Lúdica do evento. No espaço, o grupo realizou demonstrações sobre o funcionamento de foguetes e despertando o interesse do público pela criatividade das propostas e pela valorização do protagonismo feminino na ciência.
A presença da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência no XI EREBio Sul reafirmou o compromisso do NAPI e da Rede com a formação de jovens pesquisadores e com a popularização da ciência. O evento também evidenciou a força das ações colaborativas entre escolas e instituições de ensino superior, que têm ampliado o alcance da cultura científica e fortalecido a integração entre ensino, pesquisa e comunidade.
Clube de Ciências do Colégio Estadual Teotônio Vilela participa do projeto “Ciência pra quê?”, da Agência Escola da UFPR

E se aquilo que a gente vive e vê ao nosso redor pudesse se transformar em filme?
É essa a experiência que os adolescentes do Clube STEAM, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, estão vivendo. Com o apoio da Agência Escola da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as vivências e pesquisas dos estudantes estão se transformando em uma narrativa audiovisual que conecta o aprendizado ao território.
Localizado no bairro Cidade Industrial de Curitiba (CIC), o clube integra a Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e atua como um espaço de experimentação científica e expressão cultural. A professora coordenadora, Francine Santos, explica que a escolha, por trabalhar com a temática do descarte de resíduos sólidos, nasceu da observação do entorno. “Quando a gente escreveu o projeto para participar da Rede de Clubes do Paraná, eu pensei na temática relacionada ao bairro que a gente está inserido, que é o CIC, disse a professora.”
Foi a partir dessa relação com o território e das inspirações que surgiram após a turma assistir ao documentário Trecho 6, realizado pela Agência Escola, da UFPR, que surgiu o projeto de produzir um filme. A produção parte das experiências locais para discutir o destino dos resíduos e a importância da reciclagem. Como explica a clubista Carina, de 16 anos, “a gente normaliza a despreocupação com os resíduos sólidos, de jogar lixo em qualquer lugar e não pensa direito sobre os impactos que isso pode trazer para a natureza. Nosso filme vai falar de uma maneira informal sobre o assunto, para que mais pessoas se informem sobre o tema”, acrescenta Francine.
Sobre a linguagem escolhida pelo grupo, Alice, de 16 anos, explica que “é importante abordar esses tópicos com uma linguagem mais acessível, como stop motion [quadro a quadro] – formato escolhido pelo grupo para a produção, porque abrange um público maior.”

“Quando eu pensei no Clube de Ciências, pensei nele como uma oportunidade dos estudantes conhecerem outro universo também”, conta a coordenadora. Esse propósito se concretizou com a parceria com a Agência Escola, a partir do projeto “Ciência pra quê?”, que mais do que ser parceiro para a produção do filme, tem aproximado o colégio do ambiente universitário e incentivado novas formas de aprender e comunicar ciência.
Em setembro, os alunos participaram de uma roda de conversa com pesquisadoras da UFPR sobre os impactos dos resíduos na crise climática. Dias depois, conheceram o Setor de Artes, Comunicação e Design (SACOD) da universidade, onde vivenciaram uma oficina de audiovisual. “Foi uma experiência maravilhosa e eu acho que a cada encontro a gente consegue aprender uma coisa a mais”, conta Carina.
Durante a atividade, os estudantes aprenderam técnicas de captação de imagem e experimentaram a linguagem do stop motion. Para Francine, essa troca também é simbólica. “Eu acho importante eles saberem que a pesquisa acontece aqui na própria cidade, porque a gente imagina que o cientista seja uma coisa do outro mundo e na verdade esses pesquisadores estão aqui.”

Enquanto o filme segue em produção, as expectativas crescem. “É muito divertido participar e ter ideias para fazer as coisas funcionarem, e eu espero que fique bom”, conta Julio, 18 anos. Carina acrescenta que “a expectativa para o nosso filme é muito alta, principalmente porque a gente nunca participou de um projeto assim.”
Mais do que o produto final, o processo tem mostrado que o conhecimento nasce dos encontros, da troca entre escola e universidade, do diálogo entre ciência e cultura e da criatividade que transforma o território em aprendizado.