Ex-integrante do Clube Inovar transforma bioplástico escolar em projeto de empreendedorismo na universidade

Quando pensamos em ciência, logo nos vêm à mente grandes cientistas e descobertas famosas. No entanto, raramente paramos para notar que as maiores inovações costumam nascer de pequenos problemas do dia a dia. Para Laritiely Ribeiro da Silva (18 anos), tudo começou com um desafio solidário: criar capas de chuva para distribuir aos colegas de escola que, por falta de transporte municipal, enfrentavam dificuldades para chegar às aulas em dias de chuva.
Na época, Laritiely já integrava o Clube de Ciências Inovar, do Colégio Estadual Barbosa Ferraz, em Andirá, vinculado à Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). Para a jovem, o clube era muito mais do que uma atividade extracurricular; era um espaço para aprender a enxergar o mundo sob uma nova ótica.
A solução no amido de milho
Decidida a encontrar uma alternativa barata e sustentável para o problema que os estudantes enfrentavam nos dias de chuva, Laritiely desenvolveu um bioplástico feito de amido de milho. “Percebemos que isso era um material descartado em grande quantidade por uma cooperativa aqui da cidade, então pensamos em como dar uma destinação melhor para esse resíduo”, conta a aluna. De refugo da indústria, o amido ganhou um novo significado nas mãos da jovem cientista.
O caminho até o produto pronto, porém, não foi encontrado rapidamente. Laritiely relata que foram necessárias 86 tentativas e testes até chegar ao produto ideal. Com o material em mãos e o apoio fundamental de sua orientadora, Karoline Azevedo, Laritiely percebeu que aquela descoberta era grande demais para ficar restrita às capas de chuva. A tecnologia do bioplástico evoluiu, então, para algo com impacto ainda maior: o projeto BioProtect. São sacolas biodegradáveis que contêm sementes em sua composição. Assim, ao invés de poluir, o descarte da embalagem torna-se o início de uma nova árvore.
Reconhecimento
A dedicação rendeu frutos grandiosos. O BioProtect conquistou o segundo lugar na FECCI, a Feira de Cultura Científica do Paraná Faz Ciência, em Curitiba, competindo com os melhores projetos de iniciação científica do Paraná. O reconhecimento foi o combustível que faltava: Laritiely decidiu seguir carreira na área e foi aprovada em Ciências Biológicas no vestibular da própria UENP.
O que começou como um projeto escolar acabou subindo para um novo degrau. No dia 27 de março de 2026 Laritiely foi aprovada na Pré-Incubadora da UENP, que é um ambiente de apoio para transformar ideias inovadoras em negócio viáveis, como startups e outros projetos com potencial empreendedor. Agora, o que nasceu no Clube de Ciências se transforma em um modelo de negócio promissor.

O legado de gratidão
Para os que estão começando agora nos clubes de ciências, Laritiely deixa um testemunho. “Muitos vão te chamar de louco por sonhar alto demais, e vai haver dias em que o choro é inevitável. Eu vivi isso: testes que falharam e a vontade de parar. Mas o diferencial foi olhar para o lado e ver que o Clube acreditava no meu potencial. Quando venci, entendi que o choro faz parte da limpeza da alma de quem persiste. Não desista dos seus sonhos por ninguém. Vá lá, prove sua força e deixe o clube transformar sua vida também. Se eu consegui, você também consegue!”.
Para além da técnica aprendida, o que fica dessa jornada é também o apoio recebido. Laritiely faz questão de dedicar suas conquistas à sua orientadora, Karoline Azevedo. “Eu não teria chegado onde cheguei sem uma peça fundamental nesse caminho, a minha orientadora, a Karol. Se hoje eu curso Ciências Biológicas, é por causa dela. A Karol sempre foi minha maior inspiração. A forma como ela conduz o clube e nos incentiva me deu a certeza do que eu queria fazer da vida. Eu falo de coração: espero ser, no futuro, pelo menos metade da profissional e da pessoa que ela é”, finaliza a ex-clubista.Acompanhe mais sobre os Clubes de Ciências, pelo Instagram da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência @clubesparanafazciencia e pelo site Paraná Faz Ciência.