
Conhecida como uma das maiores feiras comerciais, industriais e de agronegócio do Sul do país, a Expo Umuarama 2026 sediou também atividades de divulgação científica, com um espaço para exposição dos clubes de ciências da região de Umuarama e ligados à Rede Paraná Faz Ciência. Também estiveram no espaço atrações do Museu Dinâmico Interdisciplinar (MUDI) da Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Fazendinha da UEM e ainda estandes dos cursos ofertados pela universidade. A programação de eventos da Expo Umuarama é de 12 a 22 de março.
Agregando às atividades de divulgação científica, este ano a exposição contou com a presença dos clubes integrantes Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, da cidade de Umuarama e da região, sendo eles: Experimentando a Ciência (Escola Estadual do Jardim Canadá), Bento Bee (Colégio Estadual Bento Mossurunga), Denguebot (Colégio Estadual Vereador José Balan), Tenda Cultura Viva (Colégio Estadual Professora Hilda Trautwein Kamal), Green Lab (Colégio Estadual Almirante Tamandaré, Cruzeiro do Oeste), e Paisagismo Sustentável (Escola Estadual Manuel Bandeira, Alto Piquiri).
Os clubes se revezaram e estiveram presentes durante os dias 16 a 19 de março, no Pavilhão da Indústria e Comércio, junto dos demais estandes ligados à Universidade Estadual de Maringá, demonstrando ao público um pouco de seus projetos, de forma prática e também teórica, usando maquetes e brincadeiras.
Na tarde do dia 16, houve a exposição no estande do Clube Bento Bee, do Colégio Estadual Bento Mossurunga, de Umuarama, representado pelos estudantes Lorena, Manuela, Miguel e Luiz. O clube trabalha com abelhas sem ferrão, trazendo para a comunidade a importância desse inseto para a produção de alimentos, polinização de flores e seu papel fundamental na manutenção de um ecossistema saudável.
No estande, os clubistas expõem as colmeias de diversas espécies, como a abelha Lambe-Olhos (Leurotrigona muelleri), a Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) e a abelha Iraí (Nannotrigona testaceicornis), proporcionando uma experiência visual muito interessante para os visitantes do evento. A mostra dos clubistas do Bento Bee também oferece experimentação de própolis e mel para os visitantes, ambos produzidos pelas abelhas que eles mesmos criam no projeto do clube.

Na manhã da terça-feira, dia 17, foi a vez da exposição do Clube Green Lab, do Colégio Almirante Tamandaré, da cidade de Cruzeiro do Oeste. Os principais objetivos do clube incluem a sensibilização da comunidade para o descarte correto do óleo de cozinha, assim como orientar maneiras de reaproveitamento para esse produto residual das cozinhas.
“No clube, nós pegamos o óleo que seria descartado incorretamente no lixo ou na pia e fazemos sabão! Já fizemos velas, então é possível fazer várias coisas com óleo, até desengordurante. É uma forma de salvar o meio ambiente. Um litro de óleo descartado, que poderia contaminar 25 mil litros de água, está aqui, usamos para fazer sabão”, apontou o clubista Miguel.
Os clubistas expõem sabões feitos com óleo residual em variadas formas: líquido, em pó e em pedra, possuindo diversos aromas e possibilidades de uso.
Na parte da tarde, o Clube Tenda Cultura Viva, do Colégio Estadual Hilda Trautwein Kamal, de Umuarama, também marcou presença na Expo Umuarama 2026. O clube desenvolve estudos que aprofundam conhecimentos em culturas indígenas e africanas, visando quebrar o estigma contra esses povos que ainda é visto na sociedade. O projeto tem estudado adereços usados por esses povos, pesquisando os materiais, os significados e replicando técnicas típicas, o que resgata e valoriza tais heranças culturais.
“Combater o preconceito enraizado na população brasileira hoje é um passo fundamental para a construção de uma sociedade mais justa”, diz a clubista Maísa.

Os clubistas montaram um estande repleto de adornos típicos de diversas culturas indígenas brasileiras e africanas, como colares, adornos e também itens de caça: lanças e arco e flecha. Os visitantes puderam interagir com o projeto experimentando os adornos e também brincando de acertar o alvo com o arco e flecha.
Na quarta-feira dia 18 de março, o Clube Denguebot, do Colégio Estadual Vereador José Balan, de Umuarama, expôs o protótipo de robô autônomo que auxilia no combate ao Aedes Aegypti no ambiente escolar. Sua função é otimizar a liberação do repelente natural feito com citronela.
Os clubistas explicam o funcionamento de dois modelos de robôs: um para exemplificar a efetividade do difusor de repelente e o outro para evidenciar a tecnologia de sensor de aproximação, que é a mesma usada em robôs aspiradores, o que dá a capacidade ao aparelho de mapear o ambiente de forma completamente autônoma.

No estande ao lado, o Clube Paisagismo Sustentável, da Escola Estadual Manuel Bandeira, do município de Alto Piquiri, também apresentou seus projetos. Os clubistas explicaram seus trabalhos com muito orgulho, visto que o Clube foi premiado em 1º lugar na FECCI 2025, na categoria “Tecnologia e Robótica”. Esse projeto tem como objetivo revitalizar espaços degradados e não utilizados do ambiente escolar dos estudantes, partindo do reaproveitamento de itens que seriam descartados, transformando-os em bancos, floreiras, canteiros, tornando o espaço estudantil mais agradável e sustentável.
O que chama atenção, além da revitalização promovida por alunos e professores, é a inovação tecnológica aplicada para solucionar problemas relacionados ao ambiente do entorno. Segundo a estudante clubista Emanuelle, eles desenvolveram um sistema de irrigação inteligente controlado pelo smartphone, bastando um clique para que toda a área verde da escola seja automaticamente irrigada. Este detalhe do projeto que foi demonstrado por meio de maquetes interativas garantiu o título ao clube na FECCI 2025.

No último dia de exposição de clubes, o Experimentando Ciências, Clube da Escola Estadual do Jardim Canadá, de Umuarama, esteve no estande para encerrar a participação dos clubes. Eles mapeiam os alimentos menos consumidos na merenda escolar a fim de encontrar uma solução para conter o desperdício, ao mesmo tempo que querem garantir que os nutrientes presentes nesse alimento sejam devidamente consumidos.
“Após um levantamento de dados inicial, concluímos que o alimento menos consumido foi o chuchu. Então pensamos: como fazer com que os estudantes se alimentem deste fruto sem comê-lo diretamente? Entendemos que o gosto e a textura do chuchu não agradam muitos alunos, então realizamos a primeira receita do projeto: o pão de chuchu”, explicou a clubista Carol. A estudante aponta ainda que há mais dois projetos em desenvolvimento: o iogurte com geleia de pêra e o pão de abóbora.
Além da parte gastronômica, o clube também se empenhou em realizar atividades pedagógicas para crianças com foco em uma alimentação saudável. Os clubistas desenvolveram um jogo de tabuleiro e cartas com a temática de boa alimentação, assim como utilizaram a tecnologia para criar um jogo de computador que demonstra os malefícios dos ultraprocessados e reforça a importância de uma alimentação rica em alimentos frescos e orgânicos.

A participação dos clubes de ciência em feiras como esta significa a conquista de mais espaço para a visibilidade e valorização da educação dos jovens paranaenses, incentivando a permanência escolar e devolvendo para a sociedade conhecimento científico fomentado os colégios. É uma experiência que agrega não somente para a formação do aluno, como também conscientiza a comunidade.
Na primeira reunião, foi lançado edital do Programa de ‘Feiras Afiliadas’ à FECCI 2026, que já tem data definida

O início do primeiro curso de formação para professores, graduandos e pós-graduandos e gestores de escolas públicas e privadas sobre a realização de feiras de ciências não poderia ter sido mais produtivo e inclusivo. Foram selecionados 100 participantes para o curso on-line, sendo a maioria do Paraná, mas também de outros estados. Quase a totalidade esteve na primeira reunião realizada nesta quinta-feira, 19, para conhecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná – Faz Ciência, o edital de ‘Feiras Afiliadas’ e acompanhar com tradução simultânea em Libras.
Organizado pelo Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC), em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEED/PR), a proposta do curso é compartilhar informações sobre como organizar feiras de ciências em suas instituições de Ensino Básico e estimular e apoiar participações em feiras e mostras de ciências. Somando-se ao objetivo da iniciativa, a divulgação e popularização da ciência será o tema central dos encontros, no total de quatro até 9 de abril, sempre às quinta-feiras, das 18 às 20 horas.
“Foram mais de 427 inscritos de vários estados do país para, inicialmente, 50 vagas ofertadas. Como o limite da sala do Google Meet é de 100 pessoas, resolvemos dobrar as participações. A partir desta demanda espontânea, com certeza, vamos organizar outros cursos sobre o tema para compartilhar conhecimentos e, assim, fortalecer a Rede de Feiras de Ciências Paraná Faz Ciência”, explicou uma das articuladoras do NAPI PRFC, professora Débora de Mello Sant’Ana, da Universidade Estadual de Maringá (UEM).
Durante sua fala, Débora anunciou o lançamento do Edital 01/FECCI-2026, que tem por objetivo ampliar a participação das escolas e clubes de ciências na segunda edição da Feira de Cultura Científica Paraná Faz Ciência (FECCI 2026), a ser realizada de 4 a 6 de novembro, em Curitiba.
A FECCI é uma realização do NAPI PRFC, com apoio da SEED e da Secretaria da Educação de Curitiba e atraiu mais de 15 mil visitantes na primeira edição. Em 2025, foram apresentados 380 trabalhos e a expectativa deste ano é chegar a 700 e ampliar o alcance da feira em termos de produção de projetos de ciências e visitação.

Com o programa “Feiras Afiliadas” será possível contribuir ainda para a construção de uma rede estadual com a participação, inclusive, da Feira do Sesi, e, no futuro, garantir a afiliação da FECCI a feiras nacionais, como a Mostratec. No edital é possível conhecer todos critérios para participação e avaliações dos projetos inscritos, com inscrições abertas entre 1º a 30 de abril.
À frente da organização do curso de formação, a pós-doutoranda Dayanne Dailla, também bolsista do NAPI PRFC na Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, enfatizou, na abertura dos trabalhos, que a realização do curso teve, a princípio, um motivo pragmático.
“A gente criou para ver qual era a real necessidade de cada um de vocês que estão participando em relação à organização e entender o que são as feiras de ciências. Vamos fazer uma comunicação mais efetiva com o grupo para dirimir dúvidas e atender as demandas que surgirão”, informou. Dayanne adiantou, ainda, que, ao longo do curso, haverá muitas outras ações, como editais, brindes aos participantes e troca de experiência e momentos de grande aprendizado.
“Assim como os clubes de ciências, as feiras de ciências são espaços não formais de ensino e eventos coletivos que visam descobrir talentos e despertar nos jovens a criatividade, motivação e um centro de interesse que é a ciência”. A afirmação foi feita pelo palestrante convidado, o professor de Química, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), Ivo Leite Filho, também coordenador geral da Popularização da Ciência, programa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação(MCTI).
Com mais de 40 anos de atividade e experiência em formatação, organização e coordenação de feiras no Brasil e América Latina, Leite Filho é um estudioso e entusiasta desses eventos como espaços de descoberta do que é realmente a ciência. “A ciência não é crença. Ela é a área de observação dos fatos e onde devem estar todos os alunos, não só os ‘inteligentes’, como normalmente se pensa. A ciência é para todos que tenham curiosidade e disposição para aprender o método científico”, alertou.

A cultura das feiras com projetos de ciência começou nos Estados Unidos, na década de 1920. No Brasil, a experiência começou a ganhar corpo na década de 1950 com o médico José Reis. Hoje, o mais importante prêmio para divulgadores científicos do país, criado em 1978, pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, leva o nome dele.
A iniciativa que ocorre, hoje, no Paraná, por meio do NAPI Paraná Faz Ciência, foi elogiada pelo professor. Ele reconhece que a estratégia empreendida tem um grande potencial, porque começa com a criação da Rede de Clubes de Ciências, lançada em 2024, antes da Rede de Feiras de Ciências. “Durante o meu percurso, percebi que este é um caminho eficiente e seguro para garantir que a juventude do Paraná, e do Brasil, encontre na ciência um futuro de realização e inovação, o que fará diferença para a sociedade”.
O evento irá reunir educadores e estudantes para debater cultura científica e os resultados dos laboratórios makers

Quatro clubes do NAPI – Paraná Faz Ciência Maker estarão presentes no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola 2026. A equipe, que faz parte da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, irá representar o estado, evidenciando a importância do investimento em ações que aproximam os alunos da Educação Básica de práticas investigativas e da cultura maker. O evento será realizado entre os dias 24 e 26 de março, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília-DF.
De acordo com a professora Mariana Andrade, coordenadora estadual do NAPI PRFC Maker, as atividades desenvolvidas pelos clubes de ciência já são referência no país. “Em especial, a Rede de Clubes Maker desempenha um papel fundamental na consolidação de clubes em diferentes contextos, incluindo escolas indígenas, do campo, quilombolas e urbanas situadas em regiões de maior vulnerabilidade social”, destaca.
Pensando nessa representatividade, os clubes convidados para o evento pertencem ao Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos (clube Pỹn fīfī), na Terra Indígena Marrecas, em Turvo; C.E. do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves (clube Margarida Consciente), em Ibaiti; C.E. do Campo Professora Godomá Bevilacqua de Oliveira (clube Circuito Criativo), em Apucarana; e C.E. do Jardim San Rafael (clube San Rafa Makers), em Ibiporã.
Participarão os quatro professores coordenadores e oito dos estudantes clubistas. Segundo Mariana, também foi produzido um vídeo de cinco minutos, que reúne pesquisas e criações dos demais clubes makers da Rede. Trata-se de uma oportunidade para dar visibilidade ao trabalho, promover a troca de experiência com pessoas de outros estados e, claro, ter um momento de imersão cultural.
O projeto do Paraná Faz Ciência Maker é parte do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação – NAPI Paraná Faz Ciência, que conta com financiamento da Fundação Araucária. A iniciativa foi selecionada na Chamada Pública CNPq/MCTI/FNDCT Conecta e Capacita nº 13/2024 – Mais Ciência na Escola. O Encontro Nacional estava previsto e busca estabelecer diálogo com representantes governamentais, além de aprofundar o conhecimento sobre o papel de instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Alunos da Rede de Clubes de Ciências Paraná Faz Ciência também mostraram suas pesquisas no palco 4

O Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência pode ser definido como ‘a rede das redes’, ou seja, é responsável pela gestão de uma variedade de projetos e iniciativas envolvendo 14 instituições de ensino superior do Paraná na construção de uma cultura científica de forma que as pessoas entendam e valorizem a ciência feita no estado. Modelo de organização em rede no país para a popularização da ciência, o NAPI apresentou os resultados das ações no último dia da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).
“Ao divulgar a ciência de forma criativa e interativa, o objetivo é despertar o interesse e identificar jovens talentos para o universo do conhecimento e possam seguir a carreira acadêmica e se tornar cientistas, como eu”, afirmou a professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e articuladora do NAPI PRFC, Débora de Mello Sant’Ana, durante a apresentação, no Palco 4 do evento.
Em ação desde 2021, atualmente o Arranjo de Pesquisa é composto por 110 pesquisadores de 14 distribuídos em quatro grandes projetos em rede que trabalham para criar ambientes que envolvam os paranaenses com a ciência e a tecnologia: site Conexão Ciência – C², o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), Quintas de Ciência, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência, Rede de Museus de Ciências e eventos de ciência como o Paraná Faz Ciência e as Feiras de Ciência e Cultura, de Curitiba, e litoral.

Tudo é feito de forma a proporcionar às crianças, adolescentes e adultos uma nova perspectiva sobre o mundo. Com fomento da Fundação Araucária (FA) e apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), o NAPI PRFC já soma mais de R$ 40 milhões em recursos, a grande parte da FA, para gestão de projetos, de pessoal, infraestrutura, materiais e publicações.
De acordo com outro articulador do NAPI PRFC, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Rodrigo Arantes Reis, “estamos vencendo o grande desafio que é gerenciar todas as demandas das redes, com desempenho espetacular no engajamento dos paranaenses nas ações e eventos.
Todas as apresentações estão disponíveis no canal do YouTube da Fundação Araucária.
Dez clubes da Rede Paraná Faz Ciência levaram ao público do evento não apenas as pesquisas desenvolvidas em suas escolas durante esta quinta-feira (12), mas também um pouco da vivência que faz parte do cotidiano de um clube de ciência. Participaram da atividade estudantes e professores dos clubes do Colégio Estadual Professor Máximo Atílio Asinelli, Colégio Estadual Lúcia Bastos, Colégio Estadual para Surdos Alcindo Fanaya Júnior, Colégio Estadual Lucy Requião de Melo e Silva, Colégio Estadual Herbert de Souza e Colégio Theodoro de Bona. Também estiveram presentes dois clubes da Rede de Clubes Meninas Paraná Faz Ciência, do Colégio Estadual Euzébio da Mota e do Instituto de Educação do Paraná Professor Erasmo Pilotto.
Clubes da Rede Paraná Faz Ciência encerram a Semana Araucária (Foto/NAPI PRFC)
As pesquisas apresentadas abordam temas diversos, que vão desde o uso de plantas medicinais até soluções tecnológicas e ambientais. Entre os trabalhos apresentados estavam estudos sobre foguetes capazes de lançar sementes para reflorestamento de áreas degradadas, investigações sobre bullying no ambiente escolar e propostas para evitar a infestação de pombos em determinados espaços urbanos.
Para muitos estudantes, a participação na Semana Araucária foi a primeira experiência em um evento científico. É o caso dos integrantes do clube Cross Tech Science Portinari, da Escola Municipal CAIC Cândido Portinari, em Curitiba. O professor Roni Zanatta explica que a presença no evento representa uma oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido pelos estudantes e também de inseri-los no ambiente da ciência. “O nosso clube se chama Cross Tech Science Portinari, é um nome novo. Atualmente, a gente tem dez integrantes, que começaram agora há pouco tempo, porque houve uma troca de participantes.”
Segundo o professor, apresentar o projeto em um evento científico também ajuda a dar visibilidade ao potencial de produção científica existente nas escolas públicas. “É um evento científico, então é onde a gente pode mostrar o que a gente faz, como estamos trabalhando. E mostrar que, mesmo nas regiões mais periféricas da cidade, existem condições de produzir ciência de alto nível, mesmo em uma escola de ensino fundamental.”
Além de divulgar os projetos, a experiência também contribui para que os estudantes compreendam melhor como funciona o processo científico, incluindo a comunicação dos resultados. “É a primeira vez que meus alunos participam de um evento científico. Então eles conhecem não só a produção da ciência, mas também a divulgação dos dados. E ainda conseguem fazer contatos, construir redes, o que é muito importante na ciência.”
Entre os clubistas que se apresentaram estava Maíra de André Ribeiro, do Clube Bona, de Almirante Tamandaré. Para ela, o evento é uma oportunidade de compartilhar o conhecimento produzido no clube e ampliar a conscientização sobre questões relacionadas ao território onde vivem. “Acho que é importante estar aqui porque, além da divulgação do nosso clube, também é uma forma de conscientizar as pessoas por meio da nossa pesquisa.”
O trabalho desenvolvido pelo grupo parte da observação de um espaço próximo à comunidade escolar. “A nossa pesquisa foi sobre o parque da nossa região. Acho que é muito bom entender o ambiente com o qual a gente convive e saber o que estamos fazendo”, acrescentou Maíra.
O NAPI PRFC divulgou o e-book ‘Ciência é Para Meninas’, uma produção da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker. Este volume é um convite para você mergulhar no universo das “clubistas”, meninas que transformam curiosidade em projetos reais e mostram que o Paraná é um celeiro de mentes brilhantes e inovadoras.
Os resultados da primeira ‘Pesquisa de Percepção Pública da Ciência, Tecnologia e Inovação 2025’ pelos paranaenses foi apresentada na Semana Araucária pela bolsista pós-doc da Rede Paraná Faz Ciência, Tamara Domiciano, objeto de sua tese de doutorado. De acordo com a pesquisadora, os dados revelam que os paranaenses confiam na ciência e nos cientistas, e têm interesse em conhecer mais sobre CT&I.
“Um indicador importante para a definição de políticas públicas que a pesquisa revela é que as pessoas querem mais investimentos em ciência e tecnologia, inclusive com a construção de novos espaços museais, já que mais de 25% dos paranaenses não tem um museu próximo”, salienta Tamara.

Em sua apresentação, a pesquisadora também enfatizou a vivência das pessoas em relação às fake news, no que se refere à ciência. “Apesar da maioria acreditar nas mudanças climáticas, nas vacinas e na evolução da nossa espécie, em torno de 60% assume que disseminam notícias falsas, mesmo sabendo que não são verdadeiras, ou sem chegar em fontes confiáveis”, alerta.
O projeto executivo da Primeira Pesquisa de Percepção Pública de CT&I no Paraná 2025 está acessível no e-book para pesquisadores, gestores e sociedade civil.
Outra novidade apresentada na Semana Araucária como mais um produto do NAPI Paraná Faz Ciência é o protótipo de um expositor portátil de divulgação científica desenvolvido para circular por diferentes espaços e eventos. O modelo foi concebido pelo professor de Design da UFPR, Vinícius Miranda de Morais, em parceria com o bolsista técnico que auxiliou a criação, Giuliano Perreto.

“Foram quase dois anos desde a concepção e o protótipo. Agora, estamos na fase de feedbacks para os ajustes antes de começar a produção das unidades iniciais”, informa Morais. Serão entregues 25 exemplares do produto para a apoiar a comunicação das pesquisas realizadas por diferentes Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) do Paraná. O aparato foi pensado para ser adaptável à natureza de cada pesquisa, podendo ser montado em diferentes configurações.
Para finalizar a participação na Semana Araucária, a bolsista Milena Massako Ito, da equipe de comunicação do projeto Conexão Ciência – C², fez uma apresentação da plataforma de divulgação científica, que reúne mais de 400 matérias desde julho de 2021, mostrando a ciência de forma colorida, criativa e atraente por diferentes conteúdos, como textos explicativos, imagens, ilustrações autorais e exclusivas, podcasts e outros conteúdos educativos e jornalísticos.
Já o bolsista Guilherme de Souza explicou como foi a produção do conteúdo dos 51 NAPIs para a plataforma IAraucaria e como são produzidas as matérias a partir do contato com os pesquisadores, o tratamento das informações e produção do conteúdo multimídia, sob a coordenação editorial da jornalista Ana Paula Machado Velho.
Na sequência, Luca Higashi apresentou os novos volumes dos e-books com o conteúdo do site do C² de 2023, organizados ano passado e lançados na Semana Araucária 2026. No site do Paraná Faz Ciência, é possível acessar os cinco volumes do e-book da produção de 2021 e 2023.

O NAPI PRFC também divulgou o e-book ‘Ciência é Para Meninas’, uma produção da Rede de Clubes Paraná Faz Ciência Maker. Este volume é um convite para você mergulhar no universo das “clubistas”, meninas que transformam curiosidade em projetos reais e mostram que o Paraná é um celeiro de mentes brilhantes e inovadoras.
Projetos e produtos serão apresentados na Semana de CT&I, realizada em Curitiba no campus da Fiep

A Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) está apresentando o que vem sendo desenvolvido nas Instituições de Ensino Superior (IES) em termos de pesquisas que possam impactar a sociedade. Neste contexto, o Novo Arranjo de Pesquisa a Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência (PRFC) se tornou referência para o país quando a estratégia é popularização da ciência.
“O mais importante dos Arranjos de Pesquisa e as ações que desenvolvemos é o Paraná Faz Ciência, no sentido de consolidar a posição do Estado do Paraná, cada vez mais, em termos de uma ciência e tecnologia consistente. A promoção e divulgação da ciência é fundamental para atrair novos valores e estimular crianças e jovens a seguirem a carreira de cientista”, enfatizou o presidente da Fundação Araucária, Ramiro Wahrhaftig.
Em sua fala na abertura do evento, Wahrhaftig afirmou que a promoção da ciência é fundamental para a nova sociedade do conhecimento. “A ciência e tecnologia têm valor intrínseco, como os quase 300 Clubes de Ciências, as Quintas da Ciência, a Rede de Museus de Ciências, e muito mais que está à disposição dos paranaenses”, completou o presidente.

No estande do NAPI Paraná Faz Ciência, os visitantes da Semana Araucária podem conhecer os projetos e produtos desenvolvidos no programa, como o site Conexão Ciência – C², o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), o projeto Quintas de Ciência, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e Rede de Museus de Ciências, além de promover o lançamento de novos e-books do C². Durante três dias, o visitante poderá ter acesso a dados com a performance de cada projeto, por meio de tablets, vídeos institucionais e interação com gestores e bolsistas.
De acordo com Tamara Domiciano, bolsista pós-doc da Rede PRFC, “estamos divulgando os inúmeros materiais de Ciência Cidadã como forma de estimular as pessoas a participarem da coleta de dados de ciência no seu espaço, cidade, na sua casa”.

A pesquisadora também enfatizou o acesso das pessoas ao relatório executivo da Pesquisa de Percepção da Ciência. “A ideia, nesta Semana Araucária, é mostrar um pouco de tudo o que a gente está produzindo em termos de divulgação da ciência, uma grande oportunidade para trocar informações, desenvolver network e manter contato com a população”, assegura Tamara.
Além de destacar o apoio e investimento nos Novos Arranjos, o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Nelson Bona, também referenciou o NAPI PRFC como uma efetiva ação de comunicação do conhecimento científico. “O próprio Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação já coloca o Paraná como o estado do país que tem a mais robusta estratégia de popularização da ciência”, disse o secretário.

Bona lembrou que entre as diversas ações estão a realização de vários eventos para divulgar a ciência. “O nosso Paraná Faz Ciência, que está indo para a quinta edição esse ano, já é o maior evento de divulgação científica do país pelo número de pessoas que ele movimenta. Em 2025, foram mais de 42 mil, efetivamente, participantes do evento”, salientou Bona.
Para o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, Luiz Márcio Spinosa, a popularização da ciência é uma estratégia para transformar o sistema de ciência, tecnologia e inovação do Paraná num bem comum para a sociedade paranaense, como criação de riqueza e qualidade de vida.

“O NAPI Paraná Faz Ciência nos ajuda, permitindo que pesquisas que estão sendo feitas nos nossos laboratórios e universidades sejam comunicadas com uma roupagem e linguagem de forma que todos possam entender”, avaliou Spinosa.

Projetos que envolvem inteligência artificial no campo, robótica educacional, análise de alimentos, tecnologia aeroespacial e estudos sobre o universo estão entre as iniciativas apresentadas no primeiro dia de estandes da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação, que está sendo realizada em Curitiba, entre os dias 10 e 12 de março. Promovido pela Fundação Araucária, o evento reúne pesquisadores, universidades, empresas e gestores públicos para demonstrar como os investimentos em ciência no Paraná estão se transformando em inovação e soluções para a sociedade paranaense.
Na primeira tarde do evento, os estandes dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) apresentaram resultados de projetos que integram universidades, institutos de pesquisa e setor produtivo em diferentes regiões do estado. Um dos destaques foi o NAPI Aeronaves, que exibiu um protótipo de integração entre um simulador de voo e um sistema físico de controle de aeronave. Segundo o pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Marco Wehrmeister, a tecnologia permite reproduzir em bancada os comandos de um avião em tempo real.

Na área agrícola, o NAPI Enfezamento do Milho mostrou uma solução baseada em inteligência artificial para monitorar a cigarrinha-do-milho, inseto responsável por grandes prejuízos na produção. O pesquisador do IDR-Paraná, Ivan Bordin, demonstrou um aplicativo que automatiza um processo que hoje ainda é manual. “A inteligência artificial permite fotografar a armadilha e contar automaticamente os insetos, registrando e enviando os dados pela internet”, afirmou.
Também voltado ao setor agroindustrial, o NAPI Erva-Mate expôs mudas selecionadas e novos produtos derivados da planta, com maior valor agregado, como biscoitos e bebidas. De acordo com o presidente da Sustentec, Euclides Junior, o objetivo é ampliar as possibilidades de mercado.

O NAPI Educação para o Futuro trouxe para a Semana Araucária uma série de painéis e indicadores específicos da Educação Básica do Paraná, trazendo a primeira camada de dados e a concepção do portal do Observatório da Educação, além da estrutura do repositório institucional.
Outro estande presente no primeiro dia de evento, o NAPI Robótica, exibiu um protótipo de robô. Entre as iniciativas do Arranjo está um programa em escolas públicas em que estudantes aprendem a programar robôs e participar de desafios tecnológicos. Já o NAPI RMN, apresentou aplicações da ressonância magnética nuclear para análise de alimentos e bebidas. Um dos exemplos mostrados foi o trabalho realizado durante a crise do metanol em bebidas alcoólicas. “Analisamos quase mil amostras de bebidas do Paraná e não encontramos nenhuma contaminada”, relatou o professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Andersson Barison.
Além das aplicações tecnológicas e industriais, a programação também traz pesquisas em áreas como a astronomia. O NAPI Fenômenos Extremos do Universo participa de projetos internacionais e apresentou o site do Arranjo. “Nosso principal projeto é um telescópio de raios gama que vai integrar um grande consórcio internacional para estudar fenômenos de altíssima energia no universo”, explicou o professor da UTFPR, Alexandre Mello.
O NAPI Corpo em Movimento apresentou vestimentas e acessórios do projeto que leva a prática de lutas marciais para escolas públicas do Paraná. Outro exemplo de cooperação científica é o NAPI Trinacional, que reúne pesquisadores do Brasil, Paraguai e Argentina para estudar questões urbanas, sociais e ambientais na região de fronteira. Para o evento, o grupo levou o primeiro livro publicado pelo Arranjo, com reflexões iniciais sobre a metrópole trinacional.
O NAPI Sudoeste apresentou pesquisas voltadas às demandas regionais, como estudos sobre a qualidade da água e do solo por meio de bioindicadores, além do desenvolvimento de novas membranas com reaproveitamento de resíduos industriais para aplicações em saúde e nutrição.

O NAPI Space exibiu uma plataforma própria de coleta e processamento de dados espaciais, reduzindo a dependência de equipamentos importados e ampliando aplicações em áreas como agricultura de precisão, planejamento urbano e monitoramento ambiental.
No estande do NAPI Paraná Faz Ciência, os visitantes puderam conhecer os projetos e produtos desenvolvidos no programa, como o site Conexão Ciência – C², o Programa Interinstitucional de Ciência Cidadã na Escola (PICCE), o projeto Quintas de Ciência, Rede de Clubes Paraná Faz Ciência e Rede de Museus de Ciências, além de promover o lançamento de novos e-books do C². “Durante três dias, o visitante poderá ter acesso a dados com a performance de cada projeto, por meio de tablets, vídeos institucionais e interação com articuladores e bolsistas”, adiantou Tama Domiciano, bolsista pós-doc do NAPI PRFC.
O recém criado NAPI Governança e Bioinovação também esteve presente na primeira tarde do evento. O professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Douglas André Roesler falou da transição do NAPI Oeste para este Arranjo voltado à governança e bioinovação, com pesquisas em gestão de dados, conectividade, energia e sanidade agropecuária, áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do Oeste do Paraná.
Com cerca de 800 participantes esperados ao longo da programação, a Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até o dia 12 de março no Campus da Indústria, em Curitiba. A proposta é aproximar a produção científica da sociedade e mostrar como os recursos públicos destinados à pesquisa se traduzem em conhecimento, inovação e desenvolvimento para o Paraná.
Com 290 clubes e cerca de 6 mil estudantes, iniciativa incentiva a investigação científica nas escolas do estado

O primeiro dia da Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), que começou nesta terça-feira, dia 10, no Campus da Indústria, em Curitiba, destacou o papel da Rede de Clubes do NAPI Paraná Faz Ciência na promoção da cultura científica nas escolas do estado. Durante a apresentação d abertura, foi evidenciado o investimento de R$ 23,5 mi, realizado pela Fundação Araucária na Rede. Recurso que, hoje, se traduz em 290 clubes ativos em escolas de diferentes regiões do Paraná.
Atualmente, o NAPI Paraná Faz Ciência reúne cerca de 6 mil estudantes participantes, conhecidos como clubistas. Nos encontros semanais, crianças, adolescentes e jovens desenvolvem projetos de investigação orientados por coordenadores e articuladores vinculados a universidades e instituições de pesquisa.
A articuladora do NAPI Paraná Faz Ciência, Débora Sant’Ana, observa que o recurso financeiro é um elemento necessário para viabilizar a política pública, mas o principal resultado aparece nas oportunidades que se abrem para os estudantes e para as comunidades onde os clubes estão inseridos. “A implantação dos clubes amplia horizontes para os estudantes e fortalece o sentimento de pertencimento ao mundo da ciência”, afirma.
Segundo Débora, quando o investimento chega às escolas por meio dos clubes, seus efeitos ultrapassam os participantes diretos da iniciativa. “Quando pensamos em um clube de ciência, não impactamos apenas o clubista. Impactamos também a escola, a família e o entorno. Recurso público bem aplicado significa multiplicação de ações. Esse movimento se espalha como uma onda, alcançando áreas cada vez mais distantes e beneficiando também quem não participa diretamente do clube”, explica.
Essa transformação se torna visível no modo como os estudantes passam a se relacionar com o conhecimento científico dentro dos clubes, das escolas e também em seu cotidiano. Na avaliação de Josiane Figueiredo, coordenadora dos clubes vinculados à Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a experiência permite que os jovens compreendam a pesquisa como algo próximo da realidade deles. “Mais importante que o recurso em si é o capital científico que vai sendo construído. Os estudantes começam a entender o que significa fazer pesquisa e percebem que podem transformar perguntas do cotidiano em investigação”.

Josiane acrescenta que os clubes também contribuem para aproximar a escola do ambiente acadêmico e ampliar o acesso dos estudantes à produção científica. “Antes, a pesquisa ficava muito concentrada dentro da universidade. Quando ela chega à escola, o estudante percebe que também pode produzir conhecimento e que a universidade pode fazer parte do caminho dele”, explica a professora.
A presença dos clubes em escolas distribuídas por diferentes regiões do Paraná também amplia o acesso à ciência em territórios diversos. Edinalva Oliveira, pesquisadora do NAPI Paraná Faz Ciência, destaca que essa capilaridade é um dos elementos centrais da iniciativa. “O Paraná tem um território amplo e quando essas ações chegam às escolas, inclusive às que estão em regiões periféricas, elas abrem horizontes muito significativos para os estudantes”, afirma.
Edinalva observa que o projeto também inclui formação continuada para professores, fortalecendo o desenvolvimento de atividades investigativas nas escolas. “O professor se apropria de novos saberes e, junto com os estudantes, consegue olhar para o território onde a escola está inserida e identificar questões que podem ser investigadas pela ciência”, destaca.
Segundo a pesquisadora, esse processo contribui para fortalecer a produção de conhecimento nas próprias comunidades. “Quem ganha não é apenas o grande centro. O território também passa a articular saberes, compartilhar experiências e construir conhecimento”, comemora.

Ao longo da programação da Semana Araucária, o público poderá conhecer alguns projetos desenvolvidos em clubes de ciência expostos nos estandes do NAPI Paraná Faz Ciência. Além disso, na quinta, dia 12, clubistas e coordenadores de clubes vão compartilhar suas experiências com participantes do evento.
Para Edinalva Oliveira, esse momento funciona como uma espécie de culminância das atividades desenvolvidas ao longo do ano. “Os clubes mostram o que fizeram, como fizeram e dialogam com outras escolas. Esse compartilhamento de experiências torna a caminhada ainda mais produtiva”, afirma. Segundo ela, a troca entre estudantes e professores é parte fundamental do processo de produção científica. “Conhecimento não é para ficar guardado. Conhecimento é para ser compartilhado.”
A Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação segue até quinta-feira, dia 12, no Campus da Indústria, reunindo pesquisadores, professores, estudantes e instituições para apresentar projetos e discutir iniciativas voltadas ao fortalecimento da ciência no Paraná.
Clubistas da Rede Paraná Faz Ciência ensaiam apresentações e organizam projetos que serão apresentados durante o evento de ciência e inovação em Curitiba

Integrantes de clubes da Rede Paraná Faz Ciência estão nos últimos dias de preparação para apresentar projetos desenvolvidos ao longo do último ano, durante a 1ª Semana Araucária de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). O evento será realizado nos dias 10, 11 e 12 de março, no Campus da Indústria, em Curitiba.
A rede reúne atualmente 290 clubes no Paraná, entre Clubes de Ciências, Clubes Maker e Clubes de Meninas na Ciência, formados por estudantes e professores que desenvolvem atividades de investigação científica e divulgação do conhecimento em escolas do estado. Durante a programação da Semana Araucária, dez clubes da rede apresentarão seus projetos: sendo seis clubes de ciência, dois clubes maker e dois clubes de meninas na ciência.
Promovida pela Fundação Araucária, a Semana Araucária foi criada para fomentar o debate sobre políticas públicas em ciência, tecnologia e inovação e educação, além de ampliar o acesso da população aos avanços científicos em diferentes áreas do conhecimento.
A programação inclui palestras, conferências, mesas-redondas, painéis, webminicursos e espaços de articulação entre representantes do governo, da academia, do terceiro setor e da iniciativa privada. Também integram o evento a 4ª Semana dos Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação (NAPIs) e a 1ª Rodada de Negócios de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Nos clubes que participarão do evento, os encontros mais recentes têm sido dedicados à organização dos projetos e à preparação do que será levado para o evento. No BioClube, do Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, enquanto alguns clubistas revisam os trabalhos desenvolvidos e discutem a melhor forma de apresentá-los ao público, outros se dedicam à produção do sabão sustentável, resultado de uma das pesquisas do grupo e que também estará presente na Semana Araucária.

Além do projeto relacionado ao reaproveitamento do óleo, o clube também desenvolveu um trabalho sobre o Rio Iguaçu, que resultou na produção de uma cartilha com informações sobre a importância do rio e os impactos da poluição. “Na última feira de ciências que teve, eu não consegui ir apresentar. Então fiquei feliz que dessa vez vou poder ir”, conta Helena Borges, de 12 anos, uma das integrantes do clube. “O projeto do Rio Iguaçu é para as pessoas conhecerem mais sobre o rio e sobre as coisas erradas que fazem com ele. E o do sabão mostra que, em vez de jogar o óleo fora e poluir, a gente pode reutilizar para fazer sabão”, explica.
A coordenadora do clube, professora Lucimary Pesaroglo, destaca que o chamado para participar do evento foi recebido com entusiasmo pelos estudantes. “Para a gente foi uma surpresa bem legal, porque é sempre bom ser lembrado. Isso quer dizer que o nosso clube está realizando atividades que fazem efeito na comunidade escolar e na comunidade científica”, afirma. Segundo ela, a preparação agora envolve principalmente a organização da apresentação oral. “Ao mesmo tempo que eles ficaram bastante animados, também estão um pouco nervosos em falar em público. Por isso estamos organizando as falas e ensaiando.”
No Clube Bona, do Colégio Estadual Theodoro de Bona, em Almirante Tamandaré, os estudantes também dedicam os encontros recentes à preparação para a apresentação no evento. Um dos projetos desenvolvidos pelo grupo investiga a qualidade da água a partir da identificação de macroinvertebrados, organismos que ajudam a indicar as condições ambientais de rios e lagos.

A pesquisa deu origem a diferentes desdobramentos. Entre eles estão a criação de um site, onde os estudantes apresentam a trajetória do projeto e os resultados obtidos, e o desenvolvimento de um jogo de cartas educativo, que será levado ao evento.
Rhyana Cardoso, de 15 anos, conta que tem revisado os conteúdos das pesquisas para preparar a apresentação. “Estou relendo os conteúdos para falar direitinho. Estou um pouco nervosa porque vamos subir no palco para falar sobre o nosso clube”, afirma. “A preparação do clube está indo bem também. Está tudo organizado.”
A experiência no clube, segundo Rhyana, também tem estimulado a curiosidade científica. “A gente gosta de descobrir as coisas, entender como os animais funcionam, como são as células. Isso promove curiosidade e vontade de estudar.” Ela acredita que a experiência também pode influenciar escolhas futuras. “Quando a gente entra no clube, se abre bastante essa área da ciência, da biologia. Isso incentiva.”
Apresentar os projetos desenvolvidos nos clubes de ciência em eventos e outros espaços de circulação do conhecimento permite que os clubistas levem para além da escola as experiências construídas ao longo das pesquisas. Mas o resultado vai além da comunicação científica.
No Colégio Estadual Lúcia Bastos, em Curitiba, a diretora Rozangela Barbosa de Sales observa que momentos como esses ajudam os alunos a perceber que o universo de possibilidades não se limita ao ambiente escolar. “Eles percebem que o espaço deles não é só esse espaço da escola. É um espaço muito amplo. A ciência leva eles para conhecer o mundo”, afirma.
Segundo ela, o contato com a ciência também contribui para que os estudantes passem a visualizar caminhos acadêmicos e profissionais que muitas vezes não pareciam próximos de sua realidade. “Eles entendem que podem mudar a própria realidade enquanto estudantes e que, no futuro, podem estar dentro de uma universidade ou participando de pesquisas”.
Dentro da Rede Paraná Faz Ciência essas experiências já cruzaram fronteiras. Estudantes que participam de clubes de ciência da rede integram programas de intercâmbio, como o Ganhando o Mundo, do Governo do Estado do Paraná e também já participaram de iniciativas internacionais como o programa Sustainable Living Innovators (SLI), realizado em Portugal, a partir de iniciativas do Paraná Faz Ciência e da Fundação Araucária. Nesses contextos, os alunos levam para outros países conhecimentos construídos dentro dos clubes e têm a oportunidade de compartilhar suas pesquisas e aprendizados em diferentes ambientes.
Oficina realizada em Foz do Iguaçu integrou teoria e prática para promover ciência cidadã e engajamento público na pesquisa sobre biodiversidade

Durante o 36º Congresso Brasileiro de Zoologia (CBZ) e a 3ª Conferência da Zoologia na Indústria (CIZOO), em Foz do Iguaçu entre os dias 2 e 5 de março, o professor e articulador do Napi, Rodrigo Arantes Reis, coordenou a oficina “Ciência Cidadã e Biodiversidade: Estratégia de Engajamento Público para a Ciência”.
A oficina reuniu pesquisadores, estudantes e profissionais interessados em ampliar a participação da sociedade na produção do conhecimento científico. A proposta foi integrar teoria e prática, apresentando conceitos fundamentais de Ciência Cidadã, além de metodologias de coleta de dados e estratégias de engajamento público em projetos de biodiversidade.
Durante o encontro, os participantes conheceram iniciativas e ferramentas que permitem a colaboração entre cientistas e cidadãos. Entre os conteúdos abordados estavam o Programa Institucional de Ciência Cidadã para a Educação (PICCE), protocolos de campo e o uso de aplicativos voltados ao registro de espécies e monitoramento ambiental.

A programação também incluiu atividades práticas realizadas nos jardins e bosques do local do evento, onde os participantes puderam aplicar os protocolos apresentados e experimentar, na prática, como a ciência cidadã pode contribuir para a produção de dados científicos e para a conservação da biodiversidade.
Durante o evento, o NAPI também esteve presente no estande do Paraná Faz Ciência, espaço dedicado à divulgação de iniciativas científicas e de inovação desenvolvidas no estado, reforçando a integração entre pesquisa, educação e sociedade, ampliando a visibilidade das ações voltadas à conservação da biodiversidade e ao fortalecimento da ciência no Paraná.

De acordo com o professor Rodrigo Arantes Reis, a atuação do NAPI tem sido fundamental para fortalecer redes de pesquisa e ampliar a presença de iniciativas colaborativas em grandes eventos científicos. “Estamos muito felizes de poder estar aqui. Gostaria de agradecer demais à Associação Brasileira de Zoologia pelo convite e ao NAPI Paraná Faz Ciência pelo orgulho de estar apresentando esse resultado em mais um evento”, destacou.
A presença do NAPI em eventos de grande porte reforça o compromisso da rede com a excelência acadêmica e com a ampliação da divulgação científica no país. Ao promover ações que aproximam pesquisadores e sociedade, a iniciativa contribui para fortalecer a ciência colaborativa e ampliar o impacto do conhecimento científico na conservação da biodiversidade brasileira.
